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Este é o Explicador das manhãs 360 esta quarta-feira sobre o impacto do eclipse solar na saúde e para isso convidamos para estar conosco João Paulo Magalhães, vice-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública. Estamos a pouco mais de nove horas para o eclipse solar. Os óculos certificados esgotaram nas farmácias. Não há garantias de que todos os que ainda procuram a proteção a consigam garantir. Muito bom dia, João Paulo Magalhães. Em termos de saúde pública, diria que estamos preparados para assistir ao eclipse solar de mais logo?

Bom dia e obrigado pelo convite. Bom dia a todos que nos ouvem. Eu queria dizer que realmente estamos perante um fenômeno cosmológico e até planetário único. Já fizeram referência que o último se vê assim total em 1912. Isso atrai muito entusiasmo, e ainda bem, é um momento diferente e de contato com algo que realmente é nos difícil perceber por vezes. Mas isso, como diz, realmente também tem um risco que nós temos que ser muito assertivos relativamente a ele, porque é um risco que às vezes poucos segundos podem fazer a diferença. Se a questão é se estamos preparados, ou seja, a preparação aqui é simples. A preparação é: se as pessoas quiserem realmente observar o eclipse, têm que ter os óculos de proteção devidamente certificados. Realmente foi um fenômeno de procura que não é específico até de Portugal, ou seja, a nível europeu, há uma procura intensa nesses óculos e não houve uma disposta até de mercado para colocá-los disponíveis. E foi noticiado, algumas farmácias terão estoques adicionais ainda hoje disponíveis para que as pessoas possam realmente comprar estes óculos. Ou seja, em termos de preparação, a preparação é: quem tem os óculos está devidamente preparado, quem não tem os óculos deve se abster de observar diretamente o eclipse. Portanto, a pergunta que faz e a resposta que eu diria agora de forma imediata, e talvez seja a mensagem principal desta nossa conversa de manhã, é que as pessoas, não tendo óculos, por favor, evitem mesmo olhar. E por uma razão muito simples, olhar diretamente a olho nu, digamos assim, para o eclipse. E por uma razão muito simples e há alternativas, e já lá vamos. Porque nós, no nosso dia a dia, tendemos a não olhar diretamente para o sol. Não olhamos para o sol porque nos causa desconforto imediato. Portanto, é normal. E quando acontecem estes fenômenos do eclipse, ou seja, em que se remove esse desconforto, a radiação não deixa de lá estar. E bastam pequenos segundos, é que são mesmo segundos, em que nós estamos a olhar diretamente a olho nu para nos causarem danos que podem potencialmente ser irreversíveis na nossa visão. E essa é a razão pela qual este alerta é muito importante e eu sei que as pessoas terão muita tentação de querer ver, mesmo não tendo os óculos, mesmo até partilhando entre pessoas e entre família, entre grupos de amigos.

É claro, porque um par de óculos pode chegar para mais do que uma pessoa.

Exatamente. E é esse o momento que nós temos realmente de ter muita cautela, porque é o ponto em que temos que fazer um esforço enorme para que se acharmos que aqueles segundinhos naquele momento às 19h30 não faz diferença. Não, faz realmente a diferença. E porque nós não sentimos, ainda para mais, porque até do ponto de vista do nosso corpo humano, nós não temos raízes nervosas diretamente no nosso globo ocular, por isso não sentimos dor imediata e por isso não temos essa reação imediata. E por isso também é ainda mais grave, porque não temos a percepção do desconforto imediato nesse local.

É mais perigoso. Ou seja, João Paulo Magalhães, naqueles segundos, conseguiríamos olhar para o sol sem o desconforto habitual de quando ele está desimpedido, mas não devemos fazê-lo na mesma.

