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A esta hora o comentário faz-se com Alberto Gonçalves. Alberto, pronto para mais um "Ideias Feitas"?

Sim, boa tarde.

Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. E hoje o Alberto Gonçalves quer olhar para as declarações do líder das Nações Unidas, António Guterres, a propósito de declarações relacionadas com a Covid-19, mas também com a cultura patriarcal.

Sim, as declarações do engenheiro Guterres já foram feitas no último dia de agosto, salvo erro, mas têm sido alvo de algum tratamento na imprensa internacional e acho que passaram um pouco despercebidas entre nós, o que é uma pena, porque as declarações merecem relevo. Nós, portugueses, muitas vezes achamo-nos os melhores do mundo ou temos até o professor Marcelo que nos diz frequentemente que somos os melhores do mundo numa série de coisas imaginárias. E agora temos, ou pelo menos neste momento estamos a ter, o melhor do mundo numa coisa real. A propósito da Covid, internacionalmente, a nível mundial, já se disseram toda a sorte de disparates, que era um esquema do Bill Gates ou daquele senhor da Tesla para implantar um chip nas pessoas, que a Covid era igual a uma guerra, que era a maior ameaça à humanidade desde não sei o quê ou não sei quando. Mas agora, neste momento, realmente e factualmente, um português lidera o campeonato mundial dos disparates acerca da Covid, porque o engenheiro Guterres, no dia 31 de agosto, salvo erro, repito, e ele é o secretário-geral da ONU, proferiu o seguinte conjunto, eu vou resumir muito e traduzir do inglês dele. Eu peço desculpa antecipadamente pelo português, mas o inglês dele acreditem que era ainda pior. E passo a citar: "A pandemia da Covid está a demonstrar o que todos sabemos. Milênios de sistemas patriarcais resultaram num mundo dominado pelo homem, com uma cultura dominada pelo homem que prejudica cada um de nós." E mais: "A Covid está a acentuar desigualdades já existentes, incluindo a desigualdade de gênero. Já estão a ser revertidas décadas de ténue progresso na desigualdade de gênero e nos direitos das mulheres." Ora bem, eu acho que não vale a pena repetir, mas guardo dois segundos só para que isto cale fundo nas pessoas. Se quiséssemos começar por desconversar, podíamos perguntar, isto nem sequer em si faz sentido nenhum, quer dizer, podemos perguntar se a desigualdade de gênero é que causou a Covid ou se a Covid causou a desigualdade de gênero, mas isto seria levar minimamente a sério todo este palavreado. E este palavreado não pode ser evidentemente levado a sério. Isto deve ser encarado pelo seu valor facial, por aquilo que é, que é o pensamento de um homem que, pelo menos neste momento, é incapaz de ter um pensamento claro e razoável sobre qualquer assunto. É impensável que uma pessoa adulta, minimamente responsável, já não estou a falar do secretário-geral da ONU, não é que a ONU seja um monumento à responsabilidade, mas uma pessoa, um adulto normal, com uma profissão normal e uma vida normal. Não faz sentido nenhum que diga uma coisa destas e não merece sequer que se contra-argumente. Isto merece só ser divulgado. E o engenheiro Guterres disse isto, é uma pessoa adulta que se presumia responsável, minimamente, e arrisca-se a ser, para já, o secretário-geral mais excêntrico que a ONU já teve. E um dos anteriores até tinha um passado nazi. Não estou a comparar, mas em termos de excentricidade, isto é uma excentricidade mais jovial, mais feliz, evidentemente, mas em termos de excentricidade, o engenheiro Guterres não está a dar hipótese aos antecessores. E ele tem-se esforçado. Já houve aquela capa da revista Time em que ele aparece com as calças arregaçadas ou com o fato enfiado num atol qualquer, não sei bem.

Relacionado com as alterações climáticas.

Com as alterações climáticas, exatamente. Foi uma imagem já peculiar. Mas pronto, o engenheiro Guterres tem-se esforçado. Entretanto, também não é esse o foco da questão, mas se ele fosse coerente, depois deste desabafo tão sentido contra a influência dos homens, dos homens no sentido do lado masculino da espécie, a verdade é que ele não se demite de um cargo que até hoje foi sempre ocupado por homens, continua a ser ocupado por um homem, e ele não se demite para dar lugar a uma senhora, o que nesta circunstância só lhe ficava bem. Eu acho, por mim, por acaso, espero que ele não se demita, porque isto, bem vistas as coisas, não tem grande gravidade e tem graça. E ele leva o nome de Portugal longe. Não exatamente pelos melhores motivos, mas pelos motivos que também não são os mais graves do mundo. Há um lado divertido nisto, estou a falar sinceramente, acho que há alguma coisa disto que diverte. E é garantido que talvez não seja declarado que o prêmio seja por ele ter dito o maior disparate acerca da Covid, num campeonato muitíssimo concorrido, mas é garantido que ele vai ter uma comenda do professor Marcelo. Quando deixar o cargo, já deve ter tido alguma, é capaz de ter mais uma ou duas ou três. A única nota mais séria disto é que a Organização Mundial de Saúde, que é quem vem regulamentando por sugestões, recomendações, obrigações, as nossas vidas durante esta epidemia patriarcal, pelos vistos, está subordinada à ONU, e o secretário-geral da ONU é o engenheiro Guterres, e o engenheiro Guterres diz uma coisa destas. Portanto, é só para as pessoas pensarem um bocadinho em cujas mãos estamos.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves neste final de semana a desfazer ideias feitas a propósito dessas declarações de António Guterres, já com algumas semanas, mas também com toda a pertinência, até porque nesta altura está reunida a 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, onde vai também marcar presença, além de António Guterres, o primeiro-ministro António Costa, e com intervenção marcada para este final de tarde, início de noite.

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