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Mais uma semana, mais um Fio Condutor. A internet, como tem sido a chuva esta semana, imparável e por isso mesmo cá estou eu de novo para lhe contar o que nos contou a internet. Eu sou o Vicente Figueira, sou sempre uma espécie de comissário de bordo desta audioviagem pelos enredos do mundo online. E começamos, como sempre, pela minha aldeia. Esta semana passamos pelo México, onde encontramos alguém cujo um certo tipo de apetite resultou na autoadministração de um estimulante concebido para criaturas de outro porte. Seguimos depois até aquela que foi a contenda da semana. É uma segunda vaga daquele que foi o grande cisma do mundo online, tem a ver com pizza e também fruta. E apesar de ser também rica em vitamina C, não é o ananás a fruta de que vamos falar. E para culminar, no sempre muito barafustante mundo da internet, há sempre espaço para coisas simpáticas. Esta semana o momento unânime fala de uma ovação que foi dirigida a uma pessoa especial, num momento mais especial ainda. Fique por aí para saber mais. Para além de tudo isto, a semana está a ser marcada pela convocatória de uma greve geral da função pública já para o próximo dia 31 de janeiro e por isso deixo com a música que vou ter na minha playlist quando estiver à espera do autocarro neste dia. É: "Nem vem que não tem" de Wilson Simonal. Fico por aqui. Logo a seguir o Fio Condutor vai consigo até ao México.
Nem vem que não tem. Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa. Esquenta o ferro, passa minha roupa. Eu nesse embalo vou botar pra quebrar. Sacudir, sacudar. Sacudindo dindondar. Nem vem que não tem. Nem vem de escada que o incêndio é no porão. Tira o tamanco, tem cinteco no chão. Eu nesse embalo vou botar pra quebrar. Sacudir, sacudar. Sacudindo dindondar. Nem vem numa casa de caboclo. Já disseram um é pouco, dois é bom, três é demais. Nem vem, guarda teu lugar na fila. Todo homem que vacila, a mulher passa pra trás. Nem vem que não tem. Pra virar cinza minha brasa demora. Encheu meu papo, nós já vamos embora. Eu nesse embalo vou botar pra quebrar. Sacudir, sacudar. Sacudindo dindondar. Nem vem numa casa de caboclo. Já disseram um é pouco, dois é bom, três é demais. Nem vem, guarda teu lugar na fila. Todo homem que vacila, a mulher passa pra trás. Nem vem que não tem.
E esta semana a minha aldeia está situada no México, é a cidade de Reynosa, que faz fronteira com os Estados Unidos. Isto porque por lá, no Hospital Regional 270, esteve internado um homem cujo apetite sexual pode ser muitíssimo bem resumido por este sketch do Gato Fedorento. Como é que se define sexualmente na cama? Sou um touro. Sou um lobo. Sou um cão. Sou um rato. Este homem começou por querer ser um touro e por isso mesmo dirigiu-se à cidade mexicana de Vera Cruz, onde comprou um estimulante sexual que serve para animais com um porte um bocadinho superior ao dos humanos. Este homem comprou e autoadministrou uma dose de estimulante sexual para touros. O senhor em causa, de idade um pouco mais avançada, planeava ter relações com uma mulher um pouco mais nova e por isso mesmo terá pensado que precisava de uma motivação extra, mas o estimulante acabou por ser tão eficaz que não serviu para o propósito. Este homem teve de ser internado de urgência por ter tido uma ereção que durava havia já três dias e depois do internamento viu-se obrigado a passar por uma operação cirúrgica. E até aqui não tivemos mais notícias do estado do senhor. E depois da história deste homem que se quis centauro dos lençóis, ficamos com os Gipsy Kings. Esta é "El Toro y la Luna", que nos conta a história de um touro que está apaixonado pela lua. Esperemos que esta paixão não o induza a fazer como o homem desta história. Esperemos que não abuse do estimulante. O Fio Condutor volta já daqui a pouco para a contenda da semana.