Não. A recomendação é, por favor, as pessoas evitem mesmo fazê-lo, apesar da tentação ser muito grande. E depois há aqui um outro ponto que é em relação às crianças, também, se me permitem. Porque muitas famílias vão querer, as crianças têm entusiasmo à volta dessas coisas, é natural, mas a recomendação, e uma vez mais, as pessoas que nos estão a ouvir, qualquer dúvida que tenham, vão ao site da Direção Geral da Saúde, tem muitos guias lá de perguntas e respostas sobre essas matérias e é muito útil. As crianças pequenas de todo não devem estar expostas ao eclipse e mesmo as crianças mais velhas ter alguma cautela e se calhar também evitar. Por uma razão simples: não é que os óculos não funcionem nas crianças, funcionam na mesma. Mas a questão é que as crianças têm uma perceção muito menor de colocar os óculos direito, têm a tendência a tirá-los. Nós sabemos como é que as crianças são. Quando nós estamos a falar de segundos, quando estamos a falar de crianças que estão em uma fase de desenvolvimento, ainda mais grave é se houver essa tentação. E por isso nós tendemos a ter mais cautela relativamente às crianças e mesmo, por favor, se calhar, evitem de todo colocar as crianças numa circunstância em que possam olhar diretamente para o eclipse e procurem alternativas. Eu vi até, vocês de manhã também noticiaram isso, ou seja, ver através de um projetor, por exemplo. Eu penso que há uma iniciativa que vai estar a projetar diretamente, penso até a partir de Bragança, o fundo do eclipse, pode ser visto através dos nossos ecrãs em casa. Apesar do entusiasmo à volta, eu sei que pode não ser a mesma coisa.

Pode não ser a mesma experiência, mas é mais seguro. Mas ainda assim, João Paulo Magalhães, permita-me insistir um bocadinho aqui na questão de estarmos ou não preparados, exatamente pela dificuldade que há em conseguir ter os óculos nesta altura, há a promessa de um estoque, mas até agora e pela reportagem que temos feito, ele não está a chegar a todos os locais, pelo menos. Falhou-se no planeamento. Não íamos todos perceber que nos últimos dias iria haver uma corrida grande aos óculos?

Eu penso que sim, mas são aquelas questões que podemos discutir qual é o papel que o Estado deve ter e qual é o papel que o mercado funciona. Porque nós quando nos apercebemos que vai acontecer um eclipse, é muito em cima da hora, para dizer em termos mais latos. Ou nós estamos constantemente preparados para um eclipse, para um fenômeno que ocorre com um intervalo de dezenas de anos, ou então pode simplesmente para os olhos não ser o mais adequado. De qualquer forma, eu percebo onde quer chegar em termos de preparação e eu tenho alguma dificuldade em dizer de forma assertiva que não estamos preparados. Porque eu acho também não é justo para a forma daquilo que são esses fenômenos que acontecem. Agora, se calhar, também não vamos pedir às pessoas que a partir de agora tenham uns óculos em casa disponíveis para qualquer momento que possa acontecer um fenômeno desses. Esses fenômenos são muito raros. Quando acontecem, nós temos é que informar o máximo possível. E claro que aí temos que fazer todos os esforços para disponibilizar e criar os stocks necessários para que estejam disponíveis nas farmácias e noutros estabelecimentos, este tipo de óculos, que têm que ser certificados. Evitar fenômenos como, por exemplo, as questões de venda em mercados paralelos, que aí sim, é aquela questão de se nós estamos preparados, pois esse é o risco de nós não estarmos devidamente preparados, é criarmos mercado paralelo.

O recurso de última hora.

Exatamente, por vezes através de outros óculos que não são devidamente certificados e que protegem devidamente. Agora, claro que nós vamos ver o impacto que isto tem. Esperemos que seja muito baixo, no momento a seguir e nos dias a seguir, em termos do que é até da procura de serviços de saúde e dos cuidados da visão. E acho que vale a pena, se calhar, depois falarmos um pouquinho dos sinais de alerta. Mas de qualquer das maneiras, é como digo, é difícil dizer: "Não, não estamos preparados". Temos é que garantir que as pessoas estão devidamente informadas e que a informação chega e que disponibilizamos o máximo de capacidade que temos em termos desses óculos. Eu não tenho presente o número efetivo de óculos que foram disponibilizados.

Eu acho que ninguém terá, João Paulo Magalhães.

Pois. O ponto de partida é difícil de fazer este julgamento e esta avaliação.

