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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções que fazem 50 anos. Sejam bem-vindos ao Isto Não Passa na Rádio. Ramones com "Blitzkrieg Bop", canção do disco de estreia de 1976. É este ano que nos vai nortear as escolhas esta semana. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Tiago Pereira. Olá, Tiago.

Nelson, sim, senhor. 50 anos de Ramones.

Aqui está. 1976, um disco que saiu em 23 de abril. A banda dos irmãos. Quantos são? São três, acho eu. Tommy, Joey e Dee Dee, pelo menos. Não sei se tinham mais irmãos, mas estes três eram da banda.

Eram todos da banda. Daí até serem irmãos é que era uma outra história mais complicada.

Ai é?

Pois claro.

Pensei que eram irmãos. Então, 1976, o surgimento do punk rock. Influenciou-te o punk rock?

Todos os dias, cada vez mais.

É uma coisa que eu estava a pensar com os Ramones e com esta canção em particular. A música punk rock nasce mais ou menos ao mesmo tempo em Nova York e no Reino Unido. Ali entre 74 e 76 surgem os primeiros discos nesta estética. Os Ramones têm, de facto, esta particularidade de estarem muito ligados a Nova York.

Era de onde esta rapaziada era.

De onde esta rapaziada era. Eu acho que não teríamos Zé Pedro dos Chutos, por exemplo, sem Ramones, não teríamos uma série de bandas e uma série de músicos que são claramente influenciados por esta estética. E é pra mim também o berço ou um hino, um marco, esta canção em particular e este disco dos Ramones em particular, do que é o rock assente em guitarras, aquele riff. Há ali qualquer coisa no tipo de guitarras do punk que continua a marcar muitas bandas ainda hoje em dia. E foi por isso que escolhi os Ramones para início desta viagem de canções que têm 50 anos.

E fizeste bem, meu amigo. 76, 77, aliás, já tens, se quiseres chamar, proto punk desde o início dos anos 60. Tens, por exemplo, aquela banda que a malta hipster aprecia hoje em dia e faz muito bem. Os Sonics, que no início dos anos 60 já andam a gravar coisas. Se lhe quiseres chamar punk, também não fica nada mal. Mas depois tens entre 76, 77, a fundação do Canon. Entre Ramones, Sex Pistols, The Clash, tudo acontece por aqui. E o mundo nunca mais foi o mesmo.

E ainda bem.

Achas?

Acho que faz falta.

Pois é.

Faz falta ainda hoje.

Sabes que há um regresso de tiros e bombas e socos nas trombas.

Pois há.

No geral.

Não me está a bater tanto.

Porque tu tens outros deveres e outras responsabilidades.

Talvez seja isso.

Estás preocupado com outras coisas.

Já a Banda do Casaco, a ti bate muito.

Eu acho muita graça. Como diz o outro, a cultura popular anda em ciclos. E este acho que é um desses casos. Foi em 76 que a Banda do Casaco editou o segundo álbum, "Coisas do Arco-da-Velha". Curiosamente, o Nuno Rodrigues, um dos membros da Banda do Casaco, morreu em dezembro passado

Ele depois também foi produtor e trabalhou na Veloso de Carvalho e fundou a Companhia Nacional de Música. Eles faziam uma espécie de pop rock folclore prog.

Ok. Mostra muitas capas dos discos deles.

Pós 25 de Abril. Eu escolhi esta que é "Morgadinha dos Canibais", que é a canção que abre o segundo álbum. Vou deixar esse desafio: ouve esta canção e vê se não consegues ver aqui coisas que agora, 50 anos depois, há quem vá tentando fazer, que é cruzar um certo pop rock urbano, se calhar com outras ferramentas, obviamente mais digitais, e um lado de música tradicional portuguesa. Banda do Casaco, escolha do Tiago Pereira no Isto Não Passa na Rádio esta semana, com canções que fazem 50 anos em 2026. Bela banda, cheia de grandes vultos da música portuguesa.

Em 1976, o país estava a transformar-se noutro planeta e andava tudo meio convulso. E estes tipos estavam numa trip gigantesca.

Sim, há uma espécie de rural psicadélico.

Acho ótimo. Se considerares o contexto, acho que ainda mais visionário e vanguardista.

Foi também a um disco que muitos dizem que é vanguardista e que abriu portas para muitos géneros que surgiram nos anos seguintes. É uma música que eu acho que já passei aqui no Isto Não Passa na Rádio e tu praticamente ias vomitando, mas vamos tentar que aconteça de novo, que é o Jean-Michel Jarre, que eu sei que tu adoras.

Não tenho nada contra, isso não é verdade.

Jean-Michel Jarre edita em 1976, "Oxygène". Eu fiquei um pouquinho indeciso entre "Oxygène" parte um, "Oxygène" parte dois, "Oxygène" parte três, "Oxygène" parte quatro.

