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Este programa tem o apoio de Renault ekoplan.
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O Futuro em Directo.
Nos próximos cinco minutos, o Futuro está em direto na Rádio Observador com o apoio da Renault. Vamos estabelecer ligação com o repórter Luís Reinaldo, o nosso enviado especial ao Futuro, mais precisamente a 2050. Consegues ouvir-nos, Luís?
Olá, João, olá, 2020, ouço-te muito bem.
O que vais revelar-nos sobre a vida em 2050 desta vez?
Sabes, João, a minha veia consumista hoje está bastante saliente. Acho que devíamos falar sobre compras.
Ótima ideia, sobretudo porque há uma questão que me deixa particularmente ansioso. Em 2050, conseguiram finalmente acabar com os centros comerciais?
Não, João, mas tornou-se proibido ir para centros comerciais ao fim de semana passear de fato de treino completo.
Não consigo perceber se estás a gozar comigo, mas espero que seja verdade. Seria um salto civilizacional assinalável.
Não se confirma, João. Estava a brincar. Aqui em 2050 ainda há centros comerciais. E se o que te chateia nestes sítios é o facto de as pessoas andarem por lá a passear muito lentamente enquanto olham vagarosamente para as montras, não vais gostar nada dos centros comerciais de 2050. As boas notícias são que podes deixar por completo de ir a lojas.
É precisamente isso que eu acho. Podíamos todos deixar de ir a centros comerciais fechados e passar a andar mais ao ar livre. E nem precisávamos de chegar a 2050.
Sabes que isso que estás a descrever, João, não está longe da verdade, mas vamos por partes. O comércio online tornou-se mais viável do que alguma vez foi e isso afastou as pessoas das compras nas lojas físicas. Mas isso não será a grande novidade para ti. Em 2020, onde estás, as compras online já podem ser feitas a qualquer hora e também em qualquer lugar. Os métodos é que se aperfeiçoaram nestes últimos 30 anos. Em 2050, as burlas são facilmente detetáveis e praticamente inexistentes, porque os pagamentos são feitos através de sensores biométricos. Não há necessidade de números de cartão de débito ou crédito. Basta encostares um dos teus dedos ao sensor ou apontares a tua íris ocular para um scanner.
Estou muito entusiasmado com a possibilidade de fazer tudo online e não ter de pôr os pés numa loja. É que fico nervoso quando tenho de comprar coisas com muita gente à volta, até nos provadores. Para já, calham-me sempre aqueles em que a cortina nunca fecha até o fim. E depois sinto que pode entrar alguém por ali adentro a qualquer momento, porque estou há demasiado tempo a experimentar calças.
Isso também foi resolvido pelo comércio online, João, isto se tiveres uma imagem virtual do teu corpo. É possível fazê-la em casa com um scan que gira à tua volta e cria uma imagem muito detalhada e com as tuas medidas de forma rigorosa. Quando estás a comprar online, só tens de pré-visualizar uma peça qualquer vestida no teu corpo virtual e podes até experimentá-la com roupas que já tens, se tiveres essas roupas no teu arquivo online.
Perfeito. E como é que é possível então ainda haver centros comerciais?
Os centros comerciais, João, são hoje sítios para passear. Muitos deles são ao ar livre, com avenidas largas e autênticos jardins. As lojas já não são só para comprar, são sobretudo para veres ao vivo determinados produtos, como num showroom, mas também para participar em encontros, workshops ou simplesmente para passear pelo espaço e ver a decoração, que muitas vezes se aproxima de uma obra de arte e acaba também por ser interativa.
Esse cenário já é mais do meu agrado. Parece até que as marcas não querem vender.
Claro que querem, e vendem, mas online. Estas lojas são marketing, uma forma de estarem perto do consumidor. É certo que se fazem algumas vendas nestas lojas, não digo que não, mas já quase ninguém anda com sacos atrás. Pede-se e entrega-se em casa.
Bem, conseguiram acabar com a única coisa positiva nas lojas: poder levar o que se comprou para casa imediatamente, em vez de se estar à espera que chegue a casa.
João, às vezes pareces estar à frente do teu tempo, deixa-me dizer-te, mas esta não foi uma das vezes. Quando compramos alguma coisa numa loja, ela muitas vezes chega a casa antes de nós, especialmente se andarmos com crianças na rua, que gostam de parar em tudo lado e mexer em tudo.
Mas espera lá, como é que as nossas compras chegam à nossa casa antes de nós?
Vão de drone, João. Aquilo que em 2020 era uma visão até perigosa do futuro, em 2050 é uma realidade completamente normalizada e muito segura. Os drones funcionam com sistemas de posicionamento muito rigorosos, são completamente silenciosos e muito ecológicos. Além disto, há controladores de tráfego de drones, portanto, os acidentes são uma coisa raríssima.
Bem, estou a ver que em 2050 está tudo facilitado para que se compre muito.
Sim, compra-se muito, mas não se produzem tantos produtos novos.
Bem, isso parece-me praticamente contraditório.
Repara, João, as preocupações ecológicas passaram a nortear todas as áreas da nossa vida há já algum tempo. O planeta não precisa que se produza mais, muito pelo contrário, o que fazemos hoje é comprar muita coisa que já foi usada.
Em segunda mão. Ou vocês aí no futuro também preferem usar a palavra vintage para qualquer coisinha com mais de cinco anos?
Eu poderia dizer que em segunda mão, de facto, mas não usamos muito essa ideia. Toda a gente continua a gostar de ter coisas novas.
Como se diz em 2020, andam a vender gato por lebre. É isso?
Não, não é nada disso, João. Todo o material que já não funciona ou de que nos queremos desfazer deve ser entregue às marcas ou a centros de reciclagem. As marcas avaliam se vale ou não a pena fazer arranjos. No caso das roupas, há muitas peças que não faz sentido transformar em outras, bastam pequenos arranjos. No caso de eletrodomésticos ou móveis, as peças são aproveitadas para construir modelos mais avançados, de maneira a produzir o menos possível.
Isso quer dizer que em 2050 não vou ter aquela sensação de uns ténis brancos acabadinhos de estrear.
Olha, podes ter. É muito mais caro produzir algo de raiz, isso é certo. A vantagem é que quando fazemos, podemos personalizar tudo. E não estou só a falar das cores ou materiais. A sapatilha é feita para o tamanho exato do teu pé. Não se usam os números de calçado habituais do mercado. Também podes fazer testes para perceber qual é o estilo do teu passo e fazem-te os sapatos mais confortáveis que já alguma vez calçaste. Mas lá está, sai muito mais caro. Eu pessoalmente não gasto esse dinheiro em ténis.
Bolas, tive esperança de que essa preocupação do dinheiro já tivesse acabado em 2050. Até para a semana, Luís.
Lamento imenso, João. Mantemos as preocupações com o dinheiro até para a semana.
Foi o Futuro em Direto na Rádio Observador, com o apoio da Renault. O repórter Luís Reinaldo volta para a semana com mais histórias a partir de 2050.
O Futuro em Directo.
Este programa teve o apoio de Renault ekoplan.
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