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Foi ministra da Cultura no primeiro governo de Luís Montenegro, Dalila Rodrigues está agora de saída, não transita para o novo executivo. É a convidada de mais um Explicador da Tarde Política, a que se junta também a jornalista de cultura do Observador, Joana Moreira. Dalila Rodrigues junta-se a nós numa altura em que acaba de ser noticiado que uma das últimas medidas terá sido levar à saída de Aida Tavares, diretora artística para as Artes Performativas e Pensamento do CCB. É para desmentir essa notícia que Dalila Rodrigues se junta agora a nós.

Exatamente. Boa tarde.

Boa tarde, Dalila. Perguntava-lhe então que responsabilidade tem nesta saída da Aida Tavares, a direção artística do CCB, e se pediu ou não a Nuno Vassalo e Silva, presidente do Conselho de Administração, que demitisse Aida Tavares.

Não tenho qualquer responsabilidade nesta matéria e gostaria de desmentir de forma veemente esta notícia, que é absolutamente difamatória. Eu nunca interferi nos organismos ou nas fundações com subvenção pública do Estado, ou seja, nunca interferi em decisões dos órgãos de gestão. E por que o faria neste dia, que é um dia tão derradeiro no exercício das minhas funções? O que eu gostaria de dizer é que assistimos, na verdade, a uma tentativa de construção de uma narrativa de que eu tenho mau feitio, que faço perseguições, que fiz demissões. Eu quero desmentir com veemência essas tentativas de construção de uma imagem que não me correspondem. Portanto, vou afirmar e de uma vez por todas: acabem com afirmações difamatórias que são falsas. É mentira que eu tenha dado qualquer indicação a qualquer órgão de gestão no sentido de contratarem ou despedirem direções artísticas. Nunca o fiz, nunca o farei e jamais o faria neste dia que é tão especial, em que estou a celebrar o final das minhas funções governativas.

Para garantir que não é aqui uma questão de semântica, só para esclarecer, durante o dia de hoje, quarta-feira, Dalila não contactou com Nuno Vassalo e Silva no sentido de pedir a abertura de um concurso para a direção artística do CCB?

De todo, absolutamente, isso é mentira. Criaram uma ficção de que sou eu quem interfiro, ou quem decide ações de gestão dos órgãos de fundações, de organismos, de estruturas do Ministério da Cultura. Isso é altamente difamatório, não apenas porque nunca o fiz, mas também porque seria minimizar, diminuir, desconsiderar a autonomia dos dirigentes. E eu, enquanto dirigente, fui dirigente ao longo de décadas, consideraria, na verdade, uma interferência absolutamente abusiva. Essa notícia é falsa e é certamente inventada pela pessoa que se vitimiza. Peço desculpa, mas eu tenho absolutamente que esclarecer o público de que eu não sou essa pessoa e que eu não cometi essa ação.

Já que manifestou estranheza pelo timing em que esta demissão acontece, pergunto, ainda em ministra com esta pasta, se contactou o presidente do Centro Cultural de Belém, Nuno Vassalo e Silva, no sentido de perceber por que este momento para afastar Aida Tavares.

Na verdade, eu não tenho qualquer relação, nem tenho que ter, diária e sistemática com os presidentes das fundações, nem com os dirigentes das várias estruturas do Ministério da Cultura. A única coisa que eu lhe posso dizer é que, na verdade, e no exercício das minhas funções, esta mentira que foi veiculada por Aida Tavares é absolutamente difamatória. Eu não interferi em qualquer ato de gestão, hoje ou em algum dos momentos, do CCB. E, na verdade, não vale a pena insistir comigo, porque eu entrei, de facto, em direto e com todo o gosto o faço.

Mas deixe-me então só fazer uma outra pergunta. Que avaliação é que faz do desempenho de Aida Tavares à frente da direção artística das Artes Performativas do CCB?

Não é da minha competência. Mas é que não é mesmo da minha competência. Eu só tenho que analisar, avaliar o desempenho dos órgãos de gestão, dos dirigentes, que eu diretamente nomeio ou exonero por competência direta. Não faria isso de forma alguma. Seria extrapolar as minhas competências e eu sou muito ciosa dos direitos e dos deveres dos dirigentes do Ministério da Cultura. Muitíssimo obrigada.

Dalila, uma última questão. Sai do Ministério da Cultura, não faz parte do novo executivo. Estava à espera de não ser reconduzida?

Não vou, evidentemente, ainda estou no exercício das minhas funções e, portanto, não vou fazer qualquer declaração. Está bem? Muito obrigada.

Permita-me só mais uma questão, só porque Margarida Balseiro Lopes vai assumir essa pasta.

Não, não vou mesmo fazer declarações. Eu só não pude aceitar que se use o meu bom nome para, mais uma vez, difamar, construir narrativas que não correspondem nem aos meus atos, nem à minha natureza. Eu sou uma pessoa de bem, sou uma pessoa empenhada, sou uma pessoa séria, sou uma pessoa transparente. Essa tentativa de construção narrativa deve ser interrompida e é com essa missão que eu entrei em direto. Muitíssimo obrigada pela oportunidade que me deram de desmentir. Obrigada.

Muito obrigada, Dalila Rodrigues, por ter tido disponibilidade para entrar em direto na Tarde Política da Rádio Observador.