Aliás, eu hoje em dia não me importava nada de ter uma espécie de garagem. Para já, não tenho garagem. Imagina a quantidade de teclados e sintetizadores que o homem tem.

Este disco foi gravado em casa dele.

Claro! É extraordinário, imagina.

É uma man's cave um bocadinho diferente daquela que eu imaginava para mim próprio.

É ir ao espaço na garagem.

Sim. Acho que não existia Daft Punk O género French touch não tivesse acontecido.

Muita coisa não existiria se não fosse Jean-Michel Jarre.

Temos os Kraftwerk também, na Alemanha, mas aqui é uma coisa um bocadinho diferente.

É um degrau na progressão, não é?

Sim. O Jean-Michel Jarre conseguiu esta proeza de abrir portas à música espacial, que era uma coisa que não existia. E não sei se existiria synth pop nos anos 80 se não fosse esta experimentação toda que ele faz com sintetizadores.

Mesmo que existisse, não era igual, era uma coisa completamente diferente.

Também gosto de lembrar-

E depois há uma coisa extraordinária, que é o nome dele.

Gosto de lembrar. Por quê, Jean-Michel Jarre?

Alguém que nasce já, imagina: "Como é que te chamas?" "Jean-Michel Jarre." Está mesmo a pedir sucesso.

Sabes que ele foi casado com a Charlotte Rampling, que é aquela atriz inglesa do "Swimming Pool", por exemplo.

E que entra agora no mais recente filme do Jim Jarmusch.

Atualmente, o Jean-Michel Jarre é casado com outra atriz. Ele gosta de atrizes, pelos vistos. A Gong Li, uma atriz chinesa que entra, por exemplo, naquele "Miami Vice" mais recente.

Eu gosto das coisas que tu sabes.

Gostas desta trivia?

Tens esta informação. Jean-Michel Jarre já tem 77 anos.

E a quantidade de vezes que esta canção foi usada em peças jornalísticas e anúncios de televisão. Lembra muito também.

"Foi nesse momento que o suspeito foi encontrado pela PJ."

Ai, Jean-Michel Jarre. Já fomos ao espaço e viemos, em 1976, "Oxygen Bar IV". Todas as canções deste disco chamam-se "Oxygen", parte um, dois, três, quatro, cinco e seis.

Estava super na moda fazer isso assim.

Sim. 1976.

E dá aquele ar de continuidade. Isto é uma obra una, contínua.

É conceptual?

Indivisível.

Um disco conceptual?

Sim, isto é claramente uma viagem, não se sabe Deus onde.

Olha, os Carpenters.

Dito isto, eu gosto muito.

Os Carpenters, por quê?

Para já, porque eram incríveis. É fácil. Carpenters, extraordinários construtores de canções. Perfeição melódica.

As melodias.

É absurdo. Karen Carpenter, das vozes mais bonitas da história da pop.

Que tocava bateria.

Extraordinária baterista.

Exato.

Vida trágica. "A Kind of Hush" é o álbum de 1976.

Irmão do Richard Carpenter, ao contrário dos Ramones.

Estes sim, irmãos. "There's a Kind of Hush" é a canção que abre, canção escrita por Liz Reed e Jeff Steffens e é azeite. Há muito azeite aqui.

Ao qual se sucumbe.

Sim, eu mergulho de cabeça neste azeite.

Viagem a 1976. No "Isto Não Passa na Rádio" desta semana, em Ano Novo, olhamos para as canções que vão fazer 50 anos ao longo deste 2026 e lembrei-me do Stevie Wonder. É mais ou menos unânime que tem um dos discos mais importantes de 1976 e se calhar também-

Da existência da humanidade.

E da existência da música. É o "Songs in the Key of Life" e há poucas coisas que misturaram tão bem pop, funk, soul, jazz e gospel. O Stevie Wonder estava no topo. Eu acho que ele nunca saiu de lá, mas este disco é, de facto, uma obra incrível. É um álbum duplo, tem muitas canções, vai a muito lado. E também foi um dos discos mais sampleados e copiados.

Sim.

Malta do hip-hop que vai aqui buscar muitos dos samples que tem nas suas canções, alguns até mais ou menos conhecidos. Por exemplo, temos o caso desta canção que se chama "Another Star". Lembras-te disto?

Sim.

Isto não é Salomé a Bahia com "Outro Lugar", não é? Que foi a versão que ficou mais conhecida em língua portuguesa.

"Music of My Mind", 1972, "Talking Book", 1972, "Innervisions", 1973, "Fulfillingness' First Finale", 1974, "Songs in the Key of Life", 1976. Não sei se em algum momento da história aconteceu uma coisa assim.

Sim, é incrível.

Isto não é normal.

Estava aqui só a tocar a "Another Star".

