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O que não queres receber neste Natal? Tan, tan, tan, tan. O Vêrus não queria receber roupas neste Natal. Ai que o COVID estraga a festa. Um par de meias. Não quero um carro fixe. É fava do bom rei. Um livro do Homem-Aranha, só do Hulk. O que eu não gostava de ter neste Natal era outro humano. Tenha todos boas festas. Aconteça o que acontecer. Tan, tan, tan, tan. Corta esta parte.

Desfazemos ideias feitas. Alberto Gonçalves, bem-vindo.

Olá, boa tarde.

Olá, viva Alberto Gonçalves. E neste final de semana, o Alberto Gonçalves quer falar de atrasos do plano de vacinação.

Sim, comecei a ver umas notícias por aí que davam conta desses atrasos, justamente. E não é surpreendente, não por eu ter nenhuma capacidades de adivinhação especiais, mas já aqui há umas semanas tinha falado disso, que havia um clima nas autoridades de saúde e políticas para que as pessoas não tivessem grandes expectativas quanto à vacina e quanto à rapidez de aplicação da vacina. Havia algumas frases soltas por aí, umas coisas vagas. E agora sabe-se que o tal plano que foi aqui há uns tempos apresentado, que já não vai ser bem como foi apresentado, que já não vai corresponder à versão mais otimista, não corresponde também à versão mais intermédia ou mais realista, e vai corresponder, se corresponder, à versão mais pessimista. Ou seja, Portugal prepara-se para vacinar até finais de abril, julgo que cerca de 1/20 da população. Os Estados Unidos até finais de abril têm previsto vacinar cerca de 1/3 da população, e a população lá é um bocadinho maior do que a daqui. Os dados que eu consegui foram os dados de França, do Reino Unido em geral, da Escócia em particular, etc. E todos preveem vacinar uma percentagem da população no mesmo período, muito superior àquela que Portugal prevê. Ou seja, enquanto os outros países prepararam locais, técnicos, métodos, formação, etc., para dar conta do plano de vacinação, para levar a cabo, Portugal planeia já os seus atrasos. Portugal, portanto, aquilo que anuncia já previamente são os atrasos que vão acontecer. Não me parece que seja a melhor maneira de lidar com esta questão, sobretudo quando tínhamos agora já tão perto, e temos, a possibilidade de nos livrarmos desta praga que tem trazido prejuízos na saúde e prejuízos ainda maiores no resto, na economia, na vida das pessoas, na cabecinha das pessoas, etc. Agora, eu não sei se isto poderá dever-se a uma de duas razões. Uma delas é a nossa habitual inépcia e a particular inépcia dos senhores que nos governam presentemente, que normalmente se a coisa pode correr mal, vai correr ainda pior nas mãos destes senhores. Ainda por cima o responsável do plano de vacinação, um senhor que agora está, parece que relativamente ocupado, enquanto apoiante de destaque, não sei se é mandatário, mas é pelo menos um apoiante de destaque da candidatura presidencial, de uma candidatura presidencial, no caso é da Marisa Matias, mas não é isso que está em causa. Acho que não era a altura agora para este senhor se evidenciar ou querer notoriedade neste momento numa campanha eleitoral. Acho que o foco dele devia estar voltado exclusivamente, pelo menos na vida pública dele, para esta questão do plano de vacinação. Como não está, é natural que estas coisas derrapem. Não será de certo só culpa do senhor, será culpa do senhor e culpa de uma data de outros senhores que não estão a tratar bem do assunto e daí, donde os atrasos de que estamos a falar. Mas há outra possibilidade para explicar estes atrasos. Eu espero que não seja esta segunda possibilidade, que a segunda possibilidade é os senhores que estão no poder terem se habituado a estas medidas que estão atualmente em voga, estas medidas destes estados de contingência, emergência, etc., e às restrições respetivas que aplicam sem cessar umas em cima das outras. Ontem falei aqui da pouquíssima consideração que o professor Marcelo parece ter dos portugueses, embora os portugueses estejam dispostos, pelo menos numa larga fatia, a votar no professor Marcelo. E eu falei aqui que essa pouca consideração, essa pouquíssima confiança que o professor Marcelo tem nos portugueses, permite ao governo do doutor António Costa ditar, no sentido de ditar literalmente aquilo que quer e impor comportamentos às pessoas, por mais aleatórios e absurdos que sejam, e inconsequentes. E mais uma vez, deixei a possibilidade daquilo que a gente conhecia até ontem, à hora do "Ideias Feitas", não ser ainda o mais grave. Pronto, e realmente poucos minutos depois de eu ter terminado o programa, soube que entretanto o Ano Novo tinha desaparecido. Não sei se vai ser proibido entrar em 2021, mas pelo menos vai ser proibido festejar a entrada em 2021. Também é verdade que não há muito para festejar, mas pronto, é mais uma medida, daquelas absolutamente fortuitas, que o doutor António Costa se lembrou, porque pelos vistos nos festejos de passagem de ano, o vírus ia estar particularmente ativo, porque ele, como se sabe, gosta de certos momentos do dia, gosta mais do fim de semana, gosta mais do jantar do que do almoço e gosta mais de dias festivos do que de dias não festivos. Há momentos assim para o vírus se manifestar, pelos vistos, e só aí é que há contágios. Pelos vistos, não há contágios nos transportes públicos, etc. Aí não há problema absolutamente nenhum. As pessoas trabalharem, ainda vá que não vá. Agora, a parte da diversão é que o governo não tolera. Isto para dizer que não sei se estes atrasos da vacina e se este pouquíssimo entusiasmo que se sente por aí face à vacina, estou a falar pouquíssimo entusiasmo por parte das entidades oficiais, sejam algumas da saúde, sobretudo da política, se não seja um sinal de que não gostariam de perder o poder extra adicional que ganharam neste período e continuar a mandar em nós de uma forma Para a qual ninguém os elegeu. Eles não foram eleitos para mandar literalmente em nós e fazer de nós gado de sapato, que é o que têm feito. Eles foram eleitos para gerir minimamente e de preferência bem melhor do que têm gerido um país. Isto não conseguem, evidentemente, pelo que se tem visto. O que têm conseguido é mandar nos portugueses. E é pena. E já agora, bom fim de semana para vocês e para os espectadores. Ouvintes, eu peço desculpa, ouvintes.

Ouvintes e espectadores também, de vez em quando transmitimos em vídeo. Bom fim de semana, Alberto Gonçalves. Obrigado hoje ao Alberto Gonçalves a desfazer ideias feitas sobre atrasos do plano de vacinação. Hoje, atenção a essas datas. Também a Ministra da Saúde, Marta Temido, esteve hoje no Parlamento a responder aos deputados a pensar também nesse calendário do plano de vacinação contra a Covid-19.

Bom fim de semana, Alberto. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto