Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Ideias Feitas" na Rádio Observador e hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre André Ventura e o socialismo de oportunidades. É isto, Alberto?
Saber melhor do que eu.
Desculpa, não te estávamos a ouvir por aselhice minha. Agora, sim. Agora estamos a ouvir-te, Alberto.
Boa tarde, Ricardo.
Boa tarde. Hoje queres falar sobre Ventura e o socialismo.
Eu ouvi o que tu disseste.
Eu sei.
Não sei o que se passa na cabeça do senhor, porque ele está tão empenhado em fingir que defende a diminuição da idade da reforma, que ainda hoje publica um post a criticar as centenas de milhões de euros que o Estado desbarata na TAP. E desbaratar é a palavra que ele usa, é o verbo que ele usa. E devo dizer que concordo inteiramente com ele. Eu também acho que o dinheiro investido na TAP, e este investido vai com aspas, é grotescamente mal gasto. O problema é que o doutor Ventura nem sempre achou exatamente a mesma coisa. Eu estive a pesquisar para tentar ter uma opinião mais precisa sobre a postura do doutor Ventura face à TAP e é complicado perceber o que ele acha a cada momento sobre a TAP e sobre outros assuntos. Mas sobre a TAP, em particular, às vezes ele é contra a privatização, outras vezes é apenas contra uma privatização que, diz ele, não acautela o que ele chama de interesses nacionais. Enfim, eu repito, concordo com o doutor Ventura quando ele diz que se desbarata centenas de milhões na TAP. O doutor Ventura é que às vezes não concorda com ele mesmo, aparentemente. E de resto, fazer depender dos gastos da TAP o custo financeiro da redução da idade da reforma não parece fazer grande sentido e até é legítimo questionar até que ponto a redução da idade da reforma faria sentido em qualquer contexto. E no contexto português ainda mais, quer dizer, num país pobre, com baixos índices de produtividade, com uma demografia envelhecida, com necessidade de imigração para o caso da idade da reforma ser realmente reduzida, imigração essa com a qual o doutor Ventura não concorda. Portanto, não se percebe muito bem qual é a relação entre uma coisa e outra e como é que isto podia ser estabelecido de forma mais ou menos lógica e racional. A verdade é que o doutor Ventura já disse que só aprovaria o famoso pacote laboral se, entre outras condições, se baixasse a idade da reforma. Mas parece mais ou menos evidente que o doutor Ventura não está assim por aí além interessado exatamente na idade da reforma, está interessado em arranjar um pretexto para votar contra as alterações à lei do trabalho. E o problema, acho eu, nem é a necessidade de o Chega se demarcar do governo e do PSD a custo de custar. Eu percebo que o Chega tenha essa postura e acho compreensível enquanto partido de oposição e até enquanto o maior partido de oposição. O problema é que, como tudo em Portugal, ou quase tudo em Portugal, os pretextos do Chega não têm problema nenhum em puxar quase invariavelmente para o socialismo. Quer dizer, o doutor Ventura podia perfeitamente recusar-se a aprovar um pacote laboral, cujas alterações à lei atual são mínimas, são quase inconsequentes, é praticamente irrisória. As alterações são praticamente irrisórias, mas o doutor Ventura podia fazê-lo pelo lado não socialista, pelo lado não estatista da coisa. Podia dizer que não concorda com o pacote laboral, porque este não implica alterações estruturais, alterações profundas, necessárias para o país. Não temos essa sorte. O que temos é um Partido Socialista, estou a falar agora do PS propriamente dito, que ocupou o espaço da extrema-esquerda, que hoje está praticamente extinta. Temos um PSD que hoje faz as vezes de um PS moderado e que se recusa, em obediência a isso, recusa-se a beliscar a extensão do Estado e a expansão do Estado. E temos o Chega, que por causa da imigração, sobretudo por causa da imigração, ganhou fama de partido de direita ou de extrema-direita ou de ultradireita ou lá o que é. Mas se tirarmos a imigração, o Chega acaba por não se distinguir particularmente de um partido socialista convencional, não digo o PS atual, mas de um partido social-democrata, socialista à maneira tradicional, em matéria de economia. Eu não sei, não quero saber, não me importa especialmente se o doutor Ventura é coerente ou é incoerente e se esta tendência do Chega para tratar os dilemas económicos com uma visão coletivista, se isso lhe dá ou retira votos. Lá está, não é assunto que me incomode particularmente. Agora, o que me incomoda, isso sim, é que os partidos que representam na Assembleia da República a quase totalidade dos eleitores, se situem por convicção nuns casos, por estratégia noutros, por oportunismo noutros ainda, quase sempre à esquerda. Nós temos falado no último ano e pouco numa imensa maioria de direita, dois anos praticamente, numa imensa maioria de direita, mas eu confesso não perceber do que é que estamos a falar. Uma pessoa olha para o Parlamento e quase só vê esquerda. Há a esquerda completamente à esquerda, há uma esquerda que se diz estar ao centro e há uma esquerda que jura ser de direita, mas raramente age em conformidade. E se calhar, o Parlamento até nem representa mal os eleitores. Por definição, até há de representar adequadamente. Se calhar, o problema é que os eleitores portugueses são na imensa maioria de esquerda, quer gostem de o ser, quer não gostem, quer o saibam, quer não saibam. E no fundo, convivem muito bem com este paternalismo de Estado e com o atraso de vida em que teimamos em viver. Se calhar os partidos que temos são precisamente, como já se disse tantas vezes, mas nunca se tira eleições daqui, são precisamente aqueles que merecemos. E se calhar é pena que as coisas sejam assim, mas as coisas são o que são e não há muito que possamos fazer para as contrariar. Quer dizer, haveria uma coisa ou outra, mas não parecem ser estes partidos que o vão fazer.
Obrigado, Alberto, e até amanhã.
Até amanhã, Ricardo.
Na Rádio Observador, pontuamos o desporto todos os dias.
Vou dar 20 ao nosso Gabriel Alves. Vou dar um 20 ao João Almeida.
Por ser este dia, hoje vou dar de nota 20 ao meu pai. E o campeão é: de segunda a sexta-feira, às 13h10. Sábados e domingos, às 11h35.
O que era futebol, o resto é conversa.
E sempre em podcast.
Este programa tem o apoio de Betclic.
Começa mais uma jornada da Liga Portugal Betclic. Aqui não há meio-termo. As equipas não jogam bem nem mal, antes pelo contrário, são remates rasteiros, a meia altura, por cima da barra. Estádios bonitos, moderno, arejado, fica na retina o cheiro de bom futebol. Liga Portugal Betclic, em nome do futebol.
Já dizia o ditado: dá um peixe a um homem e alimentá-lo-ás por um dia. Dá-lhe um Continente e é peixe fresco todos os dias. Assim também eu.
A vida passa a comer. E assim, com peixe da nossa costa entregue em casa em poucas horas, toda a gente come melhor. Continente, é de toda a gente.
Portugal Smart Cities Summit regressa à FIL, de 12 a 14 de maio. Visite o maior marketplace das cidades do futuro e descubra as soluções que melhoram a forma como vivemos. Inscreva-se em portugalsmartcities.fil.pt.
Rádio Observador, são 06h58 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora