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Sejam bem-vindos ao "Linha da Beira Alta", é o programa da Rádio Observador Viseu, onde conversamos com os protagonistas do distrito de Viseu e podemos ouvi-lo também a si. Envie-nos dúvidas, perguntas, sugestões através do e-mail viseu@observador.pt ou, se preferir, envie-nos uma mensagem de voz para o número WhatsApp 910 024 185. Vamos dar as boas-vindas ao convidado de hoje. Recebemos Paulo Figueiredo, é o presidente da Câmara de Moimenta da Beira. Viva.

Olá, muito boa tarde. Viva, João Miguel. E boa tarde para todos os ouvintes da Rádio Observador.

Rádio Observador Viseu.

Viseu.

Viseu, grande distrito. Presidente Paulo Figueiredo, diga-me, o concelho de Moimenta da Beira foi afetado pela tempestade Kirk, há notícia de estragos nas explorações agrícolas. Já tem uma radiografia dos estragos e quanto é que foi afetado aí no concelho de Moimenta?

Temos, sim, senhor. Inclusivamente, no dia em que ocorreu essa tragédia, nós identificamos, tenho cinco fruticultores que foram atingidos. E dizia eu que na última quarta-feira, da semana passada, converssei logo com o senhor Ministro da Agricultura, constatando-lhe a situação e agradecer, que o senhor Ministro da Agricultura manifestou logo a sua preocupação e esteve sempre atento à nossa realidade. E dizer adicionalmente que o senhor ministro, ontem mesmo, esteve aqui conosco. Assim como esteve também no Conselho de Ermesinde, Tarouca, Lamego, mas os conselhos mais fustigados fomos nós e Ermesinde, e ele constatou in loco, não a totalidade das situações, mas grande parte das situações. E sei que ele quantificou-se a direcionar uma medida para efetivamente poder repor a capacidade produtiva dos fruticultores que foram afetados.

Cinco, não é?

No caso de Moimenta da Beira, sim.

Em Moimenta da Beira, cinco produtores de fruta. Tem ideia do-

Muita da fruta já estava colhida. Algumas variedades mais precoces começam a ser colhidas logo em agosto e já não estavam nas macieiras. Agora, uma variedade como Golden e Fuji, são variedades que se colhem mais tarde e ainda há muita maçã por colher. Isto aconteceu em pomares que a colheita ainda não tinha ocorrido. Há pomares que caíram completamente. E para além do prejuízo da colheita deste ano, será a necessidade de repor toda a plantação e toda a estrutura inerente à plantação. E obviamente, também teremos aqui um hiato temporal de pelo menos quatro anos sem colher maçã. Ou seja, há aqui a necessidade de fazer o investimento e depois a perda de rendimento.

Claro, associado.

Associado durante alguns anos.

Tem ideia do volume do prejuízo?

Tenho. O valor da reposição em Moimenta da Beira andará entre os 300 e 400 mil €.

Está coberto pelo seguro ou não?

Não, esta situação não está coberta por seguro. O seguro de colheitas apenas cobre o fruto deste ano. Ou seja, o ativo, as plantas, as estruturas, arames, tudo isso, o seguro de colheitas não cobre. Daí que o senhor ministro se disponibilizou a apoiar, havendo um prejuízo superior a 30%, naquela determinada parcela, o senhor ministro pretende criar a tal linha para apoio ao investimento que é necessário fazer.

Ok. Será através de um crédito bonificado? Tem ideia de como é que isso será feito? Ou é ajuda direta?

Ajuda direta. Vou dizer-lhe como é que funciona. Se o prejuízo for até 10 mil €, é um apoio a 100%. Se o prejuízo for entre 10 mil e 50 mil €, é um apoio a 85%. Se for superior a 50 mil €, o apoio é só de 50%. Isto uma linha com fundos comunitários para este apoio.

Para cobrir os prejuízos, para que não nos falte a maçã de Moimenta da Beira.

Que é a melhor do mundo.

Que é a melhor do mundo.

Moimenta da Beira, abastecemos o globo. É verdade, sai maçã de Moimenta da Beira para vários destinos mundiais.

Muito bem, já agora, à cabeça, vendem pra onde?

Como é que é? Desculpe, não percebi.

À cabeça, qual é o país que aparece nas exportações de maçã?

