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Está na hora de desfazer ideias feitas com o comentador do Observador, Alberto Gonçalves. Alberto, muito boa tarde.

Olá, boa tarde.

Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre cultura do ministério e também da RTP e de uma verba de cerca de € 1 milhão para um festival de música online, é o TV Fest.

Exatamente. Quando fomos todos remetidos para este confinamento, começou a haver uma certa tendência de músicos, estou a falar no caso português, mas deve ter havido noutros sítios também. Músicos apanharam as pessoas em casa e assim um bocadinho à má fila, como se diz, resolveram atirar-lhes com uns concertos para cima. Mas as pessoas ainda conseguiam escapar e, sobretudo, tinham a vantagem de não estar a pagar por esses concertos. Eram manifestações mais ou menos espontâneas dos ditos artistas, as quais não nos custavam um cêntimo. Agora, pelos vistos, alguns artistas mais bem relacionados junto dos poderes e de quem gere o nosso dinheiro, repararam que convinha que se calhar juntassem o útil ao desagradável e resolveram arranjar uma maneira de ganhar dinheiro com isto. E o Ministério da Cultura, em parceria com a RTP, resolveu disponibilizar uma verba de cerca de € 1 milhão para pagar a alguns artistas para nos oferecer música online, porque como se sabe, a internet tem muito pouca música e nós estávamos carentes de ouvir artistas dos quais, por acaso, a maioria nunca ouviu falar, mas temos um caso que eu gostaria de destacar, que é o do Fernando Tordo, que pelo que eu sabia até há pouco, tinha se exilado no Brasil, em protesto contra o governo fascista do Pedro Passos Coelho. E pelos vistos já regressou, ou foi exilado, entretanto exilou-se do Brasil e exilou-se em Portugal para nossa alegria e vai ser um dos artistas beneficiados desses dinheiros públicos, que lhe vão pagar um concerto que será certamente excelente. Eu acho muito bem que isto aconteça. Acho muito bem que se impulsione a cultura, especialmente quando a cultura em causa é o senhor Fernando Tordo e mais uns artistas que decerto serão excelentes, que eu não conheço. E acho que isto neste país que faz sentido, porque como se sabe, nesta matéria, no que diz respeito às carências ligadas ao combate ao coronavírus, não nos tem faltado nada, tal como o doutor Costa prometeu. Portanto, há máscaras em abundância, há ventiladores, há câmaras para cuidados intensivos e temos tido dado resposta a tudo e vamos continuar a dar. Espero que o vírus diminua, se o vírus aumentar, estaremos de certeza preparados, como sempre nos avisaram. E portanto, há dinheiro a sobrar para pagar aquilo a que em Portugal se chama cultura. Acho que 1 milhão é capaz de ser pouco e talvez possamos subir essa verba e contratar mais artistas. Eu acho indecente contratar-se o Fernando Tordo e não se chamar, por exemplo, o seu parceiro Carlos Mendes, que andava aí em protestos aqui há uns anos nas bancadas da Assembleia da República, ao lado do Bloco de Esquerda. Acho que os nossos artistas merecem e acho que o público português merece que pagar por ouvir artistas que normalmente não ouviria. Mas o povo tem que ser educado, senão não vai lá.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves a desfazer ideias feitas sobre este festival de música, o TV Fest, que arranca esta quinta-feira no pequeno ecrã e também online. O Ministério da Cultura vai avançar com € 1 milhão para pagar aos artistas e aos técnicos que vão participar nesta iniciativa. Fernando Tordo, Mariza Liz, Ricardo Ribeiro e Rita Guerra são apenas alguns dos nomes deste festival que vai estar nos ecrãs televisivos durante cerca de um mês. E amanhã voltamos a desfazer ideias feitas com o comentador do Observador, Alberto Gonçalves. A edição de hoje vai ficar disponível em podcast nas plataformas habituais e como sempre, em observador.pt.

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