Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Significa esta música que está tudo pronto para o Ideias Feitas. Alberto Gonçalves, bem-vindo.
Olá, boa tarde.
Olá, viva Alberto Gonçalves. O Alberto Gonçalves hoje quer desfazer ideias feitas sobre o crime de desobediência para quem não respeitar o estado de emergência. Isto porque no diploma do estado de emergência, que vai estar em vigor até 7 de janeiro, é apontado que a violação das normas desta declaração configura um crime de desobediência.
Sim, é uma inovação. Mas para começar pelo início, passe a redundância, eu queria notar que os portugueses, ou uma percentagem considerável de portugueses, têm confiança no professor Marcelo, pelo menos confiança suficiente para dizerem nas sondagens que vão votar nele. E provavelmente vão votar em número suficiente para ele ganhar as eleições. Se é à primeira volta, provavelmente é. Se é à segunda, não importa muito para o caso. O ponto aqui é que muitos portugueses confiam no professor Marcelo. Ora bem, infelizmente, a recíproca não parece ser verdadeira. Aparentemente, o professor Marcelo não confia em português nenhum, ou praticamente nenhum, porque vejamos: desde o início desta história, destas reações à Covid, desta espécie de estratégia, não merece o nome, mas chamemos-lhe assim, estratégia de combater a Covid, o professor Marcelo começou por deixar o governo tomar medidas restritivas da vida e dos negócios das pessoas sem qualquer legalidade. Depois começou a estabelecer estes decretos de estados de contingência e de emergência sucessivos, em fases diferentes, é verdade, mas fê-lo, de modo a que o governo pudesse restringir ainda mais a liberdade das pessoas a seu bel-prazer e sem resultados propriamente palpáveis ou muito perceptíveis ou muito racionais. E depois agora por fim, ou por fim não, mas para já, vamos ver até onde isto vai. Hoje foi aprovado um novo estado de emergência e o professor Marcelo resolveu adicionar a esse estado de emergência a criminalização de quem desobedecer ao recolhimento, ao confinamento, àquelas medidas de profilaxia em que as pessoas têm que estar fechadas em casa mesmo que não tenham Covid, só porque estiveram em contacto com alguém que esteve em contacto com alguém, etc. O professor Marcelo passa a vida a dizer que os portugueses são os melhores do mundo. Às vezes em categorias específicas, somos a melhor polícia do mundo ou os melhores futebolistas do mundo, ou temos os melhores padeiros do mundo, não sei o quê. E depois também dizem, de forma muito generalizada e ambiciosa, que os portugueses em geral, nós todos, somos os melhores do mundo. A frase em si obviamente não faz sentido absolutamente nenhum e seria anedótica, mas deveria ter algum, pelo menos de notar que o professor Marcelo tem alguma espécie de crença ou de confiança nas atitudes e nos comportamentos dos portugueses. Ora bem, estas medidas de restrição e de punição agora, porque quem desafiar as regras do confinamento ou do recolher obrigatório, pelos vistos agora comete um crime, e isto é uma vontade do professor Marcelo. O professor Marcelo quer que assim seja. Isto demonstra que o professor Marcelo tem os portugueses numa conta baixíssima. Ele não nos acha os melhores do mundo. Ele acha-nos com certeza, e as suas ações é que o demonstram, não interessa as frases ocas que ele vai dizendo. As suas ações demonstram que ele nos tem numa péssima conta, que ele acha que não somos capazes de tratar de nós e que não temos a mínima capacidade ou noção de saber o que é melhor ou pior para cada um de nós nesta matéria da Covid. Mas quem pensa isto assim sobre este assunto, pensará sobre qualquer outro assunto. O professor Marcelo nitidamente não nos acha grande coisa. Ora, é um bocadinho ingrato, por um lado, e é um bocadinho absurdo que isto venha da pessoa que os portugueses se preparam para reeleger Presidente da República. Ora bem, se essa pessoa não tem a mínima confiança em nós e nos trata como potenciais criminosos, deveria ser mais lógico e racional e decente que os portugueses retribuíssem essa opinião e pensassem do professor Marcelo mais ou menos o mesmo que ele pensa deles. Não é isso que vai acontecer, evidentemente, pelo menos para muitos portugueses. E acho que essa atitude que as pessoas deveriam ter, e que não têm, também se deveria aplicar aos outros candidatos mais ou menos apoiados pelos outros partidos que corroboram todas estas medidas, este novo estado de emergência, esta criminalização da desobediência. Os candidatos que são apoiados por esses partidos ou que estão mais ou menos na órbita desses partidos, também não deviam merecer a confiança dos portugueses, já que eles não confiam nos portugueses. O paralelismo é mais ou menos o mesmo. Só que no caso dos outros candidatos é bastante secundário, porque não se vê a perspectiva de qualquer um dos outros, quer os que confiam na sensatez dos portugueses, quer aqueles que não confiam, não vão ser eleitos. O que vai ser eleito é o professor Marcelo. E sinceramente não devia, não merecia ser eleito nestas circunstâncias, porque o professor Marcelo aparentemente não gosta de nós, ou se gosta de nós, gosta de nós não como pessoas e como cidadãos autónomos e consumados, mas como uma gente infantilizada e um bocadinho a dar para o desviante e para o criminoso, etc., que precisa de ser metida na linha e se não cumprir, precisa ser castigada em função disso. Sinceramente, para além de todo o medo que o professor Marcelo e as autoridades em geral têm instigado a propósito da Covid, isto é do pior que se fez em toda esta linhagem destes nove meses de vírus, é do pior que já emanou das autoridades ou de alguém, ou de um estadista ou do poder. Esta atitude de criminalizar especificamente uma pessoa que seja encontrada às 14h de um sábado no meio da rua e ser considerado um crime é absolutamente vergonhoso, sinceramente, é a palavra. O professor Marcelo desta vez ainda foi mais longe do que aquilo que já tinha ido e vamos ver até onde ele vai, porque isto não parece haver grandes limites.
É isso mesmo que aponta esse diploma do estado de emergência, que tem efeitos entre o dia 24 deste mês e o próximo dia 7 de janeiro. Hoje o Alberto Gonçalves a desfazer ideias feitas sobre esse crime de desobediência para quem não respeitar o estado de emergência. Recordar também que já hoje o Presidente da República, numa mensagem a propósito da renovação do estado de emergência publicada no site da Presidência da República, pede aos portugueses para que se comprometam com o cumprimento das regras. Fala mesmo num contrato de confiança.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.