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Começa agora o Explicador da Rádio Observador esta manhã sobre o programa do governo, que é hoje apresentado na Assembleia da República. Para isso, é nosso convidado Pedro Pessanha, do Chega.

E tínhamos convidado também Luís Dias, do Partido Socialista, para este Explicador, mas cancelou a participação à última hora. Por isso avançamos com o deputado do Chega, Pedro Pessanha. Muito bom dia, bem-vindo a este Explicador.

Bom dia, Bruno.

"O governo não tem qualquer ideia inovadora", disse André Ventura, líder do Chega. "Falta ambição e coragem." Em que áreas é que se nota mais esta falta de ambição no programa do governo?

Eu pensava que estávamos aqui para falar de defesa.

Também vamos falar especificamente da defesa.

E já agora, dos 2% que o governo se compromete a cumprir até o final deste ano. Eu vou dar o benefício da dúvida ao governo. Estamos a pouco menos de cinco meses até o final do ano. Sinceramente, quero ver como é que o governo vai começar a reforçar estes investimentos na defesa, que são cruciais. Quero ver onde e como é que o governo tenciona reforçar este aumento da defesa. Espero que não seja um mero exercício financeiro ou, como alguns dizem, uma contabilidade criativa, já que os ouvintes nos estão a ouvir, que é de tirar de um sítio para pôr do outro. Vamos dar o benefício da dúvida. Vou ficar atento até ao final do ano para ver onde é que esses reforços vão ser aplicados. Tenho algumas dúvidas, mas como lhe disse, vamos ficar atentos até o final do ano para ver se realmente vai existir um reforço na defesa, como tanto querem fazer crer.

Antes de irmos especificamente ao tema da defesa, deixe-me perguntar se o Chega vê nesta medida do governo, na inclusão de medidas do Chega, foi o partido do qual o governo incluiu mais medidas neste programa do governo, se vê nesse gesto uma manifestação de boa vontade.

Eu já tive a oportunidade, inclusive aqui na Rádio Observador. Nós gostaríamos que pastas como a saúde, como a justiça, houvesse uma vontade mais dinâmica de reforçar medidas nestas pastas, coisa que acabamos por não assistir. Vejo também difícil esta pasta das reformas do Estado, estar por um ministro que teve declarações, no meu ponto de vista, que foram infelizes, onde disse claramente que uma das formas de combater a falta de portugueses seria trazer imigrantes oriundos de países como Bangladesh e Paquistão. Penso que isso não são medidas que abonam o governo, mas é a opinião do Chega.

Ao mesmo tempo, aqui há dias, Pedro Frazão, do Chega, dizia que este era um programa, ainda quando não tinha sido apresentado em detalhe, quando tinham sido apresentados os eixos prioritários, dizia que este era um programa do Chega wannabe, que era um programa que tinha muitos pontos de contato com o programa eleitoral do Chega. Não há aqui áreas em que possa haver um entendimento, mesmo áreas como a imigração entre o governo e o Chega?

Aquilo que nós constatamos é que, por um lado, o governo diz que vai combater esta imigração ilegal, mas depois, na prática, em nada resulta. Eu tenho alguma dificuldade em ver certas medidas que este governo se propõe a fazer, mas que depois, na prática, fica no papel. Portanto, aquilo que o meu colega, o deputado Pedro Frazão, disse, tem toda a razão. Agora vamos ver durante os próximos meses se realmente este governo tem a ousadia e a coragem de fazer mudanças significativas para o país, nomeadamente no que diz respeito à corrupção, à Justiça, à saúde. Vamos tentar acompanhar e estaremos aqui para, de uma forma construtiva, apontar o dedo quando for preciso.

Em relação à área da defesa em concreto, é uma das áreas em que o entendimento será mais fácil? Há aqui margem para o entendimento entre o Chega e o governo?

Este reforço da verba, eu penso que é consensual, e já vem de alguns tempos para cá, a necessidade de reforçar estes valores na defesa. Acredito que os 2% já estão completamente ultrapassados, aliás, fala-se em 3%, 3,5%, mais 1,5% com os nossos parceiros da NATO. E, portanto, eu espero que isto seja um ponto de partida para até ao final deste governo conseguirmos atingir a meta dos 3%. E vou ser conservador, dos 3, 3,5% de investimento para a defesa. É isso que eu gostaria. Vamos ver o que o governo está pronto e se vai ser capaz de aplicar estas medidas na defesa que tanto precisa.

Mas vê esta antecipação da meta dos 2% como um dado positivo?

Tudo o que for para reforçar os investimentos na defesa é positivo. Aquilo a que eu chamei a atenção no princípio da nossa conversa Vamos ver se realmente vai haver uma injeção de capital e de verbas para a defesa ou se isso se trata meramente de um exercício financeiro ou de uma contabilidade criativa. Portanto, vamos lá ver se a gente se entende. Reforçar os investimentos da defesa até o final do ano, sim. Agora, eu quero ver é onde e como é que esses reforços vão ser feitos. E é essas as dúvidas que eu tenho.

Teme que este estímulo aos investimentos passíveis de duplo uso militar e civil, que é aquilo de que o governo fala, incluam aqui áreas suficientemente abrangentes para resultar naquilo que se chama uma contabilidade criativa?

Qualquer tipo de investimento na defesa é bem-vindo. Fala-se muito de revitalizar a indústria da defesa em território nacional. Portanto, eu acho que são umas boas medidas, acho que isso atrai riqueza, atrai investidores e tudo o que seja para reforçar essas medidas, eu vejo com muito bons olhos. Eu tenho é dúvidas como é que o governo irá fazer e irá concretizar na prática todo este programa e este reforço que eles estão neste momento a dizer. Vamos ver, vamos ficar atentos até o final do ano, pelo menos. Temos cinco meses pela frente. No final do ano, iremos tirar as nossas conclusões e caso seja necessário, apontar o dedo naquilo que foi feito ou não por parte deste governo.

Mas o Chega vai avançar com propostas no sentido de investimentos para a área da defesa?

O Chega sempre esteve na vanguarda desta necessidade de investimentos na defesa e sempre esteve ao lado das nossas Forças Armadas, dos nossos homens e mulheres. Acreditamos que é necessário atrair os jovens, e não só atrair, como cativar os jovens nas Forças Armadas, e isso requer investimento. Estivemos sempre ao lado dessas propostas e achamos que é fundamental dinamizar todo este setor da área da defesa.

Mas dentro da área da defesa, quais serão os setores a necessitar de mais investimentos? Falamos em nível salarial?

Salarial, rever as atuais reformas dos militares, passa por investir em equipamentos. Enfim, há toda uma panóplia de pontos que são cruciais neste momento da defesa, que eu espero que depois será discutido em sede de comissão ou com o senhor ministro da Defesa, para vermos que capacidade existe e a vontade que existe deste governo e idealmente irmos para frente neste aspecto.

Não teme que este investimento em defesa possa retirar verba de outras áreas dos setores sociais, como já foi adiantado por alguns políticos e mesmo da área da direita?

Eu vou lhe dizer com toda a sinceridade, cabe ao governo ver de onde é que vai tirar e propor. Eu acredito, na minha opinião, que a defesa é uma prioridade. Se não houver defesa da nossa soberania, tudo o resto colapsa. Não haverá saúde, não haverá habitação, não haverá justiça, não haverá nada. A defesa é um dos pilares fundamentais da nossa soberania. Sem isso, tudo o resto colapsa. Eu acredito que seja uma prioridade. Cabe ao governo também nos dizer se para eles a defesa é ou não uma prioridade.

E teremos tempo também para ver essa reação do governo e também às propostas do Chega. Pedro Pessanha, muito obrigado pela sua participação neste explicador. Um bom dia. Muito obrigado.

Um muito bom dia. Muito obrigado.