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Sejam bem-vindos ao "Fio Condutor", que está de volta para mais um episódio. E não pode parar, porque se há coisa pela qual a internet se pauta é por gerar um fluxo permanente de histórias que têm de ser contadas. O meu nome é Vicente Figueira, sou eu quem o leva nesta viagem e esta semana regressamos à estrutura normal, depois de um último episódio em que não houve momento unânime. Estão de volta as três linhas do "Fio Condutor". Começamos, como sempre, pela minha aldeia, que esta semana vamos olhar para o pequeno comércio do País de Gales, porque de lá nos chega aquele que promete ser um dos mais emblemáticos anúncios para este Natal e que prova que nem sempre as limitações orçamentais limitam uma ideia simples e boa. Depois chega a contenda, que nos dá conta da discussão que mais água fez correr por essa internet fora e, por último, e de regresso à normalidade, o momento unânime, porque no meio do turbilhão das redes há sempre espaço para consensos. E como sempre, a cada história uma música. Antes de seguir consigo até à minha aldeia, é inevitável, a semana na internet em Portugal foi invadida por Greta Thunberg. A ativista sueca pelo clima chegou a Lisboa na quarta, depois de uma viagem de 21 dias num catamarã desde os Estados Unidos e entre quarta e sexta a internet fez-se disto. Entretanto, Greta seguiu de comboio para Madrid para a Cimeira do Clima e eu, por mim, também tinha ido, que gosto muito de Madrid, de Espanha em geral, e por isso mesmo abre-se aqui o espaço para o flamenco no "Observador". É a voz inconfundível de José Mercé com este "Ya La Amanece". E deixamos os sons de Espanha para irmos até ao País de Gales, até Rhydderch, uma pequena cidade com cerca de 200 mil habitantes que, como muitas outras cidades deste tamanho, abunda em pequeno comércio. E quem diz que as lojas locais não podem fazer grandes campanhas de Natal engana-se, porque nesta cidade de Rhydderch, no País de Gales, uma loja de bricolage chamada Hafod Hardware postou o seu anúncio de Natal no Facebook e imediatamente se tornou um sucesso. O anúncio deste negócio familiar está agora a ser posto em concorrência com produções milionárias, como por exemplo o anúncio de Natal da John Lewis, uma cadeia de grandes lojas de armazém inglesa. Mas a diferença entre os dois anúncios é significativa. O vídeo de Natal da John Lewis custou qualquer coisa como oito milhões de euros, ao passo que o anúncio de Natal da Hafod Hardware custou qualquer coisa como 100 euros. Mesmo com este orçamento, o anúncio já conta com mais de 1 milhão de visualizações no YouTube. Esta pequena loja do País de Gales está aberta desde 1895, é um negócio familiar e o seu anúncio de Natal, que conta com menos de dois minutos de duração, mostra-nos um dia na vida do pequeno Arthur, que começa por sair da cama para se dirigir à loja, onde faz de tudo um pouco, desde varrer o chão a embrulhar presentes e até mesmo dar troco aos clientes. Isto sempre de avental posto e com ar comprometido com o trabalho. Todo o dia do pequeno Arthur neste anúncio acontece ao som de um cover da conhecida "Forever Young" dos Alphaville, interpretado neste anúncio pela cantora norte-americana Andrea von Kampen e cuja gravação custou em estúdio £100, que é o valor total do anúncio. E nesta produção, que demorou apenas um dia a ser gravada e que já foi aclamada pela internet como o melhor anúncio de Natal deste ano, estão representadas várias gerações da família Jones, o pequeno Arthur, o seu pai, Tom, que é o atual dono da loja, e também o avô. E assim, esta pequena loja, a Hafod Hardware, situada numa pequena cidade no País de Gales, nos fez chegar uma das maiores produções deste Natal. É um vídeo que pode ver no YouTube e no Facebook. E se este anúncio se faz ao som de "Forever Young", é exatamente isso que vai ouvir agora, o tema dos Alphaville interpretado por Andrea von Kampen, precisamente a cantora que gravou o tema para este anúncio. O Contorno volta já daqui a pouco para lhe dar conta da contenda da semana. Fique por aqui. E a contenda desta semana aconteceu, na verdade, na semana passada, mas continua a gerar debate na internet. E se pensarmos bem, não é bem uma contenda em si, é uma espécie de subcontenda dentro de uma disputa maior, porque já na próxima quinta-feira, dia 12 de dezembro, os britânicos vão a eleições e é nestas eleições que se vai jogar, com toda a certeza, o futuro do Brexit, uma luta que se mantém já desde 2016. Dentro deste confronto eleitoral, aconteceu um debate no canal inglês Channel 4, que pretendia reunir