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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções para o eclipse. Talking Heads na abertura do Isto Não Passa Na Rádio, seja muito bem-vindo. Temos esta semana canções para o eclipse. Qual deles? Já vamos falar disso. Eu sou o Nelson Ferreira, está comigo o Tiago Pereira. Escolhi também esta canção para lhe relembrar que ele viu o melhor concerto de 2026 e foi do vocalista desta banda, em Cascais.
Dos poucos que vejo com a minha idade avançada, hoje em dia, parece ser porventura o melhor.
É verdade. Até agora. So far.
Claro. Vamos com calma.
Muito bem. Acontece um eclipse a 12 de agosto, eclipse solar total. Dizem que já desde 1912 que tal não acontecia. Só daqui a 118 anos, em 2144, vai voltar a poder ver-se um fenômeno astrológico, astronômico, não sei como dizer, porque não sou especialista na matéria.
Astrointestinal.
Astrofísico. Mas por isso é que isto me parece ser uma oportunidade de uma vida. Once in a lifetime. Os Talking Heads na abertura do Isto Não Passa Na Rádio. E foi só por causa deste título e desta exclusividade do momento que se vai viver a 12 de agosto. Queria deixar um alerta: tenham cuidado com os olhos.
Façam atenção.
Ao olhar para o eclipse.
Depois não mandem e-mails.
Eu vi um truque no programa Guia para o Eclipse, aqui no Observador, podem consultá-lo nas plataformas podcast, em que podes fazer numa cartolina um furo com o lápis, fazes projetar numa folha branca e assim não estás a olhar. Percebes o truque?
Lembras-te de uma coisa que havia quando nós éramos garotos, que era a minha agenda?
Sim.
A minha agenda era uma coisa extraordinária. Eu agora vou dizer uma coisa que não tem nada a ver com o eclipse. Hoje em dia, as famílias que podem, obviamente, as privilegiadas, esfregam a cabeça imenso para tentar arranjar mil atividades para os seus filhos, para eles não morrerem de tédio no verão, que é uma tragédia. Quando eu era garoto, a gente arrastava-se. O verão era isto. A gente arrastava-se para um lado, para o outro. E havia uma coisa ótima que era a minha agenda Que tinha montes de coisas que podias fazer em casa, tipo experiências, mexer em terra, fazer trabalhos manuais e tinha esse tipo de coisas. Faça um buraco numa cartolina para a luz não sei o quê.
Numa cartolina, projeta o som.
É verdade.
É uma boa forma. Já falamos da próxima sugestão do Tiago Pereira, chama-se precisamente "Eclipse", são os 800 Gondomar. "Eclipse", 800 Gondomar, escolha do Tiago Pereira. Canções para o eclipse de 12 de agosto, que ao que parece até vai ser mais visível numa determinada zona do nosso país. Bem lá na pontinha de Trás-os-Montes.
Já não tens lugar onde ficar.
Já não há bilhetes?
Não há, nem para uma tenda.
Ok.
Deixa-te disso.
Ok, é pena. Queres falar de "Eclipse", de 800 Gondomar?
Quero.
Queres que leia uma descrição da banda?
Pode ser.
Muito rápida. 800 Gondomar, de Rio Tinto, são um tour de force de rock garageiro e distorcido, infame pelas suas performances energéticas e disruptivas, movidos por canções fortes que misturam o caos barulhento do presente com um revivalismo muito particular.
Eu gosto de duas coisas nesta banda.
São ótimos.
Um, são um super do rock, mesmo sujo, mesmo javardo. E têm um nome de autocarro.
É verdade.
É uma carreira. E além disso, acho que é uma ótima canção. Eu não faço ideia sobre o que eles estão a cantar. Não tenho ideia nenhuma, mas dado o título, é uma ótima canção.
E não é só o título, eu acho que há aqui um ambiente na canção que se adapta à coisa do eclipse.
É isso. As pessoas estão muito eufóricas, não sei o quê. O eclipse, o eu-clipse. Eu acho isso extraordinário. Porém, há milênios, se o Homo sapiens visse um eclipse, ia ficar cheio de medo. E eu acho que esta é a banda sonora do Armagedão, que um desconhecedor vai temer quando vir o sol a evaporar-se.
800 Gondomar a ganhar lugar na nossa playlist para o eclipse.
Eu não sei se alguém tinha inventado esta pergunta, mas eu-clipse é quando tu próprio desapareces.
Podíamos ter trazido uma música do Euclides.
Olha, coitado.
Era uma boa opção.
Ele não merece.
E agora vou pôr aqui uma música que vem precisamente do sítio onde melhor se vê este eclipse. Vamos a ela.
