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Muito antes de lhe dar a resposta direta a essa questão, gostava de recuperar um pouco umas das ideias que a Helena acabou de veicular. Há vários pilares da guerra híbrida, ela abordou um deles, mas há um outro que é um pilar que se vai desenvolvendo no tempo, porque é uma ação de paciência e que consiste pura e simplesmente em fomentar partidos e governos simpatéticos às causas do Kremlin. E o Ocidente esteve praticamente adormecido e a assistir como se isso não tivesse implicações futuras no nosso modo de vida e nos resultados, eventualmente, até de muitas eleições neste nosso mundo ocidental. Portanto, fomentar partidos, fomentar governos, comprometendo claramente individualidades nas quais o Kremlin aposta, subsidiando partidos, fundamentalmente da extrema-direita. E quer individualizados, quer partidos, ficam em uma posição de vassalagem pro futuro. E é isto que está a acontecer. E nos Estados Unidos, eu não estou a afirmar que é isso que está a acontecer, mas até parece. Porque ontem naquele encontro na Casa Branca, com uma agenda que não chegou a ter lugar, só o início dessa agenda a que nós pudemos assistir, e vimos ali o ataque cerrado por parte de duas pessoas, de dois representantes dos Estados Unidos, o presidente e o vice-presidente, a um homem que simplesmente cuidou em defender os interesses do seu país, que não foi indelicado, não foi malcriado e apenas tentou chegar a um acordo que fosse, no mínimo, justo também pra Ucrânia. Porque estar a assinar a cedência de riquezas de valor apreciável, a troco de nada, que era isso que ia acontecer, não era correto. Agora, a questão de se a Ucrânia é capaz de sobreviver.

Exatamente.

Eu relembraria que a Ucrânia foi capaz de sobreviver durante seis meses sem apoio americano. Acho que todos nós ainda nos recordamos disso.

Major-general, agora a questão do desgaste.

Relativamente à questão do desgaste, é importante dizer que a Ucrânia nunca teve um exército tão volumoso como tem hoje. A Ucrânia aproxima-se a passos largos de umas Forças Armadas de 1 milhão de homens. Portanto, nunca teve tanta capacidade militar, em termos humanos, como tem agora. Aliás, é bom referir que no final do mês de janeiro, a Rússia foi perdendo o fulgor na sua capacidade pra levar a cabo ações ofensivas ao longo de uma frente extensíssima, cerca de 1300 km, sem contar com a questão de Kursk, que isso é uma questão que pode ser abordada à parte. Foi perdendo fulgor e o número de ações de combate diminuíram sensivelmente pra metade. Isso deve-se a quê? Deve-se, de fato, ao desgaste a que têm sido sujeitas as forças da Federação Russa, que estiveram todo o ano de 2024 numa toada ofensiva, em que tiveram a iniciativa no campo de batalha. E o que é que conseguiram? Nós já tivemos a oportunidade de comparar aquilo que eram os avanços russos ou a frente, os tais 1300 km no início de 2024, e aquilo que eles são no final de 2024 ou até no final de janeiro de 2025.

Major-general, estamos a chegar ao final do nosso tempo, portanto, para concluir.

Aquilo que lhe vou dizer é: o que nós sabemos, e são dados veiculados pela própria Ucrânia e pelo Estado-Maior das suas Forças Armadas, a Ucrânia tem uma dependência grande, fundamentalmente, em determinado tipo de munições dos Estados Unidos da América. Estamos a falar fundamentalmente dos sistemas de defesa antiaérea, dos sistemas Patriot e de outros sistemas, não apenas o Patriot, mas fundamentalmente o Patriot. O resto dos sistemas, dos sistemas NASAMS, a Noruega também fabrica munições pro sistema NASAMS, o sistema IRIS-T, a Alemanha é que fabrica as munições.

Portanto, há aqui alguma hipótese de...

Vamos lá ver. Há uma hipótese. E pra arrematar: a Ucrânia tem reservas para aguentar as forças da Federação Russa, pelo menos para seis meses.

E fica clara essa posição, major-general Isidro.

São seis meses que a Europa tem para se poder substituir, de alguma forma, algumas áreas em que a Europa é deficitária relativamente aos Estados Unidos pra continuar a apoiar a Ucrânia