Não há uma centralização dessa informação. Mas falava há pouco de sinais de alerta. Vamos agora pensar já no pós-eclipse e eventualmente nas pessoas que possam ter facilitado um pouco. Que sinais de alerta é que nas próximas horas ou dias depois do eclipse, as pessoas devem estar atentas e recorrer a um especialista?

Certo. Os sinais de alerta podem até começar quase no momento e ir até alguns dias depois e tem a ver com as pessoas sentirem que a visão está meio distorcida ou está turva, terem aquelas manchinhas, aqueles pontos negros começarem a aparecer. E depois até situações mais graves, como diminuição ou perda súbita de visão, começar a ter dor ocular intensa. Portanto, esses sinais, tudo o que seja sinais e sintomas que não sejam usuais e que estejam relacionados com a nossa visão, para quem esteve numa situação e esteve a observar o eclipse, mesmo que tenha tido os óculos, deve motivar ou ligar para a linha do SNS 24, ou mesmo se for grave, ligar para o 112. E portanto, não facilitar nessa circunstância.

E a rapidez, por aquilo que está a dizer, é importante. Não marcar uma consulta para daqui a uns dias com um especialista.

Sim, exatamente. Poderá haver aquela tendência de que eu vou querer ir ao meu oftalmologista, mas só vai estar disponível para a semana ou porque está de férias, etc. Mas nesse caso não deve facilitar nesse sentido, até porque depois será avaliado caso a caso e não vale a pena estarmos agora a explorar o tipo de cuidados ou terapias que possam ser necessários, mas quanto mais cedo melhor, precisamente porque algum destes danos pode levar a uma certa irreversibilidade e queremos evitar chegar a esse ponto. E aí também é uma questão que me tinha colocado sobre a questão da preparação, que é: por um lado, esperamos que essas nossas campanhas de comunicação sejam efetivas, que cheguem às pessoas, que as pessoas sintam que estão devidamente informadas sobre o que fazer e não fazer. Mas se por alguma razão isso acontecer e tivermos realmente um número elevado de pessoas ou mais do que o esperado, que precise destes cuidados, também esperemos que estejamos preparados, e aí, sim, eu quero acreditar que sim, que do lado do sistema de saúde, estejamos preparados para dar resposta a um pico de procura relativamente a esta matéria.

João Paulo, sim. As confecções são importantes.

Só falar da questão dos telemóveis, que eu acho que é uma coisa importante, e eu próprio tive que me ir informar, porque nós hoje em dia temos tendência a querer registar estes momentos e acho que é importante. E eu gostava só de destacar duas coisas. A primeira é que, não tendo eu qualquer conhecimento técnico do ponto de vista tecnológico destas matérias, e, portanto, é importante verificarem até com os fabricantes todas essas questões das câmaras, mas a verdade é que está indicado que a câmara por si só, nós utilizarmos um telemóvel como uma câmara, deve ter um filtro específico que pode realmente danificar a câmara. É importante que as pessoas tenham isto presente, não querem danificar os seus aparelhos telefónicos quando estiverem a registar esse momento. Mas acima de tudo, que não tenham a tentação de retirar o óculos. Primeiro, não tenham a tentação de olhar para a câmara e ser a câmara ou o telemóvel, portanto, olharmos para a ecrã do nosso telemóvel, funcionar como a barreira entre o eclipse e a nossa visão. Isso não deve acontecer. Os óculos realmente devem estar sempre presentes E, por isso, devem fazer isso e também evitar aquela tentação que as pessoas vão ter naturalmente, que é ou retirar os óculos para ver melhor, ou etc. Ou seja, nesse movimento é importante também ter essa proteção.

É importante ter isso. João Paulo Magalhães, uma última dúvida, muito rapidamente, para quem está nessa altura a conduzir ou a trabalhar ao ar livre, que cuidados deve ter?

