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Este programa tem o apoio de Renault ecoplan.
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O Futuro em Direto.
Nos próximos cinco minutos, o Futuro está em direto na Rádio Observador, com o apoio da Renault. Vamos estabelecer ligação com o repórter Luís Reinaldo, o nosso enviado especial ao Futuro, mais precisamente a 2050, o ano em que Portugal deve atingir a neutralidade carbónica. Consegues ouvir-nos, Luís?
Boa tarde, João. Ouço-te muito bem. O sistema de comunicação intertemporal não deixa de me impressionar. Bendita a hora em que colonizámos a Lua.
Colonizámos? Como assim? Não me digas que em 2050 já se pode viver na Lua.
Poder, pode. A Lua tem gelo e oxigénio aprisionado nas rochas. É assim que se cria água e ar para que os cientistas que aqui estão possam sobreviver. A questão é que viver lá permanentemente, na Lua, ainda é um bocado aborrecido. Não há propriamente cidades na Lua, há estações científicas com todo o tipo de laboratórios, satélites e telescópios gigantes que recolhem informação sobre a Lua, mas principalmente sobre a Terra.
Mas que tipo de informação é possível recolher sobre a Terra a partir da Lua?
A mais óbvia, João, é a cartografia, que é muito mais detalhada hoje, em 2050, do que alguma vez foi. Além disso, as transmissões e comunicações por satélite, e até as intertemporais, como esta que fazemos, têm melhorado imenso. Mas o mais importante de tudo é que ver a Terra a partir da Lua tem sido precioso para antecipar a evolução do aquecimento global e para fazer previsões meteorológicas muito mais precisas.
Imagino que as piadas sobre meteorologistas estejam muito fora de moda em 2050.
Ainda há aqueles engraçadotes que insistem, mas já ninguém ri, João. Até porque devemos muito aos meteorologistas. A sua leitura dos dados enviados da Lua permite que se prevejam catástrofes naturais, hoje muito mais frequentes do que na tua era. Isso ajuda-nos muito a minimizar os estragos.
E com toda essa observação detalhada e alta tecnologia espacial, descobrimos alguma coisa de muito surpreendente sobre a Terra?
Descobrimos que a Terra é plana.
Como?
Calma, João, estou a brincar. A tecnologia de 2020 não era assim tão má. Posso garantir que tudo o que sabíamos sobre a forma da Terra em 2020 se confirma. A Terra é redonda, eu vi com os meus próprios olhos.
Espera lá, isso quer dizer que também tu já estiveste na Lua, Luís?
Não, João. Como te disse, a Lua é frequentada sobretudo por pessoas que lá trabalham e, infelizmente, ainda não me calhou nenhuma reportagem no local. Mas já estive na órbita baixa da Terra, onde se consegue ter a sensação de gravidade zero por alguns minutos e ver a curvatura do globo.
Confesso que a primeira coisa que me vem à cabeça é que essas férias não devem ter ficado nada baratas.
Mas posso garantir-te, João, que não ficaram assim tão caras. Nos últimos 20 anos, este turismo espacial democratizou-se muito e há, neste momento, centenas de empresas licenciadas no mercado. Descolamos e aterramos em 24 horas e ainda há a hipótese de aterrar noutra base, do outro lado do mundo, o que é ótimo para viagens intercontinentais.
É engraçado saber disso no momento em que já há bilhetes vendidos para viagens muito semelhantes às que descreves, e viagens mais longas e a outros pontos do universo, Luís.
Há outras modalidades, João, essas sim, mais caras. É possível ficar algumas semanas ou até mesmo um mês inteiro em órbita, numa espécie de satélite-hotel, ou viajar numa nave um pouco fora da órbita da Terra. Quando estas primeiras viagens surgiram, há 20 e tal anos, foi uma excitação, esgotaram rapidamente os primeiros bilhetes, mas essa febre já acalmou.
Luís, não me digas que continuamos a preferir passar férias em Terra.
Não estás muito longe da verdade, João. A realidade é que viajar no espaço não tem o que a maior parte das pessoas procura numas boas férias. Por exemplo, não há como dar uns passeios. Às vezes dão-se umas voltinhas na Lua, mas é cansativo estar sempre a lutar contra uma gravidade mais baixa, dizem. Nos períodos de viagem, pode sempre andar-se pela nave, mas nunca sair.
Estou a ver. Como um cruzeiro que está sempre em alto-mar e nunca atraca em porto nenhum.
Isso mesmo. A solução é frequentar todas as aulas de danças latinas a bordo.
Pois, eu de facto ia preferir ir à Terra. E Marte? Já chegámos ao planeta vermelho?
Chegámos há algum tempo e uns anos depois instalámos uma estação espacial não habitada em Marte, que envia alguns dados sobre o planeta. Uma das coisas que sabemos hoje é que existe vida em Marte, João.
Estamos aqui a conversar há quase cinco minutos e só contas isso agora? Que seres são esses, os marcianos?
Desculpa, isso para nós banalizou-se, tens toda a razão. A questão é que não é uma vida muito entusiasmante. É fácil uma pessoa esquecer-se dela. Sem ofender as centenas de pessoas que a continuam a estudar. É vida microscópica, um resquício de uma outra era em Marte. Já foi um planeta coberto de água, com clima ameno e uma atmosfera semelhante à nossa, mas passou por um período de alterações climáticas extremas que dizimou tudo. O estudo desse período está a ajudar a perceber o impacto que as alterações climáticas poderão ter na Terra.
E depois de Marte, qual o próximo passo? Chegar a Júpiter?
Fala-se nisso, mas para lá chegar é preciso perceber como se vai ultrapassar o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, ou mesmo como se vai colonizá-lo.
Colonizá-lo? Esta nova tendência colonizadora do espaço está a parecer-me um exagero. Não estamos a falar de pedras.
Pode ser redutor chamar-lhes pedras. Algumas têm oxigénio aprisionado ou outros gases e metais que podem ser transformados em combustível. Vão ser úteis em missões espaciais, para não falar nos metais preciosos.
Metais preciosos e colonização. De repente, achei que estávamos em direto com o passado. Bom, já que estamos a falar de planetas, em 2050 já conseguimos desvendar o mistério do Mercúrio retrógrado?
Meu caro, ainda bem que perguntas. É uma ótima oportunidade para falar de um problema que, mesmo chegados a 2050, não conseguimos resolver. A confusão entre a astronomia e a astrologia é um flagelo.
Sendo assim, já nem pergunto como vai ser o ano para os Sagitários. Obrigado, Luís, e até para a semana.
Um abraço, até para a semana, João.
Foi o Futuro em Direto na Rádio Observador, com o apoio da Renault. O repórter Luís Reinaldo volta para a semana com mais histórias a partir de 2050.
O Futuro em Direto.
Este programa teve o apoio de Renault ecoplan.
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