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A este jornal junta-se agora o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras. Bom dia.
Muito bom dia.
Como é que a autarquia se está a organizar neste apoio à Ucrânia?
Basicamente, a ação tem dois pilares: um é a recolha e posterior envio de bens para a Ucrânia e a segunda é a preparação de operações que permitam acolher cidadãos ucranianos, especialmente familiares e amigos dos cidadãos ucranianos que residem em Cascais, que são cerca de 600 elementos da comunidade ucraniana. Tudo isso desenvolve-se com um conjunto de outras ações, nomeadamente na recolha de bens, que já está a ocorrer e já aproveitámos alguns transportes, não ainda organizados pela Câmara, mas aproveitámos outros transportes para fazer chegar bens à Ucrânia. Isso já está a acontecer.
Portanto, nesta altura já seguem alguns bens que foram organizados no Conselho de Cascais, que já estão a caminho da Ucrânia. As escolas do Conselho também estão a ser envolvidas nesta recolha de bens.
Basicamente, está toda a comunidade envolvida, quer escolas, quer todo o movimento associativo, seja ele cultural, desportivo, recreativo, todos eles estão a ser chamados a colaborar nesta grande ação de solidariedade para com o povo ucraniano.
E qual tem sido a recetividade?
O povo português, em geral, e Cascais, em particular, somos sempre muito solidários e estamos sempre muito disponíveis para ajudar quem precise. E, neste caso, não surge dúvidas a ninguém de que, de facto, há um povo inteiro que está a precisar de ajuda e está a precisar que a gente manifeste, em termos práticos e objetivos, toda a nossa solidariedade e também todo o nosso humanismo.
As ações solidárias que estão a ser feitas e que começaram a ser feitas por iniciativa própria, de uma forma individual, passam a ter a coordenação da autarquia. Será mais fácil se a autarquia, de alguma forma, centralizar essas iniciativas?
Sim, é isso que está a acontecer, juntamente também com as próprias Juntas de Freguesia, porque, para dar um exemplo, cada um dos pontos de recolha do movimento associativo, das escolas, etc., depois não tem grande capacidade de armazenagem. Nós temos o nosso centro logístico, que já foi readaptado, porque era o centro logístico que esteve e está no combate à Covid, e agora está também a servir para dar este apoio a nível de bens.
Portanto, mudou a função.
Não mudou, duplicou, porque tínhamos e mantemos a necessidade ainda de combate à Covid, não orgámos ainda esse processo. São operações, quer uma, quer outra, embora completamente diferentes, mas que têm em comum obrigar a uma logística muito complexa e, por isso, nós temos já equipas que, infelizmente, se foram especializando em toda esta logística de combate à Covid e que estão agora também a fazer e a coordenar todo esse processo no apoio ao povo ucraniano.
Carlos Carreiras, relativamente à recepção e ao acolhimento de refugiados, já nos disse que a comunidade ucraniana no Conselho de Cascais será de cerca de 600 pessoas. Qual é o plano para receber e quantas pessoas poderá o Conselho receber?
Nós, neste momento, estamos também a preparar a parte do acolhimento, mas antes do acolhimento há todo um processo que já está a ser preparado, que já posso explicar, mas neste momento estimamos em ter capacidade para alojamento de emergência provisório para cerca de 300 cidadãos ucranianos e vamos desenvolver uma campanha para as famílias de Cascais acolherem também as famílias ucranianas, porque não sabemos até onde é que vai escalar em números essa necessidade. Esperemos que não seja necessário muito, mas não temos essa possibilidade de fazer esse planeamento. E estamos, neste momento, a preparar para poder acolher provisoriamente 300. Ou seja, temos uma bolsa para 300 e depois, à medida que também formos sendo capazes, por um lado, de haver acolhimento das famílias de Cascais para famílias ucranianas, que basicamente são, como já sabemos, mães, filhos e crianças, para depois podermos estar permanentemente envolvidos nessa recepção das famílias ucranianas em Cascais. De qualquer dos modos, ainda antes disso, já estamos, em primeira ação da parte de acolhimento, a desenvolver um conjunto de contactos com entidades, com parceiros que temos nos países de fronteira com a Ucrânia, nomeadamente na Polónia e na Roménia. Para se ter uma ideia, nós somos geminados com duas cidades, uma na Roménia, que é Sinaia, outra na Moldávia, que é o Gale. E estamos, neste momento, a preparar, porque a ideia é que vamos enviar duas equipas, uma para a Polónia, outra para a Roménia, para montar lá primeiro todo o processo logístico de acolhimento dos refugiados e depois tratar do transporte desses refugiados até Cascais, que também está a ser estudada a forma de o poder fazer, quer seja de comboio, de avião ou, eventualmente, de autocarros que irão de Cascais propositadamente para trazer de volta esses mesmos refugiados. Mas estamos a falar, naturalmente, de operações que precisam de ser estudadas. Dar o exemplo também no caso dos refugiados, daquilo que são os nossos contactos com zonas de fronteira, quer do lado de países não a Ucrânia. No caso, a Roménia, Moldávia e a Polónia. Não vale muito e pode ser até perigoso para quem vai e para quem lá está, ir para junto mesmo dos postos fronteiriços. A ideia é criar bases a cerca de 200 km da fronteira, também em conjunto com as autoridades romenas e com as autoridades polacas. Há capacidade no terreno para transportar esses 200 km desses refugiados.
É preciso, de facto, uma articulação e a criação de uma rede vasta.