Naturalmente, serão os mesmos que nós estamos aqui a falar. Agora, estamos a falar em circunstâncias mais difíceis. Do ponto de vista de quem está a trabalhar, à partida será um número menor de pessoas, porque estamos na fase final do dia, fora já do horário de trabalho laboral normal e, portanto, será um número diminuto de pessoas. As pessoas que estão a conduzir, realmente pode ser mais difícil. E aí devem ter essa cautela de, pronto, se puderem evitar conduzir, nomeadamente se estão de frente para o sol nesse momento, melhor, porque o perigo é o mesmo. Portanto, o risco é o mesmo, se uma pessoa que está a conduzir e não tem uns óculos de proteção, está exposto àquela radiação e, uma vez mais, haverá sempre a tentação de olhar quando o eclipse ocorre, porque deixa de haver aquele desconforto. Portanto, naturalmente, as pessoas que nesse momento, nesse período de tempo, estiverem a trabalhar ou conduzir, em primeiro lugar, se puderem evitá-lo ou modificar a forma de o fazer, que não os exponha diretamente, tanto melhor. Se não puderem fazer, tenham os óculos de proteção. Eu não quero sequer dizer a terceira opção, que é as pessoas trabalharem ou conduzirem na mesma expostas nessa circunstância, por todo o risco que acabei de enunciar. Portanto, se as pessoas cumprirem esta regra básica que são os óculos, não outros instrumentos que têm circulado nas redes sociais, como fitas de raio-X, etc. Nada mais funciona, portanto, queria deixar essa mensagem. Eu acho que será uma experiência muito interessante e espero que as pessoas gostem, que estejam entusiasmadas e que se divirtam, porque realmente é algo que não acontece todos os dias. Nós temos de ter estes cuidados.

Nem todos os séculos, como sabemos. João Paulo Magalhães.

Exato.

Obrigado por nos ajudar.

Muito obrigado.

Obrigada, bom dia.

A ver o eclipse em segurança. Bom dia, obrigado.

Penalty.

Não é nada penalty. Isso vai ao VAR.

Isto foi avançado.

Na Rádio Observador, as dúvidas não ficam no ar. Sempre que há jogo, o Pedro Henriques está cá, sem falta. Tenho que dar a nota negativa em função deste lance. Depois de cada relato, na Rádio Observador e sempre em podcast. Eu depois de ver as repetições, não consigo dizer que não há penalty. Isto é, há penalty. Este programa tem o apoio de Betclick.

São 9:32, a seguir Comissão de Inquérito, esta manhã com Miguel Coutinho, administrador e diretor-geral da Fundação EDP e do MAT. Já lá vamos. Primeiro atualizamos a informação. Carla Jorge de Carvalho. A Ordem dos Médicos defende que seja feita uma avaliação das resiliências de todos os hospitais do país perante sismos e outras catástrofes. O pedido é feito através de comunicado, no qual os médicos manifestam solidariedade para com as famílias e vítimas do sismo na Colômbia. O organismo sublinha a importância de se conhecer a capacidade nacional para manter serviços essenciais como urgências, cuidados intensivos e blocos operatórios em funcionamento durante a ocorrência de um sismo. Entretanto, há uma nova atualização do número de vítimas do sismo na Colômbia. Subiu para 250 o número de mortos. Os hospitais que não sofreram danos estão sobrecarregados a tentar dar resposta a todos os sobreviventes. Carlos Moedas alerta para os perigos da libertação do homem suspeito de ter estado envolvido no disparo que feriu uma turista na Baixa de Lisboa. O homem foi detido pela PSP, foi presente a um juiz para primeiro interrogatório, acabou por sair em liberdade. Ficou com a medida de coação de apresentação às autoridades duas vezes por semana. O presidente da Câmara de Lisboa fala numa decisão inaceitável, diz que foi libertado um criminoso. Considera que isto é um exemplo socialmente reprovável e um sinal de falta de autoridade para as forças de segurança. Voltamos ao eclipse de mais logo. Estamos a nove horas e 10 minutos. Portugal assiste ao primeiro eclipse total do sol desde 1912. A zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, vai ser o palco privilegiado para assistir ao fenômeno. A região espera uma grande afluência de visitantes, com hotéis lotados e restaurantes a notarem o aumento da procura e das reservas. Entretanto, continua também a corrida aos óculos. A Associação Nacional de Farmácias promete para esta manhã um reforço do stock.