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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: as canções de que mais gostamos nos Grammys.

Sejam bem-vindos. Este é o Isto Não Passa na Rádio. Eu sou o Nelson Ferreira, está comigo o Tiago Pereira e o Gonçalo Correia. De resto, é do Tiago esta primeira escolha para o programa desta semana, em que nos dedicamos aos nomeados que saíram há dias para os Grammys, edição 2023. Acontecem em fevereiro, normalmente é sempre uma segunda-feira, 06 de fevereiro de 2023, a cerimônia de entrega dos Grammys. Diria, Tiago, que já foi uma cerimônia que teve mais importância pra indústria do que hoje em dia. Também é engraçado assistir como as diferenças estéticas dos anos se vão fazendo sentido nos Grammys. As grandes categorias de rock hoje em dia não são as mais importantes.

O mais interessante, eu aprecio sempre, é ver como é que são as categorias, não sei se é música alternativa ou canção alternativa.

Sim.

Como é que estamos ao nível da alternativa à medida que os anos passam? E vai mudando constantemente, tal como o rock. Há coisas que se mantêm, a abordagem que o grupo que seleciona os nomeados faz, por exemplo, do hip-hop e do R&B, da eletrônica, daquilo que eles chamam pop vocal, que é aquela pop mais mainstream. Tudo isso se mantém. Agora, categorias como rock, alternativo e metal, por exemplo, eu acho que há uma nomeação qualquer de metal, há uma categoria de metal em que estão os Muse.

Está bem. Estão os Turnstile, acho que também estão nessa categoria.

É sempre assim um pouco estranho.

E cada vez há mais categorias.

Claro.

Best Regional Roots Musical.

No total, são umas 90.

Este ano apareceram mais cinco, salvo erro. Cinco e um prêmio especial para canções para mudanças sociais.

Sim, isto é mais ou menos como os Jogos Olímpicos, vão se adicionando esportes a cada edição dos Jogos Olímpicos. Aqui aos Grammys também tem uma nova categoria todos os anos. Bem, vamos começar por Snoh Aalegra, uma miúda que já tenho debaixo de olho há algum tempo. De resto, acho que já passei aqui há uns anos no Isto Não Passa Na Rádio. O Tiago, que escolheu esta canção, estava me recordar que sim, é o Feels, o primeiro álbum dela, que eu gostei muito. De resto, até a "Nothing Burns Like the Cold", com o Vince Staples, até chegou a estar aqui na playlist da Rádio Observador. Sempre gostei muito da Snoh Aalegra, mas ela parece que dá tudo neste tema. Que nomeação é esta?

É uma boa questão, eu agora não me lembro, mas acho que é algo como melhor gravação R&B, algo assim, porque esta "Do For Love" é uma canção que não faz parte de nenhum álbum.Portanto, é um single editado de forma independente. E a canção tem um twist no nome, mas o original é do Bobby Caldwell. Ela faz aqui uma versão e faz basicamente aquilo que tem vindo a fazer desde que a conhecemos em 2017, que é, eu não sei.

Para além de esbanjar charme.

É isso! Não sei o que é que sentiram quando ouviram a voz a arrancar. Eu percebo que vão ali buscar semelhanças entre aquele universo meio Michael Jackson, The Weeknd, esse eixo de fragilidade aparente nas coisas da soul R&B, sendo que estamos a falar de uma mulher, mas aqui o género não interessa. É mais ou menos essa linguagem. Ela é sueca, de origem iraniana, os pais dela são iranianos. Aliás, ela tem manifestado o seu desconforto, para dizer o mínimo, em relação à situação que se passa no Irão por estes dias. Mas ela tem, julgo eu, tudo o que é necessário para ser uma extraordinária intérprete de R&B. Tem a voz certa, tem o tempo certo, tem o sentimento certo. Aquela dolência, aquele calor, aquela coisa entre o melancólico e o sex appeal, tudo misturado. E ela tem três álbuns editados, depois tem alguns EPs e singles, mas por alguma razão nunca estalou enquanto grande estrela.

É verdade.

Talvez lhe falte um pouco de sorte ou o momento certo na hora certa.

Até porque ela tem tido ótimos colaboradores.

Sim, sim, trabalha com imensa gente.

Eu estava aqui a ver a categoria para a qual ela está nomeada: é melhor performance de R&B tradicional, best traditional R&B performance.

Pois, porque deve haver outras que não são tradicional.

Pois. Há progressivo, acho eu.

Há progressivo, é isso. Mas acho que é esse lado de R&B tradicional. E ela tem a voz clássica.

Aliás, tem uma concorrência de peso, porque tem Mary J. Blige, Beyoncé e o Babyface com a Ella Mai, também a Jazmine Sullivan na mesma categoria.

Não está fácil.

Para mim já ganhou. Com esta.

Nesta semana era tentarmos escavar um bocadinho e encontrar aqui coisas que não são muito mainstream ou que não são mais óbvias e que provavelmente não vão ganhar, porque depois há o peso da indústria sempre na escolha dos vencedores. Mas acho que é um exercício interessante.

Sim, é um exercício que o Gonçalo seguiu porque escolheu a Rosalía.

Sim.

Quem é a Rosalía? Aliás, estávamos a falar em off da surpresa em ver Anitta como Best New Artist em 2023. Vai ser estranho.

Uma pessoa que está a começar agora?

Não é surpresa vê-la nos Grammys, todo o impacto que ela tem conseguido alcançar.

Basta a sua evolução.

Mas é o americocentrismo disto.

Sim, reparem que os campeonatos deles são sempre mundiais.

Sim, World Series. World Series é a final do campeonato de beisebol americano.

Exatamente. O campeão da NBA é o world champion.

Exato.

O americocentrismo, a Rosalía entra bem nessa conversa, porque acho que é a artista se calhar mais injustiçada destas nomeações aos Grammys, pelo menos daqueles que têm, de facto, popularidade e que têm não só a parte qualitativa da crítica e tudo isso, mas têm muitos ouvintes e têm muito impacto popular e mediático. Porque a Rosalía aparece aqui nomeada só para duas categorias. Duas categorias menores: melhor filme musical, por causa da apresentação, salvo erro, do disco dela no TikTok, e melhor álbum latino de rock ou música alternativa. Portanto, nas categorias generalistas não risca nada, como se costuma dizer. Isso é curioso, sobretudo se nós virmos, por exemplo, o "Motomami", o disco que ela editou e que poderia ter sido nomeado aos Grammys, foi só nessa categoria latina, não entrou numa lista de candidatos de nomeados a melhor álbum do ano, que tinha, por exemplo, o "Voyage" do Zaba, tinha o "In These Silent Years" da Brandi Carlile, tinha o "Music of the Spheres" dos Coldplay. E de repente, um disco como o da Rosalía, que consegue, tal como o do Kendrick, por exemplo, que está aqui, consegue juntar popularidade e, de facto, reconhecimento artístico, da crítica e tudo isso, é amplamente ignorado. E eu aproveito isso para trazer aqui uma canção da Rosalía, que eu gosto muito, deste novo disco, "Motomami", que tem singles muito conhecidos como a "Saoko", a "La Fama" com o The Weeknd, tem músicas muito populares e tem uma muito menos popular, que é essa que eu trago aqui, que se chama "Como un G". E acho que é um tema que mostra bem que é um disco heterogêneo e que mostra como a Rosalía é um grande talento.

Tu cumpleaños sin más. Tantas baladas se quedarán sin dedicar. 'Toy triste si pienso en lo bueno que tengo que no puede durar. Solo el amor con amor se paga. Nada te debo y tú no me debes nada. El querer que no sé dónde acaba. Si encuentro el tuyo, ya será deuda pagada. Si no lo puedes tener, mejor déjalo ir. Qué pena cuando quieres algo, pero Dios tiene otros planes pa' ti. No me enamoro de nadie, juro como un G. Escribo canciones de amor, pero en esta me doblo por ti. Donde me acogió la noche me perdí. Los faros de los coches me llevan pa' ahí. Donde me acogió la noche me perdí. Los faros me llevan pa' ahí. Solo el amor con amor se paga. Nada te debo y tú no me debes nada.

Música de Rosalía, "Como un Gi", para a escolha do Gonçalo Correia. Estamos a olhar para as nomeações que saíram há dias para os Grammys 2023 e esta é uma das favoritas do Gonçalo. De resto, falavas ali há pouco da Brandi Carlile. Há aqui duas curiosidades nestes nomeados.

É uma das mais nomeadas.

Para mim, é a curiosidade de ter a Brandi Carlile entre as mais nomeadas.