Olha, desde logo o Brasil, os mercados nórdicos, Colômbia, sei que Norte África também, obviamente Ásia, não. Mas há vários países, quer na Europa, quer na América Latina, que Norte África, que são abastecidos por empresas aqui de Moimenta.

Muito bem. Paulo Figueiredo, Moimenta da Beira tem quatro projetos no âmbito do PRR, obras de reabilitação e melhoramento em 12 habitações sociais em três localidades de Moimenta e ainda a construção de uma residência universitária. Como é que estão estes projetos?

Estão a andar a um bom ritmo. Dentro das dificuldades, a um bom ritmo. Estou a olhar para a residência universitária, está praticamente concluída, inclusivamente janelas novas, telhado novo, toda a reabilitação já ocorreu, faltam alguns pormenores no interior. O prazo para conclusão é até final de dezembro e penso que irá ser cumprido. Está a um ritmo muito bom.

Portanto, não padeceu do problema de outros autarcas do país e até do distrito de Viseu, que tiveram problemas em contratar empresas. Isso não aconteceu em Moimenta da Beira.

Nos projetos que temos a decorrer, felizmente não.

Correu tudo bem.

Ao nível das habitações, já temos várias também praticamente concluídas e temos outras que ainda iremos começar. Já temos três projetos praticamente concluídos, temos um para iniciar e já concursado e ainda iremos fazer mais 12 novas habitações. A gente agora começa a sentir que efetivamente há escassez de empresas. Muitas vezes também alegam que os preços podem não ser os melhores, mas o comum da ideia é que como há tanto trabalho, as empresas estão sobrecarregadas de projetos de execução e é uma forma simpática de dizerem que não têm disponibilidade para concorrer.

Pois. Mas para já, esse problema não se colocou em Moimenta da Beira e, portanto, os projetos do PRR estão a avançar dentro do calendário previsto.

E temos outros, temos várias candidaturas PRR já a acontecer, inclusivamente.

Boa!

No âmbito das acessibilidades com privados e com equipamentos públicos, outros projetos a nível da eficiência energética também no âmbito do PRR. Temos um projeto muito engraçado que é o projeto dos bairros digitais.

Bairros digitais?

Bairros digitais em Moimenta da Beira. É um projeto que vai muito ao encontro de todo o comércio local, onde teremos um marketplace, um website, diria assim, onde todos os comerciantes estarão linkados e onde é possível fazer comércio digital a partir e com Moimenta da Beira.

Portanto, vai haver uma Moimenta da Beira comercial na internet, é isso?

É verdade. Estamos a falar de um projeto de €727 mil, em que, salvo erro, só houve 66 no país, ou 66 ou 67. E nós, felizmente, fomos um dos contemplados. A nossa candidatura foi contemplada.

Contemplada. A ideia é puxar pelo tecido económico de Moimenta da Beira, presidente.

Sim, claro que sim. Não só na parte comercial, mas também industrial. Estamos aí também com ideias, projetos que eu considero também arrojados ao nível da nossa zona industrial e queremos muito concretizá-los também.

Muito bem.

Para efetivamente acolher mais empresas, temos uma zona industrial que nos envaidece, diria assim. É muito interessante, onde já temos grandes players, quer no setor da maçã, quer no setor do granito, quer no setor da metalomecânica, no setor das caixilharias, PVC, alumínios e outros. E temos esperança de poder vir a ter mais empresas previamente aqui no nosso parque industrial.

Isso é espetacular para um conselho do interior. São boas notícias, diria.

Sim. Estamos contentes. Também sabemos que as empresas estão aqui a gerir um pouco o timing com as oportunidades que o Portugal 2030 trará. Tivemos aqui uma fase menos ativa, diria, mas temos esperança. Aliás, tenho conhecimento de várias empresas que têm candidaturas formuladas e quero crer que poderão brevemente estar aqui conosco.

Portanto, a sua expectativa enquanto gestor do território Moimenta da Beira é, nos próximos anos, assistir a um crescimento da atividade económica. É isso?

A minha área de formação é economia também, logo acredito que a economia é uma das grandes-

Olhe que os economistas são maus a adivinhar o futuro.

É verdade. Muitas vezes passamos a vida a fazer projeções e os pressupostos nem sempre batem certo. Isso também quando há demasiado otimismo.

Isso.

Nós também temos que ter algum ceticismo relativamente a esses pressupostos. Há variáveis que a gente não controla.

Isso.

