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Explicador da tarde de política. Agora que o estado de calamidade já não está em vigor e que passam quase três semanas da primeira tempestade, fazemos um ponto de situação na Marinha Grande, desde logo, sobre a falta de energia elétrica, que ainda assola parte do concelho, a reconstrução e a isenção de portagens que agora terminou. Judite França, o nosso convidado é o presidente da Câmara da Marinha Grande.
Precisamente. Paulo Vicente, bem-vindo. Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Podemos começar já por este tema da isenção de portagens. O senhor tinha apelado ao governo no final da semana passada para prolongar a isenção. Não foi ouvido. O presidente da Comunidade Intermunicipal de Leiria dizia hoje que os autarcas da região ponderam suportar os custos da isenção de portagens. É o seu caso?
Muito boa tarde a todos. Muito obrigado por nos darem esta oportunidade, mais uma vez, de estarmos em comunicação com a população. Relativamente às portagens, efetivamente, a isenção enquanto durou, desanuviou bastante a Estrada Nacional 242. É uma medida, portanto, que terminou agora com o termo da calamidade, mas é uma medida com a qual nós não podemos concordar de modo nenhum, porque a reconstrução no concelho da Marinha Grande continua ou está no terreno e, portanto, o movimento de trânsito nessa Estrada 242 está bastante sobrecarregado. O governo entendeu dessa maneira, nós não concordamos. Relativamente à medida de serem os municípios a suportar a isenção das portagens, é uma situação a estudar, mas é um volume de despesa bastante elevado para fazermos face também à debilidade que as nossas finanças municipais vão entrar pelos prejuízos que temos e pelos investimentos que temos a fazer para colmatar os prejuízos que a intempérie nos deu.
Portanto, vai continuar a apelar ao governo, eventualmente ao Presidente da República, para haver aqui uma ajuda do Estado central?
A própria CIM já enviou um pedido ao senhor Presidente da República para, no seu magistério de influência, influenciar o governo para manter esta medida até que estejam mais ou menos desveladas estas circunstâncias.
Mas chegou a falar com alguém do governo sobre esta necessidade?
Inicialmente, falei com o senhor Ministro das Infraestruturas e falei com outros membros do governo, a sensibilizá-los nesta situação. Mas a calamidade e os transtornos da intempérie não acabaram ontem, não acabaram no dia 15 de fevereiro. Elas mantêm-se e bastante gravosas para os municípios atingidos, de modo que isso seria um sinal do próprio governo que está com os municípios afetados.
Mas seria aqui uma possibilidade decretar a situação de contingência? Daria margem aos municípios?
Estamos a falar na isenção de portagens enquanto durarem estes transtornos para voltarmos à normalidade. Efetivamente, não foi no dia 15 de fevereiro que as populações entraram na normalidade.
Então impunha-se continuar o estado de calamidade?
Sim, a calamidade, mas dêem-nos os reforços necessários para fazermos face a estas circunstâncias que temos.
Só com a calamidade, o estado de contingência não permitiria aqui ajudar.
Não, mas o que nós pretendemos é que haja um sinal do governo que efetivamente nos dê alguma tranquilidade para fazermos face aos transtornos que temos que resolver.
Mas enquanto esse sinal não chega, caso não chegue.
A responsabilidade é do governo, portanto, o governo é que levantou a suspensão da isenção de pagamento das portagens neste troço da A8.
Tendo a Marinha Grande uma zona industrial com tantos prejuízos, a falta de isenção de portagens pode atrasar a recuperação?
Eventualmente, sim, e eventualmente não, quase de certeza. Porque repare, as nossas empresas que têm produto acabado, precisam de o escoar. E aquela via de comunicação que nos liga a Leiria, bastante já congestionada. Repare, nós temos um movimento pendular diário, em circunstâncias normais, de 20 mil viaturas dia. Portanto, se a isenção das portagens tivesse efetivamente, como esteve até ontem, isto iria nos permitir trabalhar com mais segurança e as deslocações para a sede do distrito, para Leiria, seriam muito mais facilitadas e dava-nos muito mais tranquilidade para os trabalhos que andamos a desenvolver ao longo da malha urbana, onde se insere esta via de comunicação.
Nesta altura as empresas e famílias vão tentando recuperar. No que toca às empresas, já há uma avaliação mais concreta, nesta altura, dos prejuízos relacionados com a intempérie para os empresários que viram as fábricas destruídas na Marinha Grande?
Os empresários, com certeza, já fizeram essa avaliação e já transmitiram a quem de direito. O que está previsto na diversa legislação que foi publicada, que é acesso ao crédito. Quer dizer, acesso ao crédito é ainda endividar mais as nossas empresas, o nosso tecido económico. E repare, o Conselho da Marinha Grande contribui muito significativamente para a economia deste país.
Mas isso quer dizer que a linha de crédito que o governo anunciou de € 500 milhões, que passou para € 1 bilhão, não vem ajudar, neste caso?
Irá ajudar, mas seria necessário criar um fundo a fundo perdido para que as empresas possam recuperar.
E no caso das habitações?
No caso das habitações, já está em curso a candidatura através dos formulários disponibilizados pela CCDR, em que nós estamos a colaborar e a ajudar a população a preencher e a candidatar-se a esses fundos.
Tem noção se alguém já recebeu esse dinheiro?
Não, não tenho conhecimento se alguém aqui no Conselho já recebeu. Nós temos, desde sexta-feira da semana anterior, um posto com um local para ajudar a população no preenchimento e quero dizer que hoje já esgotamos todas as senhas e já estão 50 pessoas para amanhã para esse preenchimento. Tem havido uma afluência bastante significativa e é só verificar o território para vermos as habitações e os edifícios que foram afetados por esta intempérie.
E no que toca às populações ainda sem luz nesta altura, e já passaram 20 dias, quais é que são as zonas mais críticas?
As zonas mais críticas aqui na Marinha Grande será na freguesia da Marinha Grande, as populações situadas a norte da freguesia da Marinha Grande, nomeadamente Pilar de Escora e Garcia. Também haverá, na malha urbana, no centro da cidade, algumas habitações que ainda não têm energia elétrica, mas isso é provocado pela intempérie que derrubou cabos elétricos, e portanto, as pessoas não têm. Também a freguesia de Vieira Leiria já está a recuperar paulatinamente, mas não tem ainda a 100% a energia a todos os edifícios. Quero dizer que, de acordo com as estatísticas que nos são reportadas diariamente, nós temos ainda cerca de 2 mil consumidores que ainda não têm energia elétrica, muitos deles, desde o dia 28 de janeiro. Isso representa, por energizar, 9% da população.
Já agora, deixe-me perguntar-lhe se há escolas que ainda estão fechadas.
Neste momento, todas as escolas do Conselho da Marinha Grande reúnem as condições mínimas para a abertura, para a retoma das atividades letivas. Evidentemente que há a interrupção da atividade letiva por efeitos do Carnaval, mas na próxima quarta-feira estão todos os estabelecimentos de ensino do Conselho aptos para receber e para retomar a atividade das nossas crianças e dos nossos jovens.
Numa frase, se tivesse de classificar o estado anímico da população na Marinha Grande nesta altura, que frase é que utilizaria?
As pessoas estão resilientes, estão a encarar isto com muitas dificuldades. Muitas das pessoas já revelam, psiquicamente, sinais de debilidade, mas os marinhenses são resilientes e a história e a génese dos marinhenses revelam que somos resilientes e vamos ficar melhores.
Fica essa nota também de esperança. Muito obrigada, Paulo Vicente, presidente da Câmara da Marinha Grande.
Obrigado nós.
O convidado do Espica leira. Obrigada.