Quando llega la alegre mañana. Y la luna se escapa del río. Y el torito se mete en el agua. Invitiéndole al ver que se ha ido. Y ese toro enamorado de la luna. Y abandona por la noche la manada. Y es pintado de amapola y aceituna. Y le puso campanero el mayoral. Los romeros de los montes le besan la frente. Las estrellas y lucero lo bañan de plata. Y el torito, que bravío, y de casta valiente. Abanicos de colores parecen sus patas.
Está de regresso o fio condutor para olhar para aquilo que esta semana gerou conflito na Internet. E uma das grandes polarizações que marca o debate online é a questão aparentemente inocente do ananás na pizza. Depois desta questão ter sido levantada, podemos mesmo dizer que presenciámos aquilo a que a historiografia há de chamar um dia o grande cisma da Internet, que dividiu os cibernautas entre pessoas que querem fruta na pizza e as que dizem que a fruta na pizza é pseudocozinha de fusão, defendendo assim que há um momento para a pizza e outro, por norma posterior, para a fruta. E a verdade é que anda por aí a circular uma imagem de uma pizza que voltou a acender a velha discussão. Se uma pizza com quadradinhos de ananás já era para muitos um ultraje, esta semana uma pizza com rodelas de kiwi publicada nas redes sociais trouxe de volta os fantasmas do passado. A responsável por este derrame de frutose foi uma pizzaria dinamarquesa que vende como especialidade da casa uma pizza com rodelas de kiwi. A barricada de apoiantes do ananás na pizza apressou-se em aclamar esta ideia. Muitos foram os posts que revelaram ânsia de provar a iguaria. Por outro lado, aqueles que sempre se opuseram a ver qualquer espécie de fruta nas suas pizzas bradaram que isto é uma ultrapassagem de todos os limites. Falaram desta pizza com kiwi como sendo uma abominação. Bem sabemos que as questão culas alimentares têm o poder de inflamar a discussão na Internet, mas se é de pizza que falamos, quem quiser que tire as rodelas de kiwi, não há de ser muito difícil. O que interessa é partilhar umas fatias e por isso mesmo ficamos com o Glass Animals. Esta é a "Take a Slice". Logo a seguir olho consigo para o momento unânime. E está na hora de irmos ao momento que esta semana marcou o mundo online, por causa das concordâncias que gerou. Terminamos, como sempre, com o momento unânime. Esta semana falamos de um grupo de alunos norte-americanos que se juntou num corredor. Até aqui não falamos de nada aparentemente muito disruptivo, mas este grupo de alunos juntou-se no corredor por um nobre propósito: foi para ovacionar uma pessoa especial que passou este mesmo corredor enquanto era ovacionada de pé. Os alunos desta escola do Ohio organizaram-se para dar as boas-vindas ao pequeno John Oliver Zippe, um rapaz de apenas seis anos que trava uma longa luta contra uma leucemia que lhe foi diagnosticada aos três anos de idade. Era no passado dia 27 de dezembro. O pequeno John ultrapassou a sua última sessão de quimioterapia e pôde assim regressar à escola que frequenta. O vídeo desta receção, que se espalhou por toda a internet, mostra os colegas a alinharem-se à entrada das salas, onde depois fizeram uma espécie de corredor de boas-vindas e onde dedicaram a John uma ovação em pé. O momento emociona e foi por isso mesmo que a internet o fez chegar a todo o mundo. E que caminhada é esta a do pequeno John Oliver Zippe. E é por isso mesmo que fechamos este fio condutor, o fio condutor desta semana com os Dire Straits. Esta é a Walk of Life. Eu estou de volta para a semana com mais do que a internet teve para nos contar. E chegou até aqui, quer dizer que ouviu até o fim. Muito obrigado. O meu nome é Vicente Figueira e este é um podcast da Rádio Observador, uma rádio que pode ouvir online e também em 98.7 Lisboa e 98.4 no Grande Porto.