Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está no ar o "Fact Check das Manhãs 360", com o jornalista João Gama. Faz o pleno esta semana. Não faz.

Não, fiz segunda-feira.

Não fizeste segunda-feira. Pronto, então retiro o que disse. Está no ar o "Fact Check das Manhãs 360", com o jornalista João Gama. Bom dia, João.

Bom dia.

João, hoje vamos falar do julgamento que opôs Johnny Depp e Amber Heard. Foi um caso que rapidamente dominou toda a atualidade e que chegou também ao Brasil.

E mais precisamente ao palácio presidencial de Jair Bolsonaro. Isto porque está a circular nas redes sociais o que aparenta ser uma entrevista de Johnny Depp ao jornal norte-americano "New York Times". Nesta suposta entrevista, o ator acaba a defender a reeleição do atual presidente do Brasil, que vai a votos nos próximos meses.

João, desculpa, já me perdi. Não íamos falar do julgamento de Johnny Depp contra Amber Heard?

Esta publicação mostra Johnny Depp a comparar a vitória nesse mesmo julgamento à vitória de Jair Bolsonaro em 2018, quando foi eleito presidente do Brasil.

Faz muito sentido.

E assim fica tudo mais credível, é verdade. A publicação mostra uma fotografia do ator norte-americano na sala do tribunal e na citação pode ler-se: "Esta vitória não é só minha, mas é uma vitória da verdade sobre a mentira, assim como foi a vitória de Jair Bolsonaro no Brasil em 2018". Mas como se não chegasse, não se fica por aqui, de acordo com o resto da publicação. Johnny Depp terá dito ao "New York Times" que espera que os brasileiros entendam o valor da liberdade e da verdade e voltem a eleger Bolsonaro em 2022 para que a liberdade nunca seja suprimida pela mentira. Ora bem, João, para além da citação não ser assim muito convincente.

Não me convenceu.

Para dizer o mínimo. Não se consegue perceber como é que uma entrevista de Johnny Depp ao "New York Times" acabaria nesses elogios a Jair Bolsonaro.

E não convence porque a citação não é verdadeira. Ao pesquisar simples palavras como Johnny Depp, vitória, Bolsonaro no "New York Times", não surgem quaisquer resultados e também nas redes sociais do jornal norte-americano não há qualquer tipo de registo destas declarações. Agora, o que é verdade é que Jair Bolsonaro acabou por celebrar a vitória de Johnny Depp no julgamento contra Amber Heard. Até porque Amber Heard e Bolsonaro têm história de não serem os maiores fãs um do outro.

Não gostam muito. Logo após o final da leitura da sentença, Bolsonaro correu ao Twitter para, em inglês, citar um salmo bíblico sobre o valor da verdade e para escrever: "Abraços do capitão Bolsonaro". Bolsonaro escreveu e as redes sociais fizeram o resto e este tweet foi logo apontado como se estivesse a mencionar um outro capitão também muito conhecido.

"Son, I'm Captain Jack Sparrow. Savvy?"

O abraço do capitão Jair Bolsonaro para o capitão Jack Sparrow, certamente. Também no final do julgamento, Bolsonaro continuou no Twitter para ir responder a um tweet de 2018 de Amber Heard, de forma irônica, quando a atriz se mostrou contra a eleição do atual presidente do Brasil.

Mas não é preciso viajarmos até ao Brasil com o capitão Bolsonaro para descobrirmos a cor deste carimbo.

Nem olhar por onde aqueles monóculos ou onde aquelas-

Sim, dos piratas.

Exatamente. Portanto, o carimbo é vermelho, é uma informação falsa. Johnny Depp não defendeu a reeleição de Jair Bolsonaro numa entrevista ao "New York Times". As publicações que estão a circular nas redes sociais dão a entender que o suposto apoio surgiu depois da leitura do veredito no julgamento de Johnny Depp e Amber Heard, mas não há qualquer registo desta entrevista, quer no site do jornal norte-americano e também não há nenhuma menção de Bolsonaro durante ou no final deste mesmo julgamento.

Portanto, carimbo vermelho no Fact Check da Rádio Observador com o jornalista João Gama. Segunda-feira há mais notícias para analisar. Até lá, pode colocar as edições anteriores em dia através de podcast.