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Está no ar o "Linha da Beira Alta", na Rádio Observador Viseu. É por aqui que damos voz a figuras e personalidades que marcam precisamente o distrito de Viseu. Eu sou o João Costa e Silva e ao longo desta hora também os nossos ouvintes são convidados a participar, a deixarem a sua opinião, aquilo que pensam sobre o tema que vai pautar esta conversa, mas também sugestões de temas, de convidados. Podem fazê-lo através do 91 002 41 85 e também através do e-mail viseu@observador.pt. No programa de hoje, no "Linha da Beira Alta", recebemos Carlos Oliveira, é o presidente da Câmara Municipal de Vouzela, a quem agradeço mais uma vez o facto de se juntar a nós aqui no "Linha da Beira Alta".

Muito obrigado pelo convite, João. Bom dia a todos os ouvintes da Rádio Observador. Obviamente, estarei sempre disponível para colaborar convosco, que é para isso também que cá estamos.

Vamos a isto, vamos olhar para Vouzela e para uma notícia que é recente. Vouzela estima recolher, porta a porta, 62 toneladas de biorresíduos por ano. Este novo serviço de recolha porta a porta arranca já no mês de maio, já não falta assim tanto, estamos aqui a terminar o mês de março. Embora Vouzela comece em junho, havia a necessidade urgente de implementar esta recolha. Percebeu isso ao longo do tempo e foi percebendo, tendo em conta também aquilo que estávamos a falar em off, a questão das alterações climáticas e dos problemas que o mundo tem vindo a enfrentar nos últimos tempos.

É mesmo isso. Nós estamos num planeta que vive numa velocidade muito acelerada. As alterações climáticas, estas questões ambientais são fundamentais para os dias de hoje, mas principalmente também para o nosso futuro e para o futuro das gerações vindouras. E esta é uma satisfação muito grande, darmos início brevemente a este projeto. A apresentação ocorreu agora no passado dia 21 de março, que foi um dia simbólico, que é o Dia Internacional da Floresta, que está intimamente ligado a estas questões ambientais. É um projeto que, como disse, é essencial, é fundamental para o futuro do nosso concelho, da nossa região, do país, esta recolha seletiva porta a porta dos biorresíduos alimentares. É um passo fundamental, diria eu, numa caminhada rumo a um concelho mais sustentável, rumo a um concelho ambientalmente mais responsável, sempre alinhado com as melhores práticas de gestão dos resíduos e obviamente com os objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas, principalmente com o objetivo número 12, que está relacionado com a produção e com os consumos sustentáveis. É esta a nossa estratégia, um dos nossos pilares de desenvolvimento é o ambiente e os recursos naturais, estamos aqui a trabalhar para isso. E este é mais um projeto. É um projeto que tem a parceria, obviamente, como não podia deixar de ser, da Associação de Municípios da Região de Planalto Beirão, a quem também agradecemos, obviamente, todo o trabalho que tem feito com os municípios associados, mas também obviamente com a comunidade, porque o trabalho que se faz é para a comunidade, onde queremos, obviamente, um dos objetivos é a redução da deposição destes resíduos orgânicos em aterro e obviamente promover a sua valorização. São resíduos que podem ser valorizados, que podem não ir para aterro, porque a questão dos aterros vão avolumando, vão ganhando área e não pode durar isto para sempre. Estima-se que em Vouzela sejam recolhidas ou valorizadas 62 toneladas, mas que na área do Planalto Beirão sejam mais de 2800 toneladas de biorresíduos que possam vir a ser reaproveitadas, possam vir a ser transformadas em composto orgânico, por um lado, para a fertilização dos solos, mas por outro também possam ser utilizadas na produção de energia elétrica através da produção de biogás.

E pelo que sabemos, e para já nesta primeira fase, Vouzela ainda não vai abranger aqui a recolha doméstica. Como é que vai ser processada esta recolha dos biorresíduos? Como é que isto vai ser feito?

