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Este programa tem o apoio de Renault Ecoplan.

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O futuro em direto.

Nos próximos cinco minutos, o futuro está em direto na Rádio Observador, com o apoio da Renault. O repórter Luís Reinaldo está em 2050, o ano em que se prevê que Portugal atinja a neutralidade carbónica. Consegues ouvir-nos, Luís?

Perfeitamente. Como estás, João?

Estou bem, mas ainda agora voltei de férias e já estou com saudades, confesso.

Ora aí está um problema que em 2050 já conseguimos resolver.

Não digas isso, que me aguça a vontade de viajar no tempo.

Tenho de dizer, João, é verdade. Podíamos tê-lo feito com chips intradérmicos, que libertam hormonas para nos esquecermos do bom que é andar por aí a passear. Mas o que se passa é que em 2050 é muito mais fácil e barato percorrer grandes distâncias, portanto o maior número de pessoas viaja com mais frequência.

Qualquer fim de semana prolongado serve para ir dar um passeio a Nova Iorque, é isso?

Elementar, meu caro João. Em 2050, atravessamos o Atlântico em três horas e meia.

De facto, mais rápido do que do Algarve ao Minho em 2020.

Mais rápido e também mais ecológico, João. Em 2050, todas as companhias aéreas fazem viagens supersônicas e só usam combustível produzido a partir de biomassa, a partir da queima de plantas como a cambolina ou algas. A generalização deste combustível para a aviação comercial foi uma verdadeira revolução, porque os aviões deixaram de emitir dióxido de carbono e contribuir para o efeito de estufa.

Parece-me significativo. Atualmente, a aviação representa 2,5% do carbono libertado para a atmosfera.

Mais ecológico do que isto, só mesmo as viagens em realidade virtual sem sair do sofá.

E os aeroportos, em 2050 já conseguem devolver-nos as horas de vida perdidas em filas para mostrar passaportes e cartões de embarque?

Devolver, infelizmente, não, João. E não te posso dizer que se esteja a trabalhar no sentido de criar um crédito de horas de vida. Mas se te serve de consolo, já não se passa assim tanto tempo em aeroportos, até porque documentos de identificação são coisa de 2020. Em 2050, a nossa cara é o nosso passaporte e também bilhete de viagem. O reconhecimento facial está completamente instituído para entrar em aviões, mudar de continente e até pagar em lojas de aeroporto.

Mas é um sistema seguro? Há pouco tempo li sobre como é possível enganar o sistema de reconhecimento facial dos smartphones. Basta imprimir uma fotografia em alta definição da cara de uma pessoa numa máscara, por exemplo.

João, não desfazendo os telemóveis de 2020, que nos deram umas horas bem passadas, não estamos a falar de gadgets de trazer por casa. Em 2050, os sistemas que os Estados usam para fazer o reconhecimento facial em todo o mundo são mais seguros do que o reconhecimento por impressão digital ou pela íris ocular. Cruzam uma quantidade maior de informação, como a orientação do nariz, a distância entre os olhos e os ângulos da boca, a um nível de exatidão que não pode ser enganado com maquiagem, por exemplo. Além de que estas informações são comparadas com extensos bancos de dados em frações de segundos.

De repente, parece que isso vai poupar muitas preocupações. Não imaginas as vezes que já achei que tinha perdido o cartão de embarque ou passaporte, ou até mesmo o cartão de multibanco. Ou tudo ao mesmo tempo. E o pior é que eu sou o tipo de pessoa que começa logo a abrir as malas todas antes de ver se está no bolso das calças.

Isso são problemas de primeiro mundo, João, mas do primeiro mundo de 2020. Em 2050, o único drama das malas de viagem é não podermos fazê-las mesmo à última hora. Isto porque hoje as malas são despachadas muito antes de entrarmos no avião, no dia anterior, por exemplo. Vêm buscá-las à tua casa ou podes entregá-las no aeroporto. Quando chegamos ao hotel, já lá estão à nossa espera e assim se acabou com o limite de bagagem.

Agora deixa-me ser eu o portador das boas notícias do passado. Esse serviço, Luís, também existe em 2020.

Bem sei, João, mas em 2050 é um serviço generalizado e muitíssimo mais barato. Repara, hoje metade das pessoas faz uma viagem internacional por ano. Em 2020, apenas um sétimo das pessoas o fazia. Isto significa muita gente nos aeroportos ao mesmo tempo e é do interesse de todos diminuir a confusão nestes espaços, até por razões de segurança.

Da parte de alguém que vive e trabalha em Lisboa em 2020, deixa-me dizer que esse cenário me deixa apreensivo.

Como já deves ter percebido aí em 2020, João, os governos demoram a aceitar a evidência de que as dormidas em determinados destinos têm de ser limitadas. Em 2050, essa é a realidade das cidades mais visitadas. E isto mudou muita coisa. Há destinos em que é preciso marcar a viagem com mais de um ano de antecedência e mesmo antes de saberes se tens dinheiro para acompanhar o estilo de vida dessa cidade, os hotéis, os restaurantes, deves certificar-te que consegues pagar taxas turísticas elevadíssimas, impostas pelos governos locais, claro está. Em alguns casos, podem chegar às dezenas de euros por dia.

E de repente, parece-me que isso elitiza as cidades, deve ficar mais barato ir à Lua, ou não?

Em alguns casos, diria que sim, porque o turismo espacial democratizou-se muito nos últimos anos. Em 2050, o turismo mais luxuoso continua a estar na Terra.

Falamos sobre isso? Como são umas férias de luxo, por exemplo?

Podem ser, por exemplo, numa casa de madeira, no meio das árvores, sem muita roupa na mala e, muito importante, com pessoas de carne e osso a fazerem o teu check-in e todo o acompanhamento da tua estadia.

Parece que estás a descrever umas férias no parque de campismo de Vila Nova de Milfontes.

Deixa-me explicar melhor, João. Em 2050, muitas cadeias hoteleiras têm edifícios ambulantes. Montam-nas nos sítios mais inusitados, como uma floresta tropical, por exemplo, desmonta-os e voltam a erguê-los no meio da savana, se for preciso. São hotéis pop-up que criam uma experiência única durante um tempo limitado.

Fiquei curioso com a parte do "sem muita roupa na mala". Os costumes estão assim tão liberais?

Calma, João, não estou a falar de nudismo. É uma outra tecnologia um pouco mais avançada. A maioria dos hotéis de luxo tem impressoras 3D para roupa. Imagina que vais passar uma semana à neve. Em vez de embalar casacos volumosos, botas pesadas e todas essas proteções, basta informares o hotel das tuas medidas. Eles imprimem-te esse enxoval e quando te fores embora, até podem reciclar aquele material para voltar a imprimir as roupas do próximo hóspede.

Assim não tens dúvidas de que estás num hotel de luxo.

Mais ou menos. Em 2050, o sinal mais claro de um hotel, como ainda lhes chamam algumas pessoas, é o atendimento humanizado. Em alojamentos low cost, o atendimento é praticamente todo automatizado, mais uma vez recorrendo ao reconhecimento facial. Ter alguém a receber-te, fazer o check-in, acompanhar-te ao quarto e perguntar-te se passaste bem a noite na manhã seguinte, está reservado a uma ideia de hospitalidade muito próxima, hoje em dia, em 2050, do luxo.

Nunca pensei que a senhora da recepção do parque de campismo estivesse tão próxima do luxo do futuro. Há que valorizar mais.

Justamente. Outra coisa que também podes valorizar mais é o estúdio onde estás a fazer emissão.

Como assim? Tenho muito respeito por este estúdio.

Ainda bem. É que sabes, esse estúdio pode vir a ser usado como quarto de um dos hotéis pop-up de 2050.

Mas como assim? Por que alguém viria dormir aqui?

Eu explico-te, João. Boa parte do turismo massificado transformou-se em turismo consciente, que tenta reduzir o impacto que tem nas cidades. Em 2050, os turistas querem ser parte do ambiente e não apenas meros estrangeiros. É por isso que, em vez de abrirem hotéis, muitas empresas hoteleiras abrem quartos temporários em edifícios parados ou mesmo em áreas de escritórios vazias naquele momento. Quem sabe se isso não vem a acontecer com a redação do Observador?

Lá problemas com barulho não terão, que esta insonorização é de qualidade.

Vês, João, se calhar não é assim tão despropositado.

É verdade. Bom, o nosso tempo esgotou-se. Luís, um abraço e boas viagens.

Um abraço, João. Até à próxima.

Foi o "Futuro em Direto" na Rádio Observador, com o apoio da Renault. O repórter Luís Reinaldo volta pra semana com mais histórias a partir de 2050.

O Futuro em Direto.

Este programa teve o apoio de Renault ekoplan.

A Renault quer afirmar-se como líder de mobilidade elétrica. Por isso, vamos ajudar a tirar os carros poluentes das ruas com o ekoAbate. E vamos facilitar o carregamento com o ekoCharge e o ekotron. Este é o Renault ekoplan. Conheça as iniciativas em renault.pt.