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Seja mais uma vez muito bem-vindo ao Fio Condutor, o primeiro de 2020, com as habituais balbúrdias e listas de Ano Novo. Por questões urgentes de organização, o Fio Condutor está de regresso ao seu formato habitual e o que não mudou até hoje é a voz do apresentador. Eu sou o Vicente Figueira e trago-lhe as habituais três linhas das quais se faz esta rota. Em sede de Fio Condutor, a semana na internet divide-se em três momentos. São eles: a minha aldeia, que esta semana é um destino nacional, a vila de Penedono, em Viseu. Seguimos depois para a contenda, que se deu em Lisboa, com os moradores da cidade de um barco fundeado no Mar da Palha e que se manifestou na internet sob a forma de posts contestatários. E fechamos, como sempre, no estreito mar do consenso, que ainda assim é possível vislumbrar pelo mundo online. Esta semana, o momento unânime fala-nos de uma gorjeta, uma gorjeta daquelas. E se a internet é em muitas coisas comparável com um grande bazar de chinésices, este primeiro Fio Condutor de 2020 deixa-o ao som de Sales, que nos traz em Chinese New Year. Deixe-se ficar, o Fio Condutor volta já daqui a pouco. Está na hora de seguir consigo até à minha aldeia. Esta semana não extravasamos as fronteiras nacionais. Vamos até Penedono, uma vila no distrito de Viseu, cujo património municipal esteve à venda na internet esta semana, isto ainda antes de a Polícia Judiciária o ter apreendido. Em causa estava um livro de atas de reuniões municipais da Câmara de Penedono, datadas entre os anos de 1657 e 1662. Este livro manuscrito, onde se encontravam coisas como os registros dos cativos, das armas e também do gado, por exemplo, estava na posse de um alfarrabista em Torre de Moncorvo, que o colocou à venda na internet por 1.500 €. A Polícia Judiciária, mais concretamente a Brigada de Obras de Arte da PJ do Porto, apreendeu este livro ao alfarrabista depois de uma queixa da própria Câmara Municipal de Penedono. Corre neste momento um inquérito que procura determinar como é que este documento oficial acabou à venda na internet. Já aqui vemos que o documento data do século XVII. O seu valor historiográfico é significativo. É um documento sobre a vida em Penedono, cerca de 240 páginas manuscritas nos anos consequentes à restauração da independência de 1640. Falamos, portanto, de um livro cheio de história e por isso mesmo ficamos com Book of History, de Meditators, no Fio Condutor. Eu volto já daqui a pouco consigo para a contenda da semana. Estou de regresso com o fio condutor e esta semana a grande contenda da qual nos fala a internet é daquelas que tiram o sono, pelo menos a uma boa parte dos envolvidos. Foram várias as pessoas esta semana que passou a queixar-se de uma buzina que se ouvia por toda a cidade de Lisboa ao longo da madrugada. O som era mais ou menos este: . E a verdade é que durante algumas noites este som foi um grande mistério para a maioria dos lisboetas e creio que foi a raiva exposta nas redes sociais contra este barulho, catalisada por algumas noites sem dormir, que fez com que o responsável por noites em branco fosse um caso mediático. A verdade é que este som chegava do Tejo, mais concretamente da zona do Mar da Palha, onde a 28 de dezembro fundeou um navio cargueiro, o Western Miami. Não é com toda a certeza a primeira vez que um navio fica fundeado em pleno estuário do Tejo, mas graças ao porto da embarcação e ao nevoeiro que se fez sentir nestes dias, por segurança, o Western Miami viu-se obrigado a dar conta da sua presença através de repetidas buzinadelas. A verdade é que uma boa parte dos lisboetas não achou grande graça ao barulho noturno e manifestou isso mesmo nas redes sociais. E se de um grande navio encalhado que falamos, que suscitou alguma arrelia a alguns moradores da capital, por que não inverter as coisas através da música e ouvir o tema genérico do Barco do Amor? É com isso mesmo que o deixo, é a versão de Jack Jones, a famosíssima "Love Boat". Entre no espírito, porque logo a seguir chega o momento unânime. E chegamos ao último momento do fio condutor. O momento que se quer sempre de paz e harmonia. É o momento unânime onde lhe dou conta da notícia ou do acontecimento que não fez mais nada na internet que não tenha sido gerar consenso. Esta semana trago-lhe a história de uma gorjeta solidária. Uma empregada de um restaurante em Alpena, nos Estados Unidos, ao levantar uma mesa de um casal que tinha acabado de pagar uma conta de €20, foi surpreendida com uma gorjeta 90 vezes superior ao valor da refeição. Falamos, portanto, de uma gorjeta de €1.800. Pode parecer engano, pode parecer até que este casal não tem grande amor ao dinheiro, mas trata-se, na verdade, de um ato de solidariedade. O casal anônimo que deixou este presente à empregada deixou escrito no comprovativo uma mensagem de feliz Ano Novo. E o ato não foi um ato de filantropia aleatório, porque a empregada brindada com este gesto é Danielle Franzoni, mudou-se há pouco tempo para Alpena, onde fica o restaurante, depois de ter vivido na rua. Esta mulher foi sem abrigo e recuperou depois de ter passado por um duro processo de reabilitação. Para esta mulher, 2020 começou da melhor maneira e é da internet que nos chega esta bonita história de bondade anônima. E por isso mesmo, reforçamos este primeiro fio condutor, o primeiro do ano, com Luís Severo, com o tema Cara de Anjo. Estou de volta para a semana, isto porque, em princípio, a internet não para. E chegou até aqui, quer dizer que ouviu até o fim. Muito obrigado. O meu nome é Vicente Figueira e este é um podcast da Rádio Observador, uma rádio que pode ouvir online e também em 98.7 Lisboa e 98.4 no Grande Porto.