Não julguei que Brandi Carlile regressasse de onde quer que ela estivesse.

Dos confins. E há um outro nome que também me trouxe aqui umas reminiscências grammycas, não sei se a palavra existe, claro que não, que é Bonnie Raitt, que também tem duas ou três nomeações e que é assim um nome que também pensa que estivesse lá perdido nos confins do tempo e aí estão com nomeações para os Grammys.

Mas eu acho que a Brandi Carlile já nos últimos anos tinha acontecido de, nós na Europa, estarmos, era uma coisa que passou, e sobretudo nos prêmios e nos Grammys, não sei porque ela ainda tem...

Tem bom agente.

Tem, sim.

Se calhar tem.

Tem capital.

Bem, eu queria falar dos Yeah Yeah Yeahs.

Nelson, vai em frente.

Claro.

Sim.

Estava só aqui a tentar confirmar quais é que eram as nomeações dos Yeah Yeah Yeahs. Acho que são duas ou três.

Melhor regresso.

Isso é decididamente. Aliás, eu tenho que fazer aqui um disclaimer, porque se fizermos uma edição disto não passa na rádio.

Tu és muito fã dos Yeah Yeah Yeahs.

Sou bastante, sou muito mesmo. Acho que é a melhor coisa que aconteceu em Nova York nos últimos 40 anos.

É pá, o Nelson é um abusado.

Sou sempre um abusado.

É um abusado.

Pelo menos hoje é.

Mas aliás, ainda não vi aquele documentário que traça aquele retrato do início dos anos 2000 em Nova York com os Strokes.

O "Meet Me in the Bathroom".

Tu achas que ainda não saiu, mas eu empresto-te o livro se quiseres.

Ok. Não, já vi trailer disso, Lourdes, mas se calhar ainda não saiu o filme.

Acho que passou num festival qualquer.

Acho que sim, o Tiago é que está a pedir.

Mas atenção, passar num festival não quer dizer que esteja disponível para um farrapo como o Nelson ir ver.

Sim, serviços de streaming têm.

Mas olha, Nelson, eles estão nomeados a melhor álbum de música alternativa, com este "Cool It Down", e a melhor performance de música alternativa com a "Spitting Off the Edge of the World".

Com o Perfume Genius.

Exatamente.

Eu vou aqui ao disco "Cool It Down", porque acho que é de facto um grande regresso. Nove anos depois, os Yeah Yeah Yeahs estão aí com um disco novo. Sei o quê? Em setembro, acho eu. E a "Burning", que foi o primeiro avanço, deixou-me logo assim estremecido.

Todo queimadão.

E contente por voltar a ouvir os Yeah Yeah Yeahs em plena forma. Acho que é uma das bandas mais interessantes do rock dos últimos anos e aqui estão eles. Seguramente estarei a torcer por eles numa categoria que tem os Arcade Fire, que não vão ganhar, senão...

Senão o Nelson provoca uma insurreição.

Estava-me a lembrar daquele caso do vocalista, do Win Butler, que foi acusado. Provavelmente não vai ganhar. Não sei se será por causa disso ou não, mas Big Thief, Björk, Wet Leg também poderia ter sido uma das escolhas.

As Wet Leg estão também para artista revelação. Podem ganhar aí e deixar esta para outro.

E deixar o "Cool It Down" para melhor álbum alternativo.

Primeiro as Wet Leg fazerem um álbum em conjunto com a Anitta e ver o que é que aquilo dava.

Fria que quer ou não. E fica ela com "Burning" Yeah Yeah Yeahs e já trazemos mais das nossas canções favoritas nomeadas para os Grammys.

Grande canção, Nelson.

No Isto Não Passa na Rádio esta semana estamos a olhar para a lista de nomeados para os Grammys 2023, já que escutamos algumas das nossas canções favoritas deste lote de não sei quantas categorias e cada ano há uma nova, ou três ou quatro, como acontece este ano. Os Grammys são entregues apenas em fevereiro, mas estamos aqui a olhar para as nossas favoritas desta lista. E quem começa agora é o Tiago Pereira, que escolheu uma coisa que eu não faço a mínima ideia o que seja. Eu gosto quando ele faz isso.

Vou explicar-te. Eu dei aqui um twist nesta minha escolha.

Queres ver que estes nem sequer nomeados estão?

Não. Mon Laferte está nomeada. Ela é uma cantora compositora chilena. Chama-se Norma Montserrat Bustamante Laferte, este é que é o nome dela, tem 39 anos, nasceu a 2 de maio de 1983, se é que querem saber, se vos interessa minimamente. E ela está nomeada para uma categoria que é algo como melhor álbum rock latino. Algo assim parecido.

Sim.

E está nomeada graças a um álbum, o álbum mais recente dela, que se chama "1940 Carmen". Ora, a canção que eu trago aqui não é deste álbum, porque eu fiquei bastante desiludido com este álbum, devo dizer. Eu acho que a Mon Laferte é muito talentosa, tem uma ótima voz, mas ela aqui o que faz é um completo crossover, exatamente à procura de um público mainstream, que é perfeitamente legítimo, atenção. Mas eu acho que ela vai perdendo aquilo que lhe dava individualidade e que a destacava. Neste disco, aliás, há até canções em castelhano, outras em inglês, tudo misturado, é uma coisa muito rock FM, muito polida, muito previsível. Acho que não tem charme absolutamente nenhum. Em 2017, ela lançou um álbum chamado "La Trenza", que no final tem precisamente esta canção que lhe dá título. E aqui ouvimos Mon Laferte nas suas raízes latino-americanas. Eu não tenho absolutamente nada que achar, certo ou errado, onde quer que ela se queira encaixar, não é nada disso. Agora, eu gosto muito mais de a ouvir neste folclore, que é o que eu acho que ela faz.

Estava aqui a pesquisar algumas coisas sobre ela e diz que um dos seus gêneros é música cebola.

Pronto, deve ter camadas.

Onion music. Não, é um gênero de música chilena, precisamente para puxar ao sentimento.

Pronto, e esta aqui é bastante sentimental.

Nem sequer sabia que existia onion music.

Não sei. Acho que esta coisa dos Grammys também pode servir para isto. Como em qualquer prêmio, eu acho que a grande vantagem dos prêmios, é um bocado como as listas de final de ano. Que é olharmos para as listas. Não temos que concordar, nem achar bem ou mal os prêmios ou as escolhas. Disto que está aqui, que pistas é que eu posso retirar para conhecer coisas que ainda não conheço? E acho que aqui é uma boa oportunidade. É o que eu digo: o mais recente álbum da Mon Laferte não me diz absolutamente nada. Acho que ela anteriormente fez coisas muito interessantes e vale a pena ir lá atrás descobrir isso.

Mon Laferte, a escolha do Tiago Pereira. Estamos a falar dos Grammys 2023, apesar desta canção em particular e deste disco não estarem, mas está a artista nomeada.

Agora lembrei-me, acho que é o mesmo tempo e é o mesmo ritmo. Lembrei-me daquela cantiga do Rodrigo Amarante para a série "Narcos".

Sim.

É um balanço que me consola bastante. Pronto, acabei de fazer.

Gonçalo, ficas consolado com o Kendrick Lamar?

Não sei se consolado é a palavra que melhor se aplica, mas gosto muito. E tenho uma ou duas coisas a dizer sobre ele.

Terias muito mais. Ninguém esperava.

Terias muito mais, porque ele está em várias categorias.

Ele é o segundo mais nomeado.

A seguir à Beyoncé, talvez.

A seguir à Beyoncé. A Beyoncé tem nove nomeações.

Também é uma chatice. A Beyoncé é sempre isto, é a Beyoncé. Quem é o mais nomeado? Beyoncé.

É.

A vida é aborrecida. É aborrecidíssima.

No ano em que vai a jogo.

Os The Black Eyed Peas também estavam sempre nomeados para o Best Portuguese Act na MTV. Mas podemos continuar, estamos a falar de Grammys.

Sim, agora não estava à espera desta.

Mas é muito provável que o Kendrick, por exemplo, ganhe melhor álbum de rap, categoria para a qual ele está nomeado, porque os últimos dois discos que fez, o "To Pimp a Butterfly" e o "Damn", deram-lhe vitórias nessa categoria. Ele está nomeado também aí, está nomeada a melhor álbum do ano, categoria jornalista. E há uma coisa curiosa na história do Kendrick com os Grammys, que é, de alguma forma, as pessoas que não gostam dos Grammys e que dizem que os critérios dos Grammys são péssimos, normalmente lembram um caso em 2014, quando na categoria de melhor álbum rap estavam nomeados "Good Kid, M.A.A.D City" do Kendrick Lamar, o "Yeesus" do Kanye West, por causa dos dois E's, o "Magna Carta Holy Grail" do Jay-Z e o "Nothing Was the Same" do Drake. Quem ganhou? "The Heist" de Macklemore e Ryan Lewis.

