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Este programa tem o apoio de Renault Eco Plan.
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O futuro em direto.
Durante os próximos minutos, o futuro está em direto na Rádio Observador, com o apoio da Renault. O Luís Reinaldo, o nosso enviado especial ao ano de 2050, está já em linha para nos contar tudo sobre os desportos mais populares do futuro. Disse bem, Luís?
Olá, João, disseste muito bem. Hoje vamos pôr isto a mexer, como cantou o grande Marcos Valle há quase 70 anos. Tem que correr, tem que suar, tem que malhar. Por isso, espero que não leves a mal a indiscrição, queria começar por perguntar-te se estás em forma.
Se estou em forma? Posso dizer que estou em forma, numa forma cada vez mais arredondada, graças aos restaurantes aqui da vizinhança. É muita tentação e pouco exercício. Percebes?
Percebo, claro. Mas em 2050, isso não seria de todo um obstáculo a uma medalha olímpica.
Sim? Em que modalidade? Levantamento do prato, ténis de sofá?
Quase isso, João. Os e-sports, os desportos eletrónicos jogados através de consolas ou computador, são modalidade olímpica há mais de 10 anos. São tão ou mais populares do que os desportos tradicionais e os melhores gamers são vedetas intergalácticas, mais admiradas em 2050 do que o Cristiano Ronaldo ou Lewis Hamilton em 2020.
Isso deixa-me curioso, Luís. Mudou assim tanto o conceito de desporto nos últimos 30 anos?
O conceito de desporto em si não mudou muito. Continuamos a tentar ser mais rápidos ou mais fortes do que os adversários, a fazer mais pontos ou a marcar mais gols do que eles. Mas a forma de praticar desporto, ao vivo ou virtualmente, ou até de assistir aos desportos, a experiência do espetador, isso sim, mudou muito. E por causa da palavrinha do costume, João, aquela com quatro sílabas de que gostas tanto. Queres adivinhar?
Quatro sílabas? Deixa-me pensar. Patuscadas?
Caramba, que raio de palpite é esse?
Então, é a palavra de quatro sílabas que mais gosto. Não era essa a pista?
Era, tens razão, mas estou a falar de inovação. Ou inovações, neste caso. As inovações na ciência e na tecnologia fazem toda a diferença na forma como vemos e praticamos desporto em 2050.
Bom, mas isso já acontece hoje. As chuteiras de futebol de 2020 não têm nada a ver com as de 1990, muito menos com as de 1960. As raquetes de ténis idem. As bicicletas de estrada parecem penas de tão leves que são. A recuperação de lesões é mais rápida e os planos de treino e nutrição para atletas cada vez mais avançados e personalizados. Portanto, qual é a grande novidade?
A novidade é que tudo isso acontece de uma forma ainda mais completa e tecnológica. Dou-te um exemplo: os meus ténis de corrida, que vêm com microchips incorporados, como a maioria dos modelos hoje em dia, permitem-me aceder instantaneamente a um relatório pormenorizado da minha passada. Fico a saber se estou a correr de forma eficiente, se faço uma boa distribuição do peso e da força, como coloco o pé no chão, o que me ajuda não só a melhorar os meus tempos, como a evitar as lesões. É como se corresse com um assistente personalizado. Entendes?
Entendo, claro, mas isso quer dizer então que os treinadores vão perder o seu emprego?
Não, João, claro que não. Sei que isto poderá soar meio estranho, mas quanto mais tecnologia tens ao dispor, mais percebes como o ser humano é insubstituível.
Que frase bonita, Luís. De repente fiquei com esperança renovada no futuro.
É para isso mesmo que eu aqui estou, meu caro. Encara a tecnologia como um facilitador. Imagina, por exemplo, uma corrida de automóveis em 2020.
Estou a imaginar. Continua.
Pronto. Agora transporta os dados de telemetria avançados, que são os pontos exatos de aceleração e travagem e as trajetórias perfeitas para todos os outros desportos. Por exemplo, o ténis. Hoje os punhos e as raquetes inteligentes conseguem, através de sensores, calcular a forma mais eficiente de bater na bola, levando até em conta a estrutura muscular do atleta, se consegue dar mais impacto na bola desta ou daquela forma. O mesmo para o golfe, a biomecânica aplicada ao mais alto nível.
Mas calma lá, isso não vai chegar a um ponto em que é considerado uma espécie de, como é que hei de dizer, doping tecnológico?
Essa é uma questão, aliás, muito pertinente, João. Atualmente existe um debate vigente sobre os limites da aplicação da tecnologia no desporto. Posso até falar do caso de um atleta que colocou uma prótese impressa em 3D, que se provou que lhe permitia atingir uma performance superior àquela que tinha antes, e não é o único. Será que deve competir com os restantes ou que se deve criar uma categoria à parte para estes atletas? São tudo questões que estão na ordem do dia.
Estou impressionado. Em 2020 ainda se discutem os limites do humor. Em 2050 já se fala dos limites da tecnologia.
Sim, João, e olha que é uma discussão importante, sobretudo neste caso do esporte. Até porque o recurso cada vez maior à tecnologia ajuda a cavar o fosso entre quem consegue aceder a essa mesma tecnologia e os restantes, sendo que a beleza do esporte é supostamente a de colocar toda a gente em pé de igualdade a jogar sobre as mesmas regras.
O célebre 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha, não é?
Mais ou menos isso, sim, João.
E por falar em futebol, ainda é o desporto rei em Portugal?
Sim, João, em Portugal o futebol continua a ser o desporto rei, mas muita coisa mudou nos últimos 30 anos. Para começar, o crescimento de outros clubes que vieram pôr em causa o domínio histórico dos antigos três grandes. Aliás, devo confessar que já não dizia a expressão três grandes há uns 10 anos.
Olha, será que ainda vou ver o meu Atlético a ser campeão nacional?
Como sabes, não posso fazer spoilers. Não é por isso que aqui estou. Mas outra novidade importante, João, tem a ver com o futebol feminino, que hoje revitaliza em popularidade e até em receitas com o futebol masculino. Essa ascensão é transversal a praticamente todos os desportos e não se verifica só no futebol.
E como é que vamos chegar a esse ponto? É que em 2020 já vemos alguns sinais, mas custa a acreditar que poderemos chegar a uma situação de total igualdade.
Mas calma, João, vamos lá chegar. Acredita. E posso adiantar-te também que além da evolução natural de mentalidades e de um número cada vez maior de mulheres a querer seguir carreiras desportivas, as competições femininas serão as primeiras a desafiar os modelos atuais de direitos de transmissão, negociando com plataformas online e de streaming, em vez de canais tradicionais. Através delas, vão adotar uma série de medidas inovadoras para chegar mais perto dos fãs. Medidas essas que serão tão bem-sucedidas, que outros acabarão por copiá-las.
Estou a ver. Interessante. Consegues dar alguns exemplos dessas medidas?
Claro, sim. Olha, João, por exemplo, dar ao espetador muito mais liberdade para escolher como quer ver o jogo. Se quer sentir o barulho do estádio ou ouvir os comentários, se prefere uma câmera ao nível do recinto de jogo, na bancada, ou se quer seguir os movimentos dos seus jogadores favoritos do próprio ponto de vista dos jogadores.
Do ponto de vista destes? Como assim?
Sim, através de microcâmeras, João, instaladas no equipamento ou até em lentes de contato que permitem a quem esteja em casa ver e rever as jogadas mais importantes na perspectiva dos próprios protagonistas.
Isso parece-me extraordinário, mas assim, com tanto potencial para quem fica em casa, será que alguém vai querer continuar a ir aos estádios ou aos pavilhões?
João, claro que sim, porque a própria experiência nos estádios e pavilhões também melhorou muitíssimo nos últimos 30 anos. Os recintos estão transformados em verdadeiros parques temáticos, muito mais confortáveis, sustentáveis e ainda energicamente eficientes, com ecrãs gigantes que, dentro e fora, exibem inúmeros dados sobre os jogos em tempo real e ainda ajudam uma experiência cada vez mais imersiva, recorrendo também à realidade aumentada para quem está nas bancadas. Vê lá tu que nos intervalos exibem-se os resumos de outras partidas no próprio relvado ou pavilhão, recorrendo a hologramas em tamanho real. Parece que estamos a ver o jogo acontecer, mas só a parte que interessa.
Tudo muito bonito, Luís, mas espero que continuem a existir rolotes para aquele ritual antes e depois do jogo.
Rolotes como as conheces, não garanto que continuem a existir, mas acho que não vais sentir falta delas.
Espero bem que não. Foi o Luís Reinaldo a partir de 2050, a trazer o futuro em direto à Rádio Observador, com o apoio da Renault. Até para a semana, Luís.
E do futuro, caro João, um abraço.
Um abraço.
O Futuro em Direto.
Este programa teve o apoio de Renault Ecoplan.
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