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Este programa tem o apoio de Renault Ecoplan.

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O futuro em direto. Nos próximos cinco minutos, o futuro está em direto na Rádio Observador, com o apoio da Renault. O repórter Luís Reinaldo é o nosso enviado especial ao ano de 2050 e tenho a indicação de que nos vai falar sobre saúde e os avanços da medicina. É isso, Luís? Confirmas?

Boa tarde, João. É isso mesmo e vou já passar a explicar porquê. No último fim de semana estive num casamento daqueles tradicionais, como já quase não existem nesta época, e quando chegou a parte dos votos e ouvi falar na saúde e na doença, tive uma espécie de epifania.

Então, o que é que se passou?

Simplesmente percebi que nós lidamos com a saúde e com a doença de uma forma diferente da que tu e os ouvintes da Rádio Observador estão habituados em 2020. Por isso, achei que dava um excelente tema de conversa e aqui estamos.

Olha, não podia estar mais de acordo. Confesso até que é um tema que me toca especialmente, porque sou bastante hipocondríaco. Ao mínimo sintoma, começo logo a pensar no pior cenário.

Então pronto, para começar, vou fazer-te uma pergunta simples: quando é que foi a última vez que fizeste análises?

Bom, se por um lado sou um pouco hipocondríaco, por outro, sou algo desleixado quando chega a hora dos exames. Acho que a última vez que fui fazer análises foi há cerca de um ano, mais coisa, menos coisa.

Repara bem na tua frase: "Fui fazer análises." Em 2050, o verbo ir tornou-se dispensável. Em muitos casos, já não vamos fazer determinadas coisas. Simplesmente fazemos, como as análises. Elas são parte do nosso dia a dia. Fazemo-las diariamente, sem sair de casa. São as maravilhas da tecnologia ao serviço da saúde.

Mas como assim, sem sair de casa? Vamos montar laboratórios nas cozinhas?

Nada disso, João. Em 2050, são feitas medições constantes dos nossos níveis de açúcar, batimentos cardíacos, tensão arterial e tudo mais, através dos aparelhos eletrónicos que usamos no dia a dia. É tudo automático. Nem te lembras que estão a acontecer, a não ser quando recebes o relatório com o estado do teu corpo todas as manhãs.

Muito bem, mas e as análises ao sangue, Luís?

As análises ao sangue, se necessárias, fazem-se também em casa, através de uma pulseira, um método não invasivo e também indolor. Os resultados são comunicados imediatamente e qualquer desvio nos valores padrão resulta num alerta imediato.

Então, perante esse alerta, o que é que se faz? Marca-se uma consulta?

Não, meu caro. As consultas são coisa do passado. Aquilo que vocês chamam telemedicina, para nós, é simplesmente medicina. Os casos de resolução mais fácil são resolvidos na hora por assistentes virtuais que, com recurso à inteligência artificial, ao histórico do paciente e à sua informação genética, dados que estão sempre disponíveis e atualizados, conseguem prescrever os tratamentos mais adequados. Os medicamentos são entregues por drone numa questão de minutos.

Estou impressionado. Mas então, e os casos, digamos assim, de resolução menos fácil?

Mesmo nesses casos, João, o atendimento em casa é preferencial, a não ser que haja uma necessidade de intervenção imediata por parte de um profissional de saúde. A tecnologia disponível permite que os exames à distância sejam cada vez mais fáceis e também precisos.

Sendo assim, tenho de te perguntar: como é um hospital em 2050? Se os tratamentos se fazem principalmente em casa, suponho que não tenha o rebuliço dos dias de hoje.

Os hospitais que temos em 2050, João, são, sobretudo, centros de tratamento, cirurgia e internamento, apenas para casos muito graves que necessitam de acompanhamento e material específico, e sempre com muito recurso à robótica e também à tecnologia. Nos últimos anos, tem-se feito um enorme esforço para eliminar dois fatores de risco nos hospitais: os internamentos desnecessários, que resultavam muitas vezes em infeções contraídas em ambiente hospitalar, e o erro humano, que também era uma das principais causas de morte.

Estou a ver. Tenho de mudar ligeiramente de assunto para matar a curiosidade. Pandemias como a que atravessamos recentemente, de Covid-19, vão continuar a existir ou vamos conseguir extinguir os chamados coronavírus?

Infelizmente, João, nesse campo não te trago boas notícias. Os coronavírus não vão desaparecer da face da Terra. Bem pelo contrário. À medida que o homem foi invadindo e também destruindo o habitat natural de certos animais selvagens portadores destes vírus, como os morcegos, a sua transmissão foi se tornando mais fácil e também frequente. Temos casos quase anuais de surtos com origem animal.

Surtos anuais? Isso dito assim soa a cenário pré-apocalíptico.

Calma, João, não é caso para tanto. A maioria destes vírus de origem zoonótica é praticamente inofensiva para o ser humano. Mas mentir-te-ia se não te dissesse que outras epidemias e pandemias irão ocorrer no futuro. A não ser, claro está, que em 2020 se trave a fundo na desflorestação e na destruição dos ecossistemas onde abundam os animais que são os portadores naturais deste vírus. Vocês ainda vão a tempo.

Menos mal. Fica registado o alerta. Fala-me então sobre os avanços da medicina epidemiológica. Eles vão acompanhar as exigências do futuro?

Sim, João, claro que vão. E nem podia ser de outra forma. A área da epidemiologia está hoje mais avançada que nunca. As grandes pandemias de que te falei obrigaram a avanços dramáticos na identificação, rastreio e ainda combate a estes vírus. Tornou-se possível desenvolver vacinas e tratamentos no espaço de apenas algumas semanas.

Semanas? Isso é impressionante. O que é que mudou para se conseguir acelerar tanto o processo?

João, muita coisa. Ainda hoje, passados 30 anos, se diz que a Covid-19 foi um marco decisivo na forma de atuação perante este tipo de surtos. Mais uma vez, o recurso à inteligência artificial é fulcral. Por exemplo, há muito que os testes deixaram de ser feitos em animais ou mesmo em seres humanos. ConseguimosConseguimos recriar modelos em computador muito mais precisos que rapidamente e com uma precisão quase absoluta, são capazes de identificar os potenciais efeitos secundários de um determinado tratamento.

Está me a parecer uma medicina altamente tecnológica, essa do futuro. Quer dizer que os médicos e cirurgiões vão ficar sem emprego?

Não, nada disso, João. Vão continuar a ser muitíssimo importantes. A sua função vai ser complementada por esta tecnologia, um pouco como os pilotos de avião. Eles continuam a estar na cabine e a tomar decisões, mas agora têm o apoio que em 2020 ainda não tinham. Dou-te outro exemplo: em vez dos tradicionais transplantes de órgãos, hoje é comum recorrer-se à bioimpressão em 3D para criar os órgãos necessários com células do próprio recetor, o que praticamente elimina as probabilidades de rejeição.

E as filas de espera necessárias.

Bem, isso é que já não é tão linear. O acesso a este tipo de intervenções continua a não ser para todos. A tecnologia não matou as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde, infelizmente.

Mas espero que, pelo menos, tenha contribuído para encontrar a cura para o cancro.

Cura, João, infelizmente, é uma palavra muito forte. O que te posso dizer é que em 2050, a grande maioria das pessoas abaixo dos 80 anos não corre riscos de morrer de cancro, mas antes de morrer com cancro. Tornou-se uma doença que é, sobretudo, crônica, até pelos diagnósticos cada vez mais precoces que somos capazes de fazer. Hoje em dia, há outros desafios mais prementes pela população extremamente envelhecida que temos, como a doença de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, cuja incidência triplicou nos últimos 30 anos.

E como é que têm conseguido combatê-las?

Temendo soar aqui um pouco repetitivo, João, recorrendo à tecnologia, claro está. Não só através de nanopartículas implantadas no cérebro que vão libertando os fármacos necessários para o controle das inflamações que provocam a doença, como através de terapias de ultrassons que têm sido bem-sucedidas a transpor a barreira hematoencefálica e a conseguir mitigar os sintomas e evolução da doença.

Bons progressos, portanto, Luís. Muito mais haveria para dizer, estou certo, mas o nosso tempo está a esgotar-se. Vamos ter de ficar por aqui.

Calha bem, porque está quase na hora da minha sessão de acupuntura. As medicinas tradicionais continuam a fazer jus ao nome, sobre elas não há muito para dizer.

É reconfortante saber que nem tudo vai mudar. Até para a semana, Luís.

Um abraço, João.

O futuro em direto.

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