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Muito boa tarde, obrigado por estar com o Observador. Está com a tarde em direto. Eu sou o Vicente Figueira, ainda desde casa, comigo está até às 20h o jornalista João Alexandre. E para já é tempo de desfazer ideias feitas com o comentador do Observador, Alberto Gonçalves. Alberto, muito boa tarde.
Olá, boa tarde.
Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer voltar ao tema dos motins nos Estados Unidos, estes protestos dos últimos dias, mas neste caso para falar de reações. E tem havido algumas, começamos por quais?
Eu ontem falei de algumas reações aqui em Portugal, mas num sentido genérico, porque não estava a identificar as pessoas, foram apenas opiniões que eu colhi nas redes, num jornal ou outro, mas foi uma coisa absolutamente genérica. E entretanto reparei que temos pessoas minimamente públicas ou identificáveis em público, estou a falar de deputados do PS, de vários deputados ou da quase totalidade de deputados do Bloco de Esquerda, por exemplo, de comentadores televisivos, de um ou outro colunista da imprensa, identificarem-se em absoluto e sem restrições com o tal movimento Antifa, que nos Estados Unidos está a ajudar a promover esta violência e incentivar os saques, a destruição, agressões e até mortes. E acho curioso que essas pessoas não tenham qualquer pudor em se identificar com o movimento. Alguns deles até deputados, volto a dizer, pessoas que representam supostamente o povo português e não veem problema nenhum em usar essa representação de que as incumbiram para manifestar a glorificação da violência e, em alguns casos, a glorificação da morte. Eu noto que uma dirigente do Bloco de Esquerda, eu suponho que é dirigente do Bloco de Esquerda, é de certeza colunista do Público e é de certeza, ou quase certeza absoluta, filha do historiador Fernando Rosas. Portanto, é uma pessoa também ligada ao Bloco ou navega pelo menos por essas áreas. E essa senhora, que se chama Leonor Rosas, salvo erro, acho que foi hoje, publicou um tweet em que tem uma fotografia do Mussolini enforcado, do Mussolini e das pessoas que foram enforcadas com ele em 1945, e declara-se antifa, mas acha que a ideia de enforcar, mesmo sendo fascistas ou que se entende que sejam fascistas, seja o Mussolini ou seja quem essa senhora dona Leonor entende que seja fascista, enforcar alguém sem julgamento e de forma sumária e imediata, que é um propósito e uma iniciativa louvável. E como nós sabemos, as pessoas que o Bloco e alguns setores do PS e do PCP acham fascistas, há um risco real ou pelo menos um risco teórico que todos corremos, ou que muitos de nós corremos, se essas pessoas tiverem um dia mais poder do que aquele que já têm. Isso não é, de forma nenhuma, nada que nos faça estar descansados, porque uma coisa são estes motins nos Estados Unidos e estas coisas que até um certo ponto há uma legitimidade no protesto, dado o homicídio do senhor George Floyd. Depois há toda a delinquência e repito o que disse ontem, são apenas assaltos, são ladrões que estão a assaltar lojas para ter acesso a produtos que gostariam de ter e não querem comprar, e assim não podem comprar. E outra coisa ainda é este movimento que apenas pretende a destruição e aniquilação absoluta do outro. E o fato de se dizer que o outro é fascista é apenas uma desculpa, porque não basta declarar que alguém é fascista, no caso do Mussolini, provavelmente estariam muito corretos. No caso das outras pessoas que esta gente acha fascistas, acho que há nitidamente uma certa liberdade poética na aplicação do conceito. Além disto, também há uma outra questão nas reações aqui em Portugal e que não se prende exatamente por aquilo que eu disse até agora. É só um bocadinho diferente, e é aquilo que se vê nas televisões, mas também se vê nestas pessoas que gostam muito do movimento Antifa, ou pelo menos que mostram alguma simpatia. Estava ontem a falar sobre isto com o Vitor Elias, que é escritor e também assina uns textos no Inimigo Público, etc. Estávamos a falar por internet brevemente sobre o assunto e ele lembrou uma questão curiosa, que é o fato de se achar que a única forma de reação dos negros americanos, no caso, é apenas através da destruição e do protesto. Quer dizer, que ao negro está interdita qualquer forma mais sofisticada de reação. É evidente que a grande maioria dos negros americanos têm reagido a esta situação de formas mais sofisticadas que aquelas como o movimento Antifa e que os senhores deputados do PS e do Bloco gostariam. Mas a ideia é que o próprio Joe Biden disse que só um verdadeiro negro vota democrata, quem votar republicano não é um verdadeiro negro. Portanto, o branco continua a exercer uma espécie de paternalismo sobre o negro, no sentido de determinar aquilo de que o negro é capaz e aquilo de que o negro pode fazer para se legitimar enquanto tal, enquanto negro. Não pode esgrimir argumentos mais elaborados noutras áreas que não têm nada a ver com isto, mas não pode fazer música mais complexa ou sofisticada, porque a música dos negros tem que ser música de rua e música com mensagem de protesto, etc. Isto é apenas um exemplo, mas poderíamos ir a muitos outros. É engraçado notar que estas pessoas que fingem combater o racismo são profundamente racistas. Não sei se é a pior forma de racismo, há piores ainda, mas está na base do racismo que depois leva à discriminação e leva a casos de excessos como o que aconteceu O infeliz do senhor George Floyd. Como é evidente, estas pessoas acham nitidamente que podem determinar os limites de comportamento de um cidadão, desde que ele seja negro. Isto é curioso. E estou a falar não só dos tais deputados, como mesmo de pivôs televisivos. A forma como eles comentam estes casos dá um bocadinho a ideia disso, dá um bocadinho a ideia de que é legítimo reagir assim, porque se é negro, é assim, através da violência e do saque, que é apropriado reagir. É apenas uma curiosidade.
Ficam essas curiosidades e essas dúvidas e indagações e interrogações por parte do Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves hoje a desfazer ideias feitas sobre os motins nos Estados Unidos, mais precisamente também sobre as reações que tem havido ao longo dos últimos dias e das últimas horas também em Portugal. E este é um tema que vamos continuar também a acompanhar aqui na Rádio Observador. Até amanhã, Alberto Gonçalves. Amanhã voltamos a desfazer ideias feitas com o comentador do Observador, Alberto Gonçalves. A edição de hoje fica disponível em podcast já daqui a pouco nas plataformas habituais e em observador.pt. Já a seguir, fique por aqui. Vamos atualizar toda a informação no Observador.
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