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As regiões Norte e Centro do país são as mais atingidas. Entre ontem e as 11h da manhã desta terça-feira, registraram-se 175 incêndios, mais de metade com início durante o período da noite. Nos próximos minutos, vamos estar à conversa com três autarcas de três municípios afetados pelos fogos: Penamacor, Santarém e Ponte da Barca. Começamos por uma conversa com António Bates Soares, presidente da Câmara de Penamacor. É uma conversa que vai ser moderada pela Raquel Bacis e pela Vanessa Cruz.
Bem-vindo à Rádio Observador, António Bates Soares. Muito obrigada pela disponibilidade nesta altura difícil. Um incêndio em zona de mata que lavra desde a tarde de ontem aproximou-se da aldeia de João Pires, no concelho de Penamacor, tendo já obrigado a evacuação da zona norte da aldeia. Como é que está a situação agora?
Estamos.
Estamos com algumas dificuldades em conseguir ouvi-lo, provavelmente por causa deste incêndio. Pode haver aqui alguns problemas de rede. Não sei se consegue movimentar-se só um pouco para perceber se conseguimos escutá-lo.
Estou a ouvir melhor, agora.
Agora sim.
Ok. Então esta aldeia, João Pires, já foi ontem. Isto já passou pela aldeia do Bispo, pelas Águas e neste momento circula aqui um pouco já a freguesia da Rel mesta, mas a parte mais crítica em torno da aldeia também já passou. Neste momento há uma frente grande que já está de João Pires para Ourém Sá Velha, mas muito forte, neste momento já para Idanha-a-Nova.
Houve casas ardidas ao longo do dia de hoje?
Foram vários desabamentos. Aliás, este estava praticamente dominado e neste momento ele reacendeu em vários locais. Pronto, agora está outra vez muito forte.
E os meios aéreos, e não só, que foram empregados no combate às chamas foram os adequados?
Sim, aliás, de forma objetiva, os meios aéreos ainda continuam neste momento a operar, quer os helicópteros, quer os Canadair e também os meios terrestres são bastantes. Ou seja, meios de facto são muitos, só que a área do perímetro é uma área enormíssima.
António Bates Soares, há pouco perguntei-lhe sobre casas ardidas. Não conseguimos compreender porque teve aí um corte de rede. Houve casas ardidas neste momento, há habitações em risco ou populações em risco que tenham tido que ser retiradas de casa?
Não, neste momento nós já não temos aqui populações em risco. Pelo menos aparentemente já não temos. E tudo o que ardeu, basicamente, nenhuma foi habitação, ou seja, foram tudo questões de palheiros, armazéns de apoio aos animais e casas de ferramentas. Ou seja, em termos de habitações, nada ardeu.
E há terrenos agrícolas atingidos pelo fogo?
Há, são bastantes. Estamos a falar de uma área ainda para aí de 1500 hectares.
E neste momento, tendo em conta as condições climáticas e a situação da extensão do fogo, a Proteção Civil consegue dar-lhe alguma expectativa, alguma altura em que este fogo possa estar controlado ou ainda depende muito das condições climáticas?
Depende sempre muito, obviamente, das condições do vento e possíveis reacendimentos, mas eu diria que neste momento, em face do que temos aqui, pode ser expectável que até o final da tarde mesmo nós possamos ter isto, diria, outra vez dominado. Depois, obviamente, os reacendimentos poderão ser suscetíveis de novamente aparecer, mas eu creio que pode ser possível. No entanto, aquela frente toda que vai já no concelho de Idanha é muito mais difícil que possa estar controlada até ao fim da tarde pela evolução, de facto, da frente de fogo.
Há alguma estrada cortada, alguma indicação relevante que nos possa aqui dar a esse nível?
Não tenho essa informação, até porque aquela frente, depois, já está no concelho de Idanha.
Muito obrigada pelo ponto de situação que nos trouxe aqui, António Bates Soares, presidente da Câmara de Penamacor. Este incêndio que está desde a tarde de ontem a combater. Aqui as chamas estão, de facto, ainda um incêndio por dominar e terá começado este incêndio em Idanha-a-Nova. Vamos receber também aqui na tarde política mais dois autarcas de Ponte da Barca, Augusto Manuel dos Reis Marinho e também o autarca de Santarém, João Teixeira Leite. São mais dois dos oito fogos que têm estado ao longo do dia, Miguel Vilela, a preocupar as autoridades.
Sim, e contávamos precisamente ter aqui os autarcas destes dois municípios, mas estamos com alguma dificuldade face às difíceis condições no terreno, que impacta, claro, na rede móvel. Sendo que a Beatriz Canata dá-me agora a indicação de que já temos em linha o presidente da Câmara de Santarém, João Teixeira Leite.
Muito obrigada pela disponibilidade, senhor autarca. Ponto de situação deste fogo que começou na freguesia de Alcanede, no concelho de Santarém.
É uma situação crítica devido às condições climatéricas, sobretudo com a mudança repentina do vento. Nós temos meios mobilizados neste momento aqui para a freguesia de Alcanede, dois aviões de asas fixas, um helicóptero. Estão mais de 300 homens e mulheres no terreno, com mais de 100 viaturas também envolvidas neste preciso momento. Mas as condições climatéricas não são as melhores Estamos já, também do ponto de vista daquilo que é o cuidado às populações, a fazer todas as démarches para que não existam situações críticas e estão a ser feitos todos os esforços com todas as corporações de bombeiros envolvidas. Mas as condições climatéricas, sobretudo provocadas pelo vento, estão a complicar a situação, que já estava numa fase, há pouco, praticamente mais controlável e de repente, em poucos segundos, a situação piorou bastante.
