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Seja muito bem-vindo. Mais uma semana, a internet a fervilhar como sempre e, por isso mesmo, está de regresso o "Fio Condutor". Eu sou o Vicente Figueira e estou por aqui mais uma vez para o levar ao longo das três linhas das quais se faz este fio. Começamos, como sempre, pela minha aldeia. Esta semana é Buckingham, não sei se conhece, mas por lá está a haver uma pequena crise familiar. Seguimos depois até à contenda, que é um apanhado de críticas ao autoproclamado estado do Facebook. Isto numa semana em que a rede social anunciou que não vai proibir os anúncios políticos. E fechamos com nota de harmonia para um pai que faz 24 quilómetros todos os dias para que as filhas possam ir à escola. Numa semana em que a internet foi ao rubro com uma imagem de Cristiano Ronaldo, em que este exibia um antiquado iPod Shuffle, deixo-o com a música que mais ouvia quando tinha este aparelho. É "American Boy", Estelle com Kanye West. O "Fio Condutor" volta logo depois com a minha aldeia. Esta semana, na minha aldeia, vamos até Buckingham, em Londres, um palácio que tem uma espécie de vida à parte do resto da cidade. Os seus inquilinos são nada mais, nada menos do que a família real inglesa, que esta semana, depois de um post no Instagram, está a viver uma crise que gera os sempre muito comuns burburinhos de aldeia. Isto porque o príncipe Harry e Meghan Markle anunciaram no Instagram que vão renunciar aos títulos reais. Os duques de Sussex vão deixar de ser membros sénior da família real britânica. O casal alega que quer ser financeiramente independente. Isso é mesmo o que o casal quer. Decidiu que não quer fazer parte da geração canguru. A notícia abalou a rainha e todos os habitantes de Buckingham. A imprensa internacional fala em escândalo. A internet não demorou a apelidar o fenómeno de Megxit. Fala-se agora que Harry e Meghan podem mudar-se para a América do Norte e são também já vários os memes a simular uma possível vida do casal sem as regalias da realeza. Um deles apresenta um Harry barrigudo sentado num sofá com Meghan em roupão e de rolo no cabelo. A internet é assim, não perdoa com a imaginação. É do abandono de títulos de realeza que falamos, neste caso do Megxit, de Meghan Markle e do príncipe Harry, que é uma perda para a corte inglesa. Ficamos, por isso, com os britânicos Coldplay, com aquilo que vai ser a vida do casal. Esta chama-se "Everyday Life". O "Fio Condutor" segue já daqui a pouco para a contenda da semana. E a contenda desta semana é a recuperação de algumas críticas que tiveram bastante impacto online, sobretudo no YouTube. São críticas feitas ao Facebook, algumas ainda no ano passado, e trago-as aqui porque esta semana a rede social mais utilizada do planeta anunciou que não vai proibir os anúncios políticos, nem alterar as regras que permitem aos políticos e partidos publicar anúncios na rede social. Esta é uma decisão que surge depois de o Facebook ter sido alvo de bastantes críticas por se recusar a fazer verificação dos factos. Mark Zuckerberg disse, inclusive, numa palestra universitária que não devem ser as grandes tecnológicas a determinar o que é ou não a verdade. E das muitas críticas feitas ao CEO do Facebook, há duas que se sobressaem. Uma é da congressista norte-americana Alexandra Ocasio-Cortez, que é bastante crítica para com a empresa, interrogou Mark Zuckerberg quando este foi chamado a testemunhar no Congresso e foi bastante hostil. A congressista diz que o Facebook não tem noção do que se está a passar.
O Facebook não consegue perceber a situação. Quando o CEO da empresa não sabe dar as respostas imediatas às perguntas fundamentais sobre a manutenção da integridade das nossas eleições em 2020, estamos com grandes problemas. A curto prazo, aquilo que eu recomendo é dizerem aos vossos pais para não formarem opiniões através do Facebook. E francamente, o Facebook está a optar por ser ativamente irresponsável.
Para Alexandra Ocasio-Cortez, a empresa deveria ser a primeira a tentar impedir a propagação de informação falsa. Quem também não está de bem com o Facebook é Sacha Baron Cohen, o comediante britânico conhecido por ser Borat. Deixou duras críticas ao argumento da liberdade de expressão, muitas vezes usado por Mark Zuckerberg, como forma de justificar a não proibição de anúncios políticos no Facebook.
O Mark Zuckerberg tentou retratar esta questão como um problema de escolhas relacionadas com a liberdade de expressão. Isto é ridículo. Isto não tem a ver com a limitação da liberdade de expressão de ninguém. Isto tem a ver com dar às pessoas, incluindo algumas das pessoas mais repreensíveis à face da Terra, a maior plataforma da história para alcançar um terço do planeta. A liberdade de expressão não é a liberdade de alcance.
E a verdade é que mesmo apesar das críticas e da sua disseminação no espaço online, o Facebook decidiu não remover os anúncios. Isso irá gerar, com certeza, mais uma onda de críticas por toda a internet. Os anúncios políticos vão continuar a andar pelo Facebook, espalhados por todo lado e por isso mesmo ficamos com os Parcels, esta é All Around. Volto já daqui a pouco com o Momento Unânime. E esta semana o Momento Unânime vai ao Twitter. E que novidade! Deve ser provavelmente a primeira vez que esta rede social nos traz uma história que não envolve uma discussão sangrenta. O Twitter cabe no Momento Unânime e quiçá de consenso, porque esta semana um post de uma ONG sueca a trabalhar no Afeganistão publicou uma fotografia com um homem a quem a internet e o primeiro-ministro afegão chamaram de herói. E por quê? Porque o homem fotografado é Mia Khan, que vive na província afegã de Paktika, que todos os dias faz 24 quilômetros para que as filhas tenham uma educação escolar. Por motivos de segurança, as crianças de oito, 10 e 12 anos não podem fazer o percurso sozinhas e têm de ser acompanhadas até à escola. O homem leva as três na sua pequena motorizada, espera que as aulas terminem e regressa com elas a casa para se certificar que nada lhes acontece. Ora, esta rotina diária de Mia Khan gerou uma onda de admiração pela internet. Mia Khan diz que estudar é um direito das suas filhas e que faz todos os dias o percurso e a espera para que elas possam ter melhores condições de vida do que ele e a mulher tiveram. Esta história ganha muita relevância num país em que 75% das mulheres são analfabetas. Está agora em curso uma iniciativa para construir uma escola no local da residência deste pai herói, que vai ter precisamente o nome de Mia Khan. E é com esta história que nos remete para a importância e também o privilégio de ter acesso à escolaridade, que fechamos este fio condutor com o Supertramp. Este tema é "School", o Fio Condutor está de volta para a semana com mais da internet. E chegou até aqui, quer dizer que ouviu até ao fim. Muito obrigado. O meu nome é Vicente Figueira e este é um podcast da Rádio Observador, uma rádio que pode ouvir online e também em 98.7 Lisboa e 98.4 no Grande Porto.