Isso foi bizarro.

Eu tenho uma explicação para isso. É assim, se um dos outros ganhasse, todos os outros iam matar-se uns aos outros.

É, pá!

E o Macklemore como está fora dessa onda.

O Macklemore ter ficado vivo no meio disto é impressionante. Mas é um dos casos em que os críticos dos Grammys lembram isto. Uma coisa curiosa nas nomeações do Kendrick deste ano é que o Kendrick tem oito nomeações, cinco delas, incluindo para categorias generalistas como canção do ano e gravação do ano, que são duas muito importantes, foram dadas à canção que eu aqui trago, que tem a particularidade, neste novo disco do Kendrick Lamar, "Mr. Morale & the Big Steppers", a canção não ter entrado no disco, na edição original. É aquela canção, o "The Heart Part 5", que aparece como single antes do disco

sair e depois acaba por não entrar no disco, só agora em edições já deluxe e atualizadas é que já aparece. Portanto, nisso eu acho piada, se foi intencional, acho interessante e curioso que é: ele faz um disco muito bom, muito ouvido, muito aclamado, com 18 músicas e os Grammys decidem "não, a canção que nós vamos querer nomear é aquela que não chegou a entrar no disco". E é um ótimo tema e acho que neste caso tem razão, porque é mesmo uma grande canção.

As I get a little older, I realize life is perspective. And my perspective may differ from yours. I wanna say thank you to everyone that's been down with me. All my fans, all my beautiful fans. Anyone who's ever gave me a lesson. All my people.

I come from a generation of pain where murder is minor Rebellious in Margielas'll trip you for designer Belt buckles and clout overzealous and prone to violence Make the wrong turn, be a wheel of the wheel alignment, residue burn Misdirected in the city, miscommunication to keep homi' detective busy No protection is risky, desensitized, I vandalize pain Covered up in camouflage, get used to hearin' arsenal rain Analyze, risk your life, take the charge Homies don't your baby mama once you hit the yard That's culture, twenty-three hour lockdown Then somebody called, said your little nephew was shot down, the culture's involved I done seen through seventeen, hit the halfway house Get out and get his brains blown out, lookin' to buy some weed Car washes played out, new GoFundMe accounts to proceed A brand new victim'll shatter those dreams, the culture

I want the hood. Look what I done for you. Look what I done for you

I said I do this for my culture To let y'all know what a look like in a bulletproof Rover In my mama's sofa was a doo-doo popper Hair trigger, walk up closer, ain't no photoshoppin' Friends bipolar, grab you by your pockets No option if you froze up, always play the offense Going to work and selling work, late for work Working late, praying for work, but he on paperwork That's the culture, point the finger, promote ya Remote location, witness protection, they gon' hold ya The streets got me fucked up, y'all can miss me I wanna represent for us, new revolution what's up and moving I'm in Argentina wiping my tears, full of confusion Water in between us, another peer's been executed History repeats again, make amends Then find a with the same skin to do it But that's the culture, crack a bottle Hard to deal with the pain when you're sober By tomorrow, we forget the remains, we start over That's the problem, our foundation was trained to accept whatever follows Dehumanized, insensitive, scrutinize the way we live for you and I Enemies shook my hand, I can promise I'll meet you In a land where no equal is your equal, never say I ain't told you Nah, in a land where hurt people hurt more people, calling it culture

I want the hood. Look what I done for you. Look what I done for you

Vem de baixo.

Isto é muito bem feito.

Isto é. É mesmo. Só uma curiosidade que me estava a acontecer com esta canção e que me acontece noutros temas do Kendrick Lamar, é que eu não sei para onde é que vou. Estás num certo ritmo, num certo balanço, e depois ele troca-te aquilo de um momento para outro. Tu estás a dançar de uma maneira e depois já não faz sentido os movimentos que estás a fazer, porque ele já está noutro sítio na canção.

Sim, ritmicamente, na parte musical e até na parte da forma de dizer as palavras. Muda de flow, de modo de dicção, ritmo, cadência com que rima as palavras de uma forma diferente.

