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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Altura de desfazer ideias feitas. Junta-se a nós o Alberto Gonçalves. Alberto, boa tarde.
Olá, boa tarde.
Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre a Maria Flor Pedroso, que se demitiu, que apresentou a demissão do cargo de Diretora de Informação da RTP, na sequência daquele conflito com a equipa dos jornalistas do "Sexta às 21h".
Sim, na verdade, eram dois conflitos, ambos com a equipa de jornalistas do "Sexta às 21h".
O primeiro foi aquele sobre o lítio, não é? Aquele mais conhecido.
Exatamente, a mais conhecida é a questão do lítio, da reportagem que era para ter saído antes das legislativas e acabou por ser adiada e foi transmitida depois, numa altura em que já não poderia ter qualquer interferência nas eleições, obviamente. Aquela questão que envolvia o Ministério do Ambiente e o Secretário de Estado do Ambiente e a exploração de lítio, uma exploração de lítio que foi concedida a uma empresa ligada ao PS e com os contornos muito duvidosos, essa empresa e a própria concessão. E depois o segundo caso prende-se com uma escola de jornalismo, que eu francamente não conheço, mas em que a dona Maria Flor Pedroso deu aulas. E pelos vistos, a Sandra Felgueiras, que é a responsável pelo "Sexta às 21h", acusou a agora ex-diretora de informação da RTP de ter tentado boicotar essa reportagem, aconselhando a responsável por essa escola, onde alegadamente se passaram uns negócios menos corretos. A dona Maria Flor Pedroso aconselhou a responsável da escola a não prestar qualquer depoimento ao "Sexta às 21h", tentando assim impedir, e ao que parece conseguindo, penso que a reportagem não se chegou a realizar. E essa foi uma denúncia da Sandra Felgueiras. Entretanto, o que aconteceu agora foi que finalmente, ou felizmente, a dona Maria Flor Pedroso enviou uma carta ao presidente da RTP a apresentar a sua demissão. Infelizmente, a parte que não é tão feliz é que nessa carta a dona Maria Flor Pedroso voltou a afirmar que, como já tinha dito antes, até na Assembleia da República, que nunca cedeu a qualquer outra motivação que não, quero citar isto literalmente, "a causa de uma informação livre, isenta, plural e independente e que face à reiterada exposição pública de insinuações, mentiras e calúnias, à qual eu e a minha direção somos totalmente alheios, e face aos danos reputacionais causados à RTP, considero não haver condições para a prossecução de um trabalho sério, respeitado e construtivo, como tentámos realizar ao longo deste ano de mandato." Ou seja, antigamente, pelo menos no antigo regime, a censura chamava-se censura, ao menos assumia o que era. Agora a censura parece que se chama informação livre, isenta, plural e independente. Há muitos regimes nada aconselháveis em que o controle da informação tem estes nomes. Este tipo de atitude na saída, primeiro, se a informação fosse livre, isenta, plural e independente, imagino que a dona Maria Flor Pedroso não apresentaria a demissão. Temeria e com toda a razão, nesse caso, se tivesse essa razão, temeria manter o seu lugar e defender-se-ia em condições. Estas saídas assim, nem se querem sair pela porta pequena, é mais sair assim por aquela frincha que fica entre a porta e o chão. Para além disto, é interessante que neste período, desde o início da polêmica até agora, até a demissão, houve uma carta a ser assinada por jornalistas, em que dezenas e dezenas de jornalistas que subscreveram, de apoio, não à Sandra Felgueiras, que ao que tudo indica apenas está a tentar fazer o seu trabalho, e o trabalho que os jornalistas de fato e os jornalistas a sério devem fazer, mas uma carta de apoio à dona Maria Flor Pedroso, que agora pelos vistos já não terá muita utilidade, mas tem uma utilidade, sim. Aconselho as pessoas a consultarem, eu não consegui encontrar um link direto para esta carta, apenas a vi publicada aqui pelas redes sociais. Presumo que seja verdadeira e que no sábado à noite já tinha mais de 150 assinaturas. E é interessante passar os olhos, pelo menos, por essas assinaturas e ver quem são as pessoas que concordam com esta forma de fazer, agora com muitas aspas, bastam duas, jornalismo. E temos aqui nomes como Adelino Gomes e Anabela Mota Ribeiro, uns nomes mais conhecidos, Ana Sousa Dias, Anselmo Crespo, António Pedro Ferreira, Carlos Andrade. Estou aqui a citar os nomes que reconheço mais imediatamente, Fernando Alves, Francisco Sena Santos, etc. Até sábado à noite havia cerca de 150 nomes, hoje já é capaz de ter acabado. Presumo que a circunstância da demissão tenha acalmado um bocadinho o entusiasmo destas pessoas. O Ricardo Costa, por exemplo, irmão do primeiro-ministro. Podemos chegar a saber, através desta subscrição, o que estes senhores acham que deve ser o jornalismo. E depois cabe ao público, compete às pessoas, se gostam de consumir o jornalismo que estes senhores produzem ou não. Isso depois já é uma opinião de cada um. Queria acrescentar ainda o Sérgio Figueiredo, responsável pela TVI, etc. Quanto à saída da dona Maria Flor Pedroso, em relação ao que se pode esperar da informação da RTP, também não acho que vá haver diferenças de maior. É uma mudança pessoal, no sentido literal, de que sai uma pessoa e vai entrar outra pessoa que vai cumprir, de certeza, os objetivos da RTP de servir o poder que lá está e muito particularmente quando o poder é do PS.
Obrigado, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves a desfazer ideias feitas sobre a saída de Maria Flor Pedroso do cargo da direção de informação da RTP. O Conselho de Administração da Rádio e Televisão Pública Portuguesa emitiu esta segunda-feira esse comunicado a anunciar que aceitou o pedido de demissão de Maria Flor Pedroso do cargo de diretora de informação. Tinha assumido o cargo em outubro de 2018.
Rádio Observador, 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto. Aconteça o que acontecer.