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Este programa tem o apoio de Renault ecoplan.
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O Futuro em Directo.
Nos próximos cinco minutos, o futuro está em direto na Rádio Observador, com o apoio da Renault. Vamos estabelecer ligação com o nosso enviado especial ao futuro, mais precisamente a 2050, o ano em que Portugal deverá atingir a neutralidade carbónica. Chamo, por isso, Luís Reinaldo à emissão. Estás por aí, repórter do futuro?
Olá, 2020, estou por aqui, meu caro, pronto a trazer-vos novidades frescas sobre o que podem esperar em 30 anos. Vai passar depressa, prometo.
Luís, antes de mais, deixa-me dizer-te que estas nossas conversas têm me inspirado e nos últimos tempos tenho visto imensos filmes e séries de ficção científica. É com cada guião mais descabido.
Olha, João, não sei que filmes é que andas a ver, mas, na verdade, a arte tem sido um ótimo instrumento para antever o futuro. Não preciso de te dar o exemplo de Júlio Verne e da sua viagem à Lua ou da série "Black Mirror" e da aplicação para avaliação de pessoas.
Queres com isso dizer que em 2050 essas aplicações vão usar-se em todo o mundo?
Sem te querer alarmar, digo-te só que há países onde quem tem mais de 97% de aprovação pela comunidade local, tem direito a descontos no supermercado, mas guardemos isso para outro programa. Hoje trago um tema mais levezinho.
Dietas?
Esse humor antiquado ainda me faz rir, confesso. Não, meu caro, hoje gostava de falar da importância da arte em 2050.
Bom, pelo teu tom diria que em 2050 a arte é valorizada. Tenho razão?
Tens e não tens. Se por um lado, nem todos têm consciência do valor da arte em 2050, por outro, reconhece-se mais do que nunca a sua importância para tornar as sociedades mais plurais. A literatura, o cinema, a música continuam a ser formas de dar voz à experiência do outro.
Quer isso dizer que graças à arte, em 2050, não há discriminação racial ou de género?
Infelizmente, não vamos tão longe, João. Também nós, em 2050, ainda estamos à espera desse dia. Mas hoje, a presença de artistas de diversas etnias e mulheres em coleções de arte, exposições, prêmios literários e equipas técnicas é a regra.
É uma nota de esperança para 2020. Não posso deixar de te perguntar, depois da onda de lives e streaming a que assistimos nos últimos tempos, se esse é o futuro. Vamos passar a ir ao teatro dentro de casa?
Bom, por esta altura já deves estar familiarizado com o tédio que significa passar muito tempo em casa. Não podemos esquecer que em mais de 2000 anos o teatro não mudou significativamente. Continua a ser um palco, atores e também o público. Em 2050, praticamente todas as companhias têm streamings diários das suas peças e tal como se fosses ao teatro, tens de pagar bilhete. Mas isto é útil, sobretudo se quiseres ver uma peça na Broadway e estiveres no Porto.
E em relação ao cinema, existem mudanças significativas?
O cinema é outra história. Muitas salas fecharam nos últimos 30 anos e há cada vez mais plataformas de streaming com as suas próprias produções. Muitos estúdios e produtores criaram também as suas próprias plataformas do género e ganham mais dinheiro com isso do que com a venda de bilhetes pelas distribuidoras. No fundo, em 2050, há uma relação mais próxima entre os estúdios, mas também entre o público.
E os grandes estúdios serão os nossos melhores amigos no futuro?
Não diria os melhores. Em 2050, os grandes estúdios de Hollywood, por exemplo, são um pouco como os canais generalistas de 2020. Às vezes, têm alguma coisa para ti, mas nem sempre. O setor tem, em 2050, muito mais intervenientes. Há pequenas produtoras e coletivos de produtoras que conseguem pagar os seus filmes e séries. São filmes de nicho, através desta ligação direta ao consumidor final.
É bom saber que o cinema independente não vai morrer.
Faz-me feliz trazer-te boas notícias e é verdade, não só não morreu, como está de boa saúde. Estas produtoras podem ser independentes, mas não são tontas. As plataformas de streaming permitem-lhes recolher muita informação sobre o que o seu público quer ver.
Era este o twist de ficção científica que eu esperava. Imagino que ouçam as nossas conversas para nos darem os finais que queremos para as séries que andamos a ver.
Não duvido que isso seja possível, João, embora me pareça no mínimo trabalhoso. Esta análise de dados usa-se sobretudo em estatísticas mais inocentes. Por exemplo, permite perceber o tempo médio que os utilizadores passam na plataforma a uma dada hora do dia. Às 08h, por exemplo, é de 15 minutos, o tempo de uma viagem entre a casa e o trabalho. É por isso que as séries e curtas de um quarto de hora estão na moda. São boas para ver nos transportes, até porque em 2050 já não há pacotes de dados móveis limitados como nesses tempos bárbaros de 2020. Aqui, não ter acesso à internet é quase como não ter oxigénio.
Mas aqui também pode ser um sufoco, Luís. Mas pronto, quando não há dados, resta-nos um bom livro para ler no metro.
Não é coisa que se tenha perdido completamente. Atenção, os livros de 2050 são em papel ou leem-se num ecrã, tal como em 2020, mas as edições em papel estão hoje exclusivamente associadas aos objetos de luxo ou às artes visuais. A literatura, a pintura, a ilustração e a fotografia misturam-se com o texto, que normalmente tem um formato mais curto. A maioria dos livros é apenas publicada de forma digital.
Perdeu-se o grande romance?
Há muito menos gente a tentar escrever o grande romance no computador do que gente a tentar escrever o grande microconto no tablet.
E os escritores, Luís, não sentem a nostalgia de ver o seu livro publicado, exposto na livraria?
Suponho que sim, João, mas não estão a carpir os velhos livros. A realidade é que a distribuição online das publicações permite-lhes ficar com uma porcentagem muito maior das vendas, porque deixam de meter distribuidores e livrarias ao barulho.
Parece-me que os artistas e o mundo da arte só têm a agradecer à evolução tecnológica.
Sim, João, há suportes que continuam a provocar-nos nostalgia. Podem não ser tecnicamente perfeitos, mas não conseguimos abandoná-los, seja por questões estéticas ou de simples revivalismo. O vinil continua vivo, o mercado de cassetes também renasceu.
Luís, estás aqui a dizer que devíamos todos ter investido em discos Blu-ray?
Com isso, não te preocupes, João, mas se ainda tiveres um daqueles antigos walkman lá por casa, não deites fora, vai valorizar.
Obrigado pela dica. Tenho a certeza que os nossos ouvintes também agradecem. Foi o Futuro em Directo na Rádio Observador, com o apoio da Renault. Voltamos para a semana com mais histórias a partir de 2050.
O Futuro em Directo.
Este programa teve o apoio de Renault ecoplan.
A Renault quer afirmar-se como líder de mobilidade elétrica. Por isso, vamos ajudar a tirar os carros poluentes das ruas com o Eco Abate. E vamos facilitar o carregamento com o Eco Charge e o Eco at Home. Este é o Renault ecoplan. Conheça as iniciativas em Renault.pt.