Das madressilvas, dos frutos, das ervas babosas. E pareciam campinas, vales tão estendidos. Pareciam mesmo os teus braços que me abraçam cingidos. Ou seria das silvas, do gengibre e beijo-im. Do cheiro daquela chuva, dos cacimbos, enfim. Por que haveria de ter saudades tuas. Ao longo de um claro rio de água doce. Por que haveria de ter saudades tuas. Ao longo de um claro rio de água doce. E parecia aquele Tejo este rio dourado. Parecia até que tu vinhas comigo ao meu lado. Ou seria das flores e das matas cheirosas. Das madressilvas, dos frutos, das ervas babosas. E parecia verão no imenso arvoredo. Parecia até que dizias qualquer coisa em segredo. Ou seria dos dias muito quedos, sem fim. Das noites muito melhor assombradas assim.
Néladeiras, Ao Longo de um Claro Rio de Água Doce. É um disco todo ele dedicado às canções de Fausto e o disco chama-se Todo Este Céu. E é no céu de Trás-os-Montes que se vê melhor o eclipse de 12 de agosto. De resto, Néladeiras tem um disco chamado Trás-os-Montes e é alguém que canta em mirandês e que está muito associada também à tradição e à música daquela zona do país. E eu gosto muito desta canção e resolvi trazê-la aqui pra ilustrar. Aliás, pode ser uma ótima banda sonora pra quem fizer o IP, qualquer coisa a caminho de Bragança ou de Miranda. E tu, vamos fechar esta primeira parte com-
Muito rapidamente. Blue Skies.
Willie Nelson!
Clássico de Irving Berlin dos anos 20, que tem cerca de 1700 versões. Eu trago aqui a versão do Willie Nelson por uma razão muito simples. Primeiro, porque o Willie Nelson é um tipo muito tranquilo e eu acho que nós precisamos de tranquilidade nesta hora. E segundo, isto só vai resultar se o céu estiver limpo.
É verdade.
Se não estiver limpo, ninguém vê nada. Portanto, boa sorte a todos.
From now on. Canções para o eclipse é o tema esta semana no Isto Não Passa na Rádio. Eu e o Tiago Pereira estamos aqui às voltas com canções ou que nos remetem para fenómenos astro qualquer coisa. E eu queria reiterar o meu aviso: tenham cuidado com o eclipse, porque eu estou a ver as pessoas todas a olhar para o sol e a ficarem com os olhos todos queimados. Eu estou a ver é que tu nem vais sair de casa. Eu estou com medo disto. E pode acontecer aquilo que acontece às pessoas do videoclipe da "Black Hole Sun", do Soundgarden. Ficam com aquela- Ficam todos queimados do sol. De alguma forma, "Black Hole Sun" é o que vai acontecer no eclipse. Olha, e têm que ter cuidado também com outra coisa, não se ponham a apontar os vossos telefones e câmaras para o sol, usem filtros, etc. Mas por nossa causa ou por causa do telemóvel? Não, por causa das máquinas. As máquinas que se lixem. Pois. Interessa-me é as pessoas, Tiago. Ui! E se as pessoas tiverem que pagar depois o arranjo e não tiverem dinheiro ou tiverem que tirar da comida? Isso é pena. Está tudo ligado. Mas não tirem da comida, por favor. Nem da educação. Ui! "Black Hole Sun", os Soundgarden, mas aqui numa versão da qual já vamos falar sobre ela. Paul Anka, um cantor que é sírio-canadiano e norte-americano. Não sabia. Sabias? Não. Ficamos a saber, é para isso que existe o Isto Não Passa na Rádio, na sua Rádio Observador. É por isso que eu aqui venho. E é um homem de muito sucesso, muito ligado a estes standards do jazz. Jazz. Jazz. Estava aqui só a confirmar de que ano é. 2005, ele lança um álbum chamado "Rock Swings" e é a sua interpretação de alguns clássicos do rock dos anos 80, 90. Há Nirvana, Oasis, há Bon Jovi também. E Van Halen. Bem bom. Gostava de ouvir o que ele fez com a "Jump" dos Van Halen, agora fiquei curioso. Prescriu o spandex. Pode ser. Mas aqui está a "Black Hole Sun" dos Soundgarden. E tu, Tiago, trazes os Yeah Yeah Yeahs? Por quê? Trago porque, vejamos, quando acontecer o eclipse vai ser noite durante um bocadinho. 26 segundos, não é completamente noite. O processo vai começar pelas 18h30 e às 20h30 aquilo está tudo resolvido. E ainda bem, porque depois mete-se o jantar. Portanto, ali por volta das 19h30, no seu apogeu. Os tais 26 segundos. O eclipse vai ser assim meio de noite, quase de noite.
Que é um bocadinho antes do pôr do sol. E eu achei que é de aproveitar, já que é de noite, fora disso, é festejar como se fosse sair à noite.
É.
As pessoas não saem à noite sem ser noite.
