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Este é o Gabinete de Guerra, um podcast da Rádio Observador, em que olhamos para as mais recentes notícias da guerra na Ucrânia. João Vieira Borges, a NATO garante que a Rússia não vai vencer a guerra pelo cansaço. Pergunto-lhe como é que analisa as últimas declarações desta semana de Jens Stoltenberg sobre este conflito e a posição da NATO nos últimos tempos?

A posição da NATO mantém-se na mesma linha, só que a NATO tem consciência, sobretudo no final deste ano, que efetivamente há condicionantes enormes em termos do apoio à Ucrânia, designadamente no que respeita às munições. Estando previstas mil milhões terem 300 mil ou um milhão estarem 300 mil, é uma diferença significativa que mostra a incapacidade da indústria europeia e americana, não tanto relacionado com o conflito em Gaza, não tem relação direta, até porque são dois conflitos muito diferentes, com tipos de apoio até diferentes. Estamos a falar de um conflito de uma guerra convencional, em que, por exemplo, em termos de munições, Israel não tem as mesmas necessidades. E, portanto, aqui o próprio presidente da Ucrânia, ainda ontem e hoje, o Zelensky, dizia que efetivamente continua a necessitar de munições e de antiaérea e defesa aérea em geral, continua sem ter os meios mínimos para fazer face a uma verdadeira ofensiva. Isto não tem sido dito, mas eu tenho analisado na última semana e, na prática, a Rússia está numa ofensiva. Aquilo que nós vínhamos dizendo antes que era a Ucrânia que estava a ter a iniciativa, eu só vejo ter a iniciativa em Kherson. Eu olho para aquele mapa de operações que tenho aqui à frente e para mim, quem está a atacar neste momento, e de que maneira, é a Rússia, com 101 confrontos de combate só ontem, com 75 anteontem, com 80 e tal ontem. Portanto, toda a semana tem sido uma verdadeira ofensiva da parte da Rússia. Não se tem falado nisso e a Rússia tem ocupado espaço nos vários eixos de aproximação. Nós olhamos para o mapa e não é só o cerco de Avdiivka que é importantíssimo para depois conquista da zona de Donetsk. Eu olho para o teatro de operações e infelizmente só vejo vermelhos, porque nós no mapa de operações temos a Rússia a vermelho, temos, obviamente, a Ucrânia a azul. E a situação está muitíssimo complicada. Eu penso que quem esteve naquela reunião da NATO, inclusivamente os representantes portugueses, têm noção disso. É muito importante mandar a mensagem de que a Ucrânia precisa de algo para fazer a diferença no teatro de operações. Não é só segurar o terreno, e aí agora está a ajudar um bocado o jornal "Inverno", mas caso contrário, daquilo que eu vejo com as ofensivas da parte da Rússia, a situação ainda seria pior. Portanto, é muito importante que a NATO não se fique pelos discursos. O Zelensky está farto de discursos, quer é o material lá e o material não chega, e nós sabemos isso. Infelizmente, é isso que se está a passar no teatro de operações. E o diferencial não é só em termos de equipamento, em termos que é muito equilibrado das duas partes. Tinha que haver algo para fazer a diferença, para compensar o diferencial enorme em termos de recursos humanos, em termos dos militares que estão no teatro de operações. A Rússia continua a ter muito mais gente e a fazer recompletamentos. Eu vejo aqui unidades todos os dias a chegar, uma nova divisão que chegou ontem. Enquanto que a Ucrânia está nos limites, e isto é muito complicado. Ficarmos pelo discurso que vamos vencer ou que a Rússia não vai vencer, não chega. Eu compreendo o Zelensky, compreendo os comandantes militares ucranianos que estão cansados do discurso, querem munições, querem sistemas de armas, querem munições e sistemas de armas que também façam a diferença no teatro de operações, caso contrário, é uma mortandade enorme. Isto é importante. Nós andamos distraídos com esta guerra agora em Gaza e aqui é uma mortandade tremenda. Só ontem as baixas relatadas pela Ucrânia de 1180 soldados russos, desgraçados daqueles filhos de mães e de pais que não têm culpa nenhuma e que foram mandados ali para o teatro de operações. Do lado da Ucrânia, a diferença não é muita. Olhando eu aqui, claro que a Ucrânia não diz nada, só relata as baixas do outro lado, mas eu imagino que serão muito semelhantes. É isto todos os dias. Nas últimas três, quatro semanas tem sido uma doideira em termos de mortandade, autêntica mortandade, nós não podemos chamar outro nome. E andamos todos a olhar mais para Gaza. E aquela guerra é muito mais decisiva, porque a guerra de Gaza vai continuar nos próximos mil anos. Aquela vai determinar aquilo que se vai passar nos próximos anos em termos do sistema político internacional. Temos que estar muito atentos a apoiar a Ucrânia.

O Gabinete de Guerra é um podcast da Rádio Observador, vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9h30, tem nova edição depois da síntese das 16h30 e está sempre disponível em podcast. Eu sou a Vanessa Cruz.