Continuo a dizer, de resto, o concerto do Kendrick Lamar no Altice.

Sim, Super Rock.

Continua a ser assim talvez dos melhores concertos que eu já vi naquela sala, pelo menos. Uma coisa impressionante ao vivo. Até porque está com uma banda completa, tens ali o baixista, tens ali o baterista. Aquela formação mais clássica, quase à banda rock. Dá-lhe ali uma dimensão que ao vivo-

Ou à banda funk.

A mim cai-me no gosto. Sim, prefiro esse formato. De resto, esta canção está nomeada para melhor vídeo, também.

Sim, porque foi aquele vídeo em que aparece uma série de figuras.

Sim, a cara dele vai-se transformando em pessoas famosas, também. Bem, vamos lá fechar isto. Têm menções honrosas, coisas que deixaram de fora, que acham que merecem um Grammy, que vos tenha saltado ao olho nas categorias já comentadas?

A mim saltou-me ao olho a banda sonora do Jonny Greenwood para o filme "O Poder do Cão". Eu não sei se viram o filme.

Não.

Eu gostei muito do filme e a banda sonora é um tapete perfeito para aquela tensão e todo o nervo que acontece naquele filme, está muito bem feito. Confesso que não ouvi a banda sonora sem as imagens, portanto, não sei até que ponto se sustenta da mesma forma, mas acredito que sim, até porque confio muito nas capacidades do Jonny Greenwood enquanto compositor.

Tinha aqui o Steve Lacy, que eu gosto muito, já gostava dos The Internet, que era a banda dele, e ele está nomeado nas principais gravação do ano e canção do ano com o "Bad Habits". Não sei. Aqui deste lote, talvez seja a minha aposta, a minha favorita.

Sim, fiquei feliz por ver os Big Thief nomeados para dois Grammys em duas categorias diferentes. Uma banda que, à partida, não diria que entraria nestas contas. E achei curioso também, nesse aspecto, já com alguma ironia. Por exemplo, ver a canção "There Better Be a Mirrorball", dos Arctic Monkeys, descrita como candidata a Best Alternative Music Performance. Não sei alternative exatamente a quê, mas é uma banda grande.

Acho que é alternativa a eles próprios.

Pois, pode ser.

Deve ser.

Como já não vai para o rock.

Tem de ser uma piada meta.

Exato. Como não vai para o rock e não chega a categorias principais, mete-se na alternativa.

A nível de piadas meta, também vejo aqui os Måneskin.

Isso também tem muita graça.

Tem.

Tem uma graça inacreditável. Os Grammys têm um bocado a coisa de surfar algumas ondas.

Alguns fenómenos, sim. Eu ia falar do PJ Morton, que está nomeado para melhor álbum de R&B e também melhor canção de R&B. Ouçam o disco "Watch the Sun".

Também vai bem, tem um calorzinho muito bem ensacado.

Gosto muito, mas essa já passa na rádio, pelo menos aqui na Rádio Observador. Por isso eu vou buscar o Omar Apollo, que é um tipo que eu ando a acompanhar há algum tempo e que gosto muito. Ele é norte-americano, mas é nascido na América, na primeira geração. Os pais são mexicanos que atravessaram a fronteira a partir de Guadalajara e radicaram-se no estado de Indiana. Foi lá que ele cresceu e eu tenho gostado muito das coisas dele. Por exemplo, no novo álbum, o "Ivory", eu acho que ele está nomeado para melhor novo artista. Exato. E acho que é a única nomeação que ele tem. O Omar Apollonio Velasco é um tipo novo, tem 25 anos, ou 24, mas tem feito umas coisas muito engraçadas. Tenho andado de olho nas suas canções e, se por um lado ele tem canções em que parece o John Mayer, por outro, tem coisas que puxam o seu lado mais chicano e latino. Um dos temas que eu trouxe é o "Tamagotchi". Vamos fechar o "Isto Não Passa na Rádio" com esta canção, que é provavelmente o apontamento mais latino que o disco tem, porque nas outras canções ele canta em inglês, tem coisas à guitarra e outras mais a roçar o R&B progressivo, como os Grammys gostam de chamar. Para a semana regressamos com outro tema. Estas foram as nossas escolhas para os Grammys 2023. Tiago, Gonçalo, até para a semana.

Até para a semana.

Um abraço.