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Mais um episódio de Mundo IA, o jornal diário da Rádio Observador sobre inteligência artificial. Hoje com edição do Carlos Pedro. Carlos, pode a inteligência artificial vir a mudar a forma como marcamos as nossas férias? O Airbnb acredita que sim e por isso vai lançar um novo agente de IA.
A Airbnb anunciou que vai lançar o próprio agente para ajudar a planear viagens já no primeiro semestre do próximo ano. Rui Casanova, o que vai mudar ao certo na forma como reservamos as nossas férias?
A grande aposta do Airbnb é afastar-se do modelo tradicional dos chatbots de texto, que a empresa considera demasiado aborrecidos para o setor do turismo. Por isso, em vez de uma conversa em texto simples, este agente de IA vai gerar uma interface visual personalizada em tempo real, combinando mapas, fotografias, calendários e comparações lado a lado de alojamentos de acordo com o que o utilizador pedir. A empresa fundamenta a decisão no facto de 80% dos viajantes gostarem do processo de pesquisa e de ver fotos, querendo, por isso, manter o lado divertido da navegação, mas eliminando o trabalho burocrático. O agente de IA do Airbnb foi desenhado para atuar no apoio ao cliente durante e após a estadia. Vai permitir alterar reservas, gerir problemas de pagamento, processar reembolsos ou ainda remarcar alojamentos. Tudo isto 24 horas por dia. Além disso, o Airbnb quer ir além dos alojamentos locais, expandindo o agente para a reserva de hotéis, experiências e outros serviços de viagem.
O anúncio do novo agente de inteligência artificial da Airbnb para 2027, para o próximo ano, resumido aqui pelo jornalista Rui Casanova.
Carlos, esta semana já demos conta aqui das preocupações de Elon Musk com os centros de dados de IA nos Estados Unidos. Isto depois do resultado favorável para os democratas nas Midterms, principalmente no Texas. Mas, entretanto, um estudo da Columbia Business School estima que os Estados Unidos vão atingir o maior valor em gastos com inteligência artificial na história do país.
A onda de investimentos tem se alargado ao redor do planeta. Logicamente, a maior potência econômica do mundo não é exceção. Este estudo prevê que os norte-americanos destinem, em média, 3,6% do PIB em gastos com esta tecnologia. Isto entre 2025 e 2032. Trata-se assim do maior boom de investimentos da história norte-americana. O valor supera muito o de outras grandes transformações históricas no país. Por exemplo, entre 1970 e 1990, 2,2% do PIB foi destinado à construção das ferrovias. Para as estradas, o valor ultrapassou ligeiramente 1% entre 1956 e 1973. De acordo com a análise deste estudo, financiando a expansão da inteligência artificial, a diferença reside no período em que os processos se desenrolam, apontando a implementação desta tecnologia como algo mais concentrado e disruptivo.
No meio de toda esta loucura à volta da inteligência artificial, está a procura constante pela construção de data centers de grandes dimensões.
E já vamos perceber isso, Nelson, mais à frente neste Mundo IA, mas vamos a números, porque, por exemplo, o investimento de empresas como Alphabet, Amazon, a Meta, a Microsoft e a Oracle passou em cinco anos de U$ 97 mil milhões para U$ 416 mil milhões entre 2020 e 2025. As projeções indicam que neste ano o valor vai ultrapassar U$ 800 mil milhões. No final do mês de setembro, de acordo com os dados do Data Center Maps, eram mais de 4500 os centros de dados existentes em solo norte-americano, 12.200 em todo o mundo. Portugal tem 46 estruturas deste tipo, mas com vários projetos em desenvolvimento.
Continuamos a falar deste tema. A febre dos data centers está a gerar contestação. Para este fim de semana estão marcados vários protestos na Europa.
São manifestações convocadas por mais de 100 movimentos da sociedade civil e grupos de ativistas em todo o mundo. Vai abranger várias cidades europeias também e terá como lema a frase: "Basta de centros de dados". Embora não estejam previstas ações de protesto em Portugal, a Quercus associa-se à mobilização europeia e defende a suspensão da construção e do licenciamento de novos centros de dados, sempre que os projetos avancem sem garantias adequadas de proteção e compensação ambiental, social e econômica. O movimento exige também maior responsabilização política.
Carlos, em causa está aqui, sobretudo, a pressão que estas infraestruturas exercem sobre os recursos naturais.
É isso mesmo, Nelson. Estas infraestruturas são acusadas de