E a seguir ele faz aquele disco que é uma espécie de banda sonora para o "Secret Life of Plants".

Ok.

E era outro que só não atirava com a guitarra.

Sim, mas de resto toca tudo.

De resto gravava tudo e cantava tudo.

Tem uma voz incrível.

Supervisionário também e ajudou a criar sintetizadores. Não me façam chorar.

Parece que depois tem este lado meio tropical também, que se nota muito nesta canção. Depois gerou esse êxito brasileiro.

E ele parece uma eterna criança.

Sim.

Quando ele chega aqui, agora não me lembro, mas já tinha editado o quê? 15 álbuns?

Sim, já tinha feito o "Superstition".

Não, ele começou como garoto. Ele fez mais discos nesta altura, já tinha feito mais discos do que alguns fizeram na vida toda.

Claro que sim. E há pouco estávamos a falar destes artistas que parece que geraram outros. Não haveria Bruno Mars sem Stevie Wonder ou Pharrell Williams ou Justin Timberlake. Não havia nem esta máxima.

O R&B e a soul não seriam o que são hoje.

Não existiriam os produtores que produziram os sucessos para essa gente toda. Ainda assim, fui buscar uma outra canção, não propriamente esta "Another Star". Estava aqui só a fazer a brincadeira com essa tal outra versão brasileira, do "Outro Lugar". Mas escolhi esta, "Sir Duke" para o álbum Songs in the Key of Life, 1976, Stevie Wonder. You can tell right away it's Dr. A when the people start to move. They can feel it all over. They can feel it all over people. They can feel it all over. They can feel it all over people. Music knows it is and always will be one of the things that life just won't quit. But here's some of music's pioneers that time will not allow us to forget. Now, there's Basie, Miller, Satchmo, and the King of all Sir Duke. And with a voice like Ella's ringing out, there's no way this band could lose. You can feel it all over. You can feel it all over people. You can feel it all over. You can feel it all over people. You can feel it all over. You can feel it all over people. You can feel it all over. You can feel it all over people. You can feel it all over. You can feel it all over people. You can feel it all over. You can feel it all over people. You can feel it all over. Stevie Wonder, Songs in the Key of Life. Esta chama-se Sir Duke. Ele mete aqui uns sopros, como diz a malta nova agora, insanos. São insanos estes sopros que ele mete aqui nesta canção. Este é um disco absolutamente incrível e provavelmente um dos mais importantes para o ano de 1976. O Tiago Pereira dançou.

Estou a curtir, estou a vibrar.

Feel good music, não é? Também.

É pá, fogo.

E Sérgio Godinho? Também escolheste Sérgio Godinho. O Namoro.

Também curto. Sim, Namoro faz parte do álbum Um Pequenino Se Torce o Destino. Qual é a graça desta cantiga? Além de ser uma cantiga extraordinária, não é do Sérgio Godinho. Isto também tem graça, porque o Sérgio Godinho gravou-a. A música é do Fausto, o poema é do Viriato da Cruz, que também foi um político angolano, escritor. Ele é que escreve este poema, o Fausto faz a música, dá a conhecer ao Sérgio Godinho em 1975. Ele grava, inclui no álbum em 1976 e só depois no final dos anos 80 é que o Fausto também grava a sua versão e inclui no álbum A Preto e Branco. Não tenho muito mais para dizer, imagina. Este cruzamento todo de acontecimentos, personagens e personalidades. E em 1976 acontece esta pequena maravilha.

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado / E com letra bonita eu disse ela tinha / Um sorriso luminoso tão triste e gaiato / Como o sol de novembro brincando de artista / Nas acácias floridas na fímbria do mar / Sua pele macia era suma uma / Sua pele macia cheirando a rosas / Seus seios laranja, laranja de loja / Eu mandei-lhe essa carta e ela disse que não / Mandei-lhe um cartão que o amigo Maninho tipografou / Por ti sofre o meu coração / Num canto sim, noutro canto não / E ela o canto do não dobrou / Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete / Pedindo e rogando de joelhos no chão / Pela Senhora do Cabo, pela Santa Efigênia / Me desse a ventura do seu namoro / E ela disse que não Mandei à vó Chica, quimbanda de fama, a areia da marca que o seu pé deixou, pra que fizesse um feitiço bem forte e seguro e dele nascesse um amor como o meu. E o feitiço falhou. Andei barbado, sujo e descalço, como um munangamba procuraram por mim. Não viu, ai, não viu, não viu Benjamim. E perdido me deram no Morro da Samba. Para me distrair, levaram-me ao baile do senhor Januário, mas ela lá estava, num canto a rir, contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário. Tocaram a rumba e dancei com ela e num passo maluco voamos na sala, qual uma estrela riscando o céu. E a malta gritou: "Aí, Benjamim!" Olhei-a nos olhos, sorriu para mim. Pedi-lhe um beijo. E ela disse que sim. E ela disse que sim. E ela disse que sim.

O Namoro, de Sérgio Godinho. De pequenino se torce o destino, disco de 1976. Tem outras canções muito engraçadas. Tem o Sul, Norte, Campo, Cidade, e tem o Bacalhau Basta.

Pois é.

Também são ótimas canções, pra além dos Demónios de Alcácer-Quibir. Muito bem. Trouxe pra aqui também o Carlos do Carmo.

Trouxe pra aqui?

Trouxe pra aqui, pro programa desta semana, o Carlos do Carmo, porque o disco Uma Canção para a Europa faz 50 anos. 1976. Estas canções foram apresentadas no Festival RTP da Canção. De resto, num formato inédito, com Carlos do Carmo a interpretar todos os temas. Os compositores eram convidados a propor canções, que foram todas interpretadas pelo mesmo cantor. Ninguém sabia quem eram os autores das canções. E uma coisa que eu não sei se te recordas, que era as revistas e jornais que tinham programação televisiva, tinham muito esta coisa de ter um cupão, que tu depois enviavas pros CTT, lembras-te?

Sim.

E foi assim que o público escolheu a canção vencedora.

Por exemplo, pra te inscreveres nos concursos, era assim que funcionava.

Exatamente.

Por exemplo, se querias ir ao Um, Dois, Três, à Casa Cheia.

Que saudades, era tudo mais simples.

Tinhas que cortar, colar num postal dos CTT.

Naquele papel de TV Guia. Era espetacular.

E enviavas. O Clube Amigos Disney. Se quisesses ir ao Clube Amigos Disney.

Foi assim que o público escolheu a canção vencedora, que em 1976 acabou por ser Uma Flor de Verde Pinho, de José Niza e Manuel Alegre. Foi a mais votada, representou Portugal na Eurovisão. Mas eu fui buscar uma outra canção destas que passaram pelo festival desse ano e que fazem então parte do disco Uma Canção para a Europa, onde o Carlos do Carmo parece supermoderno. Não parece um fadista, pra começar. Parece mais um cantor da canção ligeira, uma espécie de crooner charmoso.

Sim, mas ele tinha esse cruzamento. Ele era enorme fã de crooners e de Frank Sinatra, tal como era enorme fã da canção francesa. E, portanto, também tinha esse cruzamento com isso tudo.

Por isso é que eu escolhi esta Estrela da Tarde, Carlos do Carmo, em 1976.

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia. Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia. Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando, lhe o beijo mordia. Quando à boca da noite surgiste na tarde, tal rosa tardia. Quando nós nos olhamos, tardamos no beijo que a boca pedia. E na tarde ficamos unidos, ardendo na luz que morria. Em nós dois nessa tarde, em que tanto tardaste, o sol amanhecia. Era tarde demais para haver outra noite, para haver outro dia. Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde. Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza. Se tu és a alegria ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza. Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram. Dos noturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram. Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram. E da estrada mais linda da noite

Uma festa de fogo fizeram. Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram. Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam. Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram. E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram. Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde. Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza. Se tu és alegria ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza. Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso ou se é pranto. É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto. Essa tarde em que tarde surgiste num triste e profundo recanto. Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto. Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

Achas que dava para ser um tema de um James Bond?

Claro.

Dava ou não dava?

Claro.

"Estrela da Tarde", 1976, canção que faz 50 anos e é do Carlos do Carmo. Estava só aqui a confirmar que foi escrita por Ary dos Santos e Fernando Tordo. E agora vamos fechar com o quê? Que eu não conheço isto. Diz-me tudo, fala-me.

Pois é.

Estou curioso.

Então, 76 foi o ano em que uma banda americana chamada Flaming Groovies editaram um álbum chamado "Shake Some Action" e é um álbum que eu aprecio muito. É um álbum de guitarras. É música de guitarra. É música que se tivesse saído a meio da década de 60, ou vá ali 67, 68, eu acho que tinha feito mais sucesso. De repente, sai em 76 e o mundo já estava a virar. A pop já estava a ir para outro lado.

Para a disco.

Já tinha começado a ir. Mas então agora aqui nesta altura, ainda no início falavas do punk. E portanto, estávamos noutro sítio e há aqui uma banda que continua a olhar para o eixo que vai dos Kinks aos Rolling Stones como-

A sua cena

...o Messias. Mas fazem canções extraordinárias e fazem da guitarra uma espécie de deusa. E esta é a canção que dá título ao álbum. E eu convido toda a gente a ir atrás desta rapaziada, porque nunca é tarde.

Fomos a 1976 no Isto Não Passa na Rádio desta semana. Para a semana estamos de regresso com mais canções. Um abraço. Até para a semana.