os líderes de todos os partidos numa discussão sobre as alterações climáticas. Acontece que tanto Nigel Farage, líder do Partido do Brexit, como Boris Johnson, líder dos conservadores e atual primeiro-ministro britânico, não aceitaram comparecer neste debate. Como reação à rejeição do convite por parte de Farage e Johnson, o Channel 4 anunciou no Twitter minutos antes do debate que o lugar destes dois líderes iria ser ocupado por duas estátuas de gelo que serviriam, segundo o canal, para representar a emergência climática do planeta Terra, e as estátuas lá ficaram a derreter durante o debate. Para representar os conservadores, Boris Johnson tinha enviado o ministro Michael Glove, mas este foi afastado do estúdio porque o diretor do Channel 4 alegou que este era um debate entre os líderes dos partidos e por isso não aceitou a participação do ministro. E depois desta ação do Canal 4, à recusa do convite por parte de Boris Johnson, o primeiro-ministro britânico ficou bastante incomodado. O Partido Conservador reagiu e resolveu queixar-se do canal junto da entidade reguladora da comunicação social no Reino Unido, a Ofcom, acusando o Channel 4 de violar o código deontológico do jornalismo e de privar os conservadores de se poderem fazer representar no debate. O partido considerou também a substituição de Boris Johnson por uma escultura de gelo como um golpe provocativo, não isento e partidário. A Ofcom acabou por rejeitar esta queixa, alegando que o canal assumiu que as estátuas não serviam para representar pessoalmente Boris Johnson e Nigel Farage e que, para além disso, nenhum foco editorial foi dado às estátuas durante o debate. A verdade é que a discussão em torno desta contenda entre conservadores e o Channel 4 passou para as redes sociais. Uns acusam o canal de estar a tomar posição, outros acusam Boris Johnson de ser antidemocrático por rejeitar a ida a debates. E só vamos saber se tudo isto tem influência real na próxima quinta-feira, dia 12 de dezembro, porque é esse o dia em que o Reino Unido vai a eleições. E se é do Reino Unido que falamos, ficamos com Elado Negro, com "País Nublado", porque o contador volta já daqui a pouco para o Momento Unânime. E chegamos ao Momento Unânime desta semana. Isto porque, apesar de tudo, nem só de discussões se faz a internet. No mundo online também há espaço para o que há de melhor nesta espécie complicada a que chamamos Homo sapiens. Esta semana, a história de um italiano chamado Luca Trapanese, um pai solteiro, foi consensual no mundo online e é uma daquelas histórias dignas de filme. Aos 41 anos, este italiano decidiu que queria adotar uma criança, mas em Itália, ser solteiro dificulta bastante o processo de adoção. A Luca foi-lhe dito que só lhe atribuiriam um filho adotivo, se aceitasse receber uma criança com uma doença, com incapacidades ou com graves problemas de comportamento. Mas nada disto fez o italiano desistir. Mesmo assim, ciente de algumas dificuldades que se adivinhavam, Luca decidiu avançar. E assim sendo, em julho de 2017, chegou aos braços de Luca uma menina chamada Alba, que tem trissomia 21 e que foi abandonada pela mãe biológica e rejeitada por mais de 20 famílias de acolhimento. Luca diz que desde o momento em que teve Alba nos braços, que a sentiu como sua filha, confessa-se orgulhoso por ser pai desta criança e os dois vivem em estado de alegria. Este pai solteiro e a sua filha adotiva têm uma página no Instagram, que conta já com mais de 175 mil seguidores, onde partilham os momentos mais divertidos do dia a dia e das peripécias de pai e filha. Se esta história vale só por si, o passado de Luca Trapanese também torna esta história um pouco mais peculiar, porque o italiano esteve num seminário com o objetivo de se tornar padre, mas acabou por abandonar a vocação por se ter apaixonado por um homem com quem viveu 11 anos depois de abandonar a vida no seminário. Com esta pessoa criou uma associação de caridade que ajudava pessoas com deficiências A relação terminou e Luca Trapanesi quis começar uma família e agora este pai solteiro vive feliz com a sua filha Alba, uma menina que tem trissomia 21. É caso para dizer: que história! Já Linda Linda lhe diz: "What a Man", é o tema que melhor descreve este italiano e com o qual o deixo por esta semana. O Fio Contorno regressa no próximo sábado com mais do que a internet tem para nos contar. E se chegou até aqui, quer dizer que ouviu até o fim. Muito obrigado. O meu nome é Vicente Figueira e este é um podcast da Rádio Observador, uma rádio que pode ouvir online e também em 98.7 Lisboa e 98.4 no Grande Porto.