É um bocado.
Isto é muito rebuscado, mas enfim.
É um lusco fusco antes do dito.
E, portanto, para isso, banda sonora perfeita, YAYS, "Date With the Night", que também é um lusco fusco de punk rock nas nossas vidas.
Os YAYS no "Isto Não Passa na Rádio", escolha do Tiago Pereira, que quer um date com a noite, pelo menos durante 26 segundos, que é quase o que vai acontecer.
E quando acabar o eclipse, toda a gente vai ficar assim: "Então, mas já acabou?" Que é o que acontece quando acaba esta canção, que é tão boa. "Mas já acabou?"
É, faz tudo pá. Aliás, quase me surpreendia aqui. Estava aqui tão embrenhado.
Só não se surpreendeu porque nós somos grandes profissionais.
Exatamente. O Sting é um bom profissional.
Olá, é, não estava à espera disso.
É verdade. E dizes os Police ou os Police? Desculpem.
Ou a antiga banda do Sting.
A antiga banda do Sting, sim.
Aquela banda do Sting.
Olha, fui buscar a "Invisible Sun". Estou bastante certeiro e não muito esotérico nas minhas escolhas. Não deu para mais esta semana, peço desculpa. Vamos ao disco 1981, creio. 81, exato.
O Sting também tem o segundo álbum dele, chama-se "Nothing like the Sun".
Olha, estás a ver? É um homem solar, digamos, cheio de energias. Ghost in the Machine, 1981, belas canções e uma delas, "Invisible Sun", chegou também, na grande parte dos territórios, foi a aposta de single. Acho que na América foi a "Everything She Does Is Magic".
Ou como diria Bad Bunny, single.
É? Não sei, nunca o ouvi falar propriamente, mas "Invisible Sun", aqui a canção é bastante metafórica. Há aqui uma ideia de uma outra realidade, como o invisible sun fosse uma outra realidade onde tudo seria melhor, menos violento, um lado um bocado político também nesta canção de 1981, que está no "Isto Não Passa na Rádio". Canções para o Eclipse, "Invisible Sun" dos Police. "Invisible Sun", do disco Ghost in the Machine, dos Police, de Sting. Estava a ler uma história curiosa que o Sting explicou que esta canção foi escrita numa altura em que ele estava a viver na Irlanda e em 81 houve a greve de fome, hunger strike, muito famosa. Também questões independentistas. E uma outra história paralela a isso é que o Stewart Copeland viveu durante algum tempo em Beirute e em 81, quando eles estavam a gravar esta canção, Beirute foi bombardeada. Então há todo um ambiente como se o "Invisible Sun" fosse o fim da guerra esperado e o fim da violência, quer por populações na Irlanda, quer por populações no Médio Oriente. De resto, a família do Stewart Copeland, já não sei se a mãe ou o pai, mas é malta da CIA.
Olá!
Estava precisamente nessa altura no Middle East a trabalhar, fazendo coisas que a CIA faz.
Pela segurança.
Há uma história à volta dos Police que eles foram das primeiras bandas a conseguir tocar para lá do Muro de Berlim, não sei se mesmo em Moscovo ou na Rússia, e na altura foi muito falada essa questão de que a entourage do concerto era composta por muitos amigos dos pais de Stewart Copeland.
Pois, provavelmente.
Os roadies.
Eu espero que isso nunca seja confirmado ou desmentido.
Podia ser uma história também para um próximo Podcast Plus do Observador, já que o último, que está a decorrer ainda, é de espionagem. E ouçam também. Bem, vamos à nossa vida. Caminho de 12 de agosto, dia do eclipse. Título de uma canção dos Pink Floyd.
Sim, provavelmente a mais popular ou mais significativa canção sobre esta coisa do sol ser eclipsado pela lua. Que é, aliás, a última frase do álbum Dark Side of the Moon, de 1973. Disco que gera tantos ódios quanto amores ao longo da história. Eu estou do lado dos amores, é a vida, é assim. A canção é curta, que é como o eclipse. Meu amigo, eu não tenho muito a dizer.
São os Pink Floyd.
É os Pink Floyd. Ou gostas ou não gostas. Pronto, sei lá.
Olha, Tiago, fomos de férias, só aqui há algumas semanas.
Graças a Deus. É outra espécie de eclipse.
Convido todos a olharem bem para o nosso arquivo em podcast e descobrirem lá programas que de facto fazem sentido em agosto. Temos temas para todos os gostos, todas as semanas um tema diferente. Aposto que vão encontrar alguma coisa que vos vai entreter nestas férias, que vamos fazer no que toca a programas novos. E regressamos muito em breve.
Temos programas para todas as situações.
É verdade. E vamos continuar a fazê-los daqui a algumas semanas. Tiago, boas férias, um abraço.
Um grande abraço, Nelson.