Há aldeias próximas da zona onde o fogo-
Sim. Já foram evacuadas populações de algumas aldeias, sobretudo Vale de Sopro e da Espinheira, que neste momento também estão a ser evacuadas para que não exista nenhuma situação crítica.
A zona onde o fogo deflagrou e para onde se está a estender é uma zona com fácil acesso ou há, como noutros fogos no país, dificuldade de acesso?
São zonas florestais, há sempre dificuldades, mas são zonas florestais por isso mesmo. Apesar de tudo, as zonas críticas agora, as várias frentes, têm acessibilidade e por isso as várias corporações estão neste momento no terreno. Também temos apoio aéreo, dois aviões, como disse, tanques a fixo e um helicóptero, que ajudam bastante as corporações que estão no terreno.
Já que está a falar dos meios aéreos, o presidente da Liga dos Bombeiros defende que o mecanismo de proteção civil da União Europeia seja ativado para que Portugal tenha os meios necessários para combater as chamas, e tendo em conta que, de facto, há vários incêndios.
Neste momento não vou fazer comentários sobre essa matéria. Nós neste momento temos a ter apoio dos dois meios aéreos que lhe falei, mais um helicóptero, são três.
E considera que é suficiente?
E os demais carros no terreno. Neste momento, o comandante e aqueles que estão no terreno podem responder com maior eficácia e eficiência. Nunca são meios suficientes quando estamos numa situação crítica. Isso é factual. Mas neste momento estão a ajudar as corporações que estão no terreno e é o possível que estamos a conseguir fazer numa situação, como disse há pouco, ter controlada e que devido também à situação climatérica, piorou bastante. Mas estão os homens a batalhar para que a situação seja revertida.
Deixe-me só perguntar, porque Santarém é uma região eminentemente agrícola, há zonas agrícolas em risco?
Aqui a zona é florestal. Estamos numa zona de eucaliptal, de pinheiro, e é o que está a ser afetado.
Na última hora, as chamas estavam perto da Estrada Nacional 362. Está cortado o trânsito, não está? Qual é que é a situação?
Neste momento não, mas o vento mudou noutra direção e, portanto, as frentes já não estão perto dessa nacional. Está bem? Muito obrigado. Eu vou ter de desligar.
Muito obrigada, senhor autarca de Santarém.
Obrigado a todos os bombeiros que estão neste momento no terreno. Obrigado a todos.
E ficam aqui essas palavras de João Teixeira Leite, o presidente da Câmara de Santarém, que encontrou aqui alguns minutos para poder conversar com a Rádio Observador e com este ponto de situação. Os meios que estão no terreno estão a fazer os possíveis para controlar este fogo. O vento está a ser aqui também um ponto em desfavor do combate a este fogo, que ainda não está dominado na freguesia de Alcanede, concelho de Santarém, um dos cinco incêndios que começaram hoje em Portugal, sendo que há oito que estão a preocupar as autoridades, nomeadamente aquele que começou no sábado em Arouca, também em Penamacor e o fogo de Ponte da Barca. Aliás, o que começou no sábado foi de Ponte da Barca, estava aqui com essa imprecisão. São os três grandes fogos que preocupam as autoridades e há cinco também que começaram hoje. Temos estado a acompanhar estas informações sempre ao minuto em observador.pt. Este fogo em Alcanede, no concelho de Santarém, mobiliza quase 230 operacionais. A Estrada Nacional 362, como dizíamos há pouco, esteve cortada, mas tendo em conta que para esse lado o combate estava a evoluir favoravelmente, agora já não está, mas o vento está a ir noutra direção. Ainda aqui um outro ponto de situação no que toca a Nisa, no Alto Alentejo, no distrito de Portalegre. As autoridades estão a evacuar Pé da Serra, esta localidade de Pé da Serra, por causa de um incêndio rural. É o que indica a presidente do município no distrito de Portalegre, Idalina Trindade. São declarações à Agência Lusa.
Sendo que o incêndio que a esta hora mais mobiliza é o incêndio de Arouca, na área metropolitana do Porto. Setecentos e vinte e um operacionais apoiados por 245 viaturas. Há também sete meios aéreos envolvidos no combate a este incêndio. De resto, demos aqui conta e temos dado conta ao longo da tarde dos incêndios que mais preocupações inspiram. São oito no total, sendo que a esta hora há mais de 60 incêndios em Portugal. De resto, um contexto e um cenário que leva o presidente da Liga de Bombeiros, António Nunes, entrevistámo-lo aqui esta tarde no Explicador, a defender que Portugal devia ativar o mecanismo europeu de proteção civil, ou seja, pedir ajuda aos parceiros europeus com o envio de aviões que possam ajudar no combate às chamas. Contávamos ter aqui neste espaço e neste Explicador o autarca de Ponte da Barca. Não está fácil a comunicação com o autarca de Ponte da Barca. Se for possível, ainda até ao final desta tarde política, veremos de o escutar aqui na antena do Observador.