Mas queremos muito, eu acredito muito que a economia de um concelho, ou melhor, a economia é efetivamente a grande alavanca de um concelho. Aliás, o nosso interior, digo muitas vezes, está um pouco como está, porque sempre se esqueceu a economia no interior. E o interior está assim porque as pessoas foram à procura de mais economia. O êxodo populacional que nós temos do interior foi porque pessoas emigraram para terem elas próprias melhor economia, melhor rendimento. Há um êxodo grande do interior para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Por quê? Porque lá a economia funciona.

Há oportunidades.

O interior não tem que ter só, que é importantíssimo ter, serviços públicos, obviamente, educação, saúde, justiça, mas também tem que ter aqui um modelo económico diferenciador para que o interior possa não ter uma velocidade diferente que tem o litoral.

Exatamente.

Eu sou defensor de que no interior temos muita qualidade de vida, mas O interior não pode só produzir oxigénio gratuitamente.

Exato.

E gratuitamente.

Exatamente.

E muitas vezes o interior também só é lembrado quando temos incêndios no verão.

Claro. Nós esquecemos que o interior do país providencia ao resto do país esse grande serviço, que é fornecer ar puro.

Ar puro, energia, que é produzida no interior. É no interior que existem barragens, quer energia hídrica, quer eólica, quer até solar. E as empresas buscam neste interior muito rendimento e o interior não recebe ou não fica cá praticamente rendimento nenhum.

Não é remunerado.

Não é remunerado por isso. É algo que tem que ser repensado, na minha ótica.

Muito bem. O debate está lançado, já há muitos autarcas a reivindicarem esse pagamento. Quais são os grandes desafios que Moimenta da Beira enfrenta nesta altura, Paulo Figueiredo?

O meu maior desafio é efetivamente a perda populacional. E nós tentamos fazer tudo para inverter esta tendência. Já implementamos políticas para reverter esta situação, designadamente apoio à natalidade, de forma bastante incisiva. Transformamos todo o Conselho de Moimenta da Beira em área de reabilitação urbana, ou seja, quem quiser reabilitar casas em Moimenta da Beira tem imensas vantagens fiscais aqui em Moimenta da Beira, tal como, por exemplo, o IVA da reabilitação de uma casa não é 23%, é 6%. Isenção de IMI durante oito anos, isenção de IMT, isenção de mais-valia, se for o caso, caso haja transação posteriormente. Eu digo muitas vezes aqui aos nossos munícipes e a quem não é munícipe que queira investir em Moimenta da Beira, que num investimento de €100 mil, poupam €20 mil de forma direta. Mas é o envelhecimento da nossa população no interior. E infelizmente, temos óbitos quase todos os dias e precisamos de ter gente jovem aqui neste interior. Uma das coisas que fizemos também é ter conseguido o prolongamento do Politécnico de Viseu aqui em Moimenta, através também da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego, onde já temos quatro cursos a funcionar aqui.

Dá outra vida e cria outro dinamismo.

Queremos fazê-lo de forma sustentada e com o apoio da nossa residência de estudantes. Até aquele ponto que tenho pensado, podemos criar aqui condições para que estudantes possam ver melhorada a sua formação pessoal e profissional e queremos muito que eles estejam aqui conosco.

Muito bem. É uma luta diária, não é?

É, constantemente.

Constantemente.

É a nossa vida.

Mas pelo menos têm bons ares. Ares frios, como diria o Aquilino Ribeiro, como é que ele dizia? Terras do demo.

Terras do demo. Terras difíceis, onde o verão é tórrido e o inverno é realmente também desafiante, porque temos aqui temperaturas de cinco graus negativos com facilidade.

Claro. É isso que enrijece os ossos.

Gente robusta.

Gente robusta, muito bem. Paulo Figueiredo, foi um gosto estar à conversa consigo aqui no Linha da Beira Alta de hoje. Muito obrigado.

O gosto foi meu, obrigadíssimo pela vossa atenção também e agradecer muito o papel que a Rádio Observador de Viseu faz em prol deste território. Excelente iniciativa. Obrigado a todos.

Muito obrigado. Em destaque hoje no Linha da Beira Alta, Moimenta da Beira. Se tiver sugestões, críticas, elogios ou perguntas, faça-nos chegar. Tem à sua disposição o e-mail viseu@observador.pt ou então o número WhatsApp 910024185. Envie-nos uma mensagem de voz. Linha da Beira Alta, de segunda a sexta, ao meio-dia, aqui na Rádio Observador. Viseu.