Nesta primeira fase, o projeto avançará só com a área da restauração e de snack bares e com as cantinas escolares, que são setores que geram uma quantidade significativa de resíduos bioorgânicos. Estamos a falar aqui à volta de 20 unidades. Vamos entregar a cada um destes estabelecimentos, obviamente em conjunto com a Associação do Município do Planalto Beirão, um contentor castanho, diferente das outras cores que temos na recolha seletiva, onde eles vão depositar os biorresíduos alimentares, depois será feita a recolha para conduzir ao destino final e à sua separação e à sua valorização. São números que esperamos que comecem a incentivar também as outras pessoas a fazerem este trabalho, que possam ter um impacto positivo, porque pensamos que esta é uma medida que terá, por um lado, muito impacto ao nível ambiental, mas por outro lado, também vai contribuir para a circularização da economia, para a economia circular, que também está em voga. Como disse, no futuro, queremos também alargar esta medida à comunidade, aos cidadãos, que possam contribuir também eles de forma ativa para um modelo de gestão de resíduos que possa ser mais eficiente e mais sustentável. O que nós esperamos com esta medida, quer já nos estabelecimentos de restauração e bebidas e nas cantinas escolares? Esperamos, obviamente, que haja aqui uma redução dos resíduos em aterro. Esperamos que haja uma melhoria obviamente também da qualidade ambiental, por outro lado. Esperamos que a taxa de reciclagem global do município também possa aumentar. Que aumente aqui a separação e a reciclagem também adequadas, quer dos biorresíduos, quer também dos outros resíduos. Esperamos também outra questão importante, que é a redução dos custos associados aqui ao tratamento dos resíduos em aterro Esperamos que também possa haver uma poupança dos recursos naturais, porque esta compostagem e as outras formas de valorização são fundamentais para isso. Para ter uma ideia, em 2024, no município de Vouzela, o nosso custo com a recolha e o tratamento aos resíduos sólidos urbanos foi de aproximadamente 505 mil euros. E a nossa receita vinda dos munícipes, dos contribuintes de Vouzela, não chegou a 250 mil. Quer isto dizer que nós estamos a subsidiar, neste momento, mais de 50% dos custos com os resíduos. Portanto, o custo é muito grande e só com o aumento da taxa da reciclagem e com a questão dos biorresíduos alimentares também serem incrementados e ser valorizada, é que nós vamos conseguir diminuir a nossa fatura e melhorar, obviamente, também a questão ambiental. Já tinha falado também há bocadinho como resultado esperado deste projeto, a questão do fortalecimento da economia circular. Ao promovermos a reutilização e a reciclagem destes biorresíduos, vamos diminuir a deposição final em aterro. E que, como sabemos, a fração resto, a fração zero, também vai ter um incremento depois na taxa de gestão de resíduos que é paga. O que vai para aterro, cada tonelada é paga um determinado valor a tonelada. Se não for, obviamente que vamos diminuir a fatura. Há também uma diminuição dos gases de efeito estufa e, obviamente, fundamental também aqui a questão da promoção dos comportamentos sustentáveis da comunidade, de forma a haver uma mudança comportamental, obviamente, mais ampla na sociedade. Sabemos que esta mudança de comportamento, esta mudança de hábito, requer muita informação, requer muitas ações de sensibilização e necessita do envolvimento de todos. Isto não pode ser uma coisa que seja imposta, tem que ser algo que a sociedade vá apreendendo e vá mudando o comportamento. Para isso também estamos a trabalhar nesse sentido ou vamos desenvolver campanhas de educação ambiental, nas escolas, nas IPSS, na comunidade, através de newsletters, na fatura da água, mandar também alguma mensagem que possa ser assimilada e bem compreendida pela população. Estamos a trabalhar para isso, de forma a garantir que este seja um sistema que seja bem compreendido e que seja utilizado da forma mais correta possível. Obviamente, como estou aqui, é um projeto em que contamos com a colaboração da população, da comunidade. Eles já vão assimilando essas coisas para que esta transformação que nós pretendemos se traduza em benefícios reais para Vouzela, em benefícios para a região e para, obviamente, o planeta, que agradece tanto.

Agradece, sim, senhor.

Basicamente é isso.

E Carlos Oliveira, eu sei que entretanto fizeram uma sessão de apresentação e também de esclarecimentos no Auditório 25 de Abril, em Vouzela, na passada sexta-feira, dia 21 de março, perante alunos do ensino profissional, diretores de agrupamentos, produtores e responsáveis da restauração. Esta medida está a ser bem recebida?

Sim, a sessão correu muito bem. Foi uma sessão, como disse, que contou com alunos da escola profissional, contou com os estabelecimentos de restauração e bebidas, contou com os diretores, os representantes dos diversos agrupamentos de escolas. Contou também com a participação das IPSS, os representantes das IPSS, bombeiros voluntários da comunidade, de forma a tentarmos já incrementar esta mensagem, que é fundamental, apesar de estarmos a começar aqui, não é um projeto-piloto, mas é um projeto ainda mais restrito, tentarmos passar esta mensagem de forma a construirmos, obviamente, que é isso, todos juntos, um concelho mais limpo, um concelho que seja mais inovador, um concelho que esteja mais preparado para os desafios ambientais do futuro. É sempre com esta determinação, é sempre com este sentido de missão, que vamos continuar a trilhar este caminho rumo a um concelho, como disse, mais limpo, mas também uma gestão de resíduos mais inteligente e mais sustentável, porque o nosso futuro, o futuro de Vouzela, o futuro do planeta, não está só nas mãos das entidades públicas, está nas mãos de toda a gente, de toda a comunidade, e temos que trabalhar todos para o mesmo. E é agradecendo também a todas as pessoas que estejam envolvidas neste projeto, todos os parceiros, obviamente, institucionais, mas também à comunidade que nós queremos que a adesão a esta mudança seja mais forte todos os dias.

Carlos Oliveira, ficamos aqui com as explicações sobre este projeto. Vouzela estima recolher, porta a porta, 62 toneladas de biorresíduos por ano e está aqui dado o mote para que este seja um projeto de sucesso. Carlos Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Vouzela, muito obrigado por ter estado aqui conosco no "Linha da Beira Alta". Um abraço e até breve.

Agradeço e um abraço para todos os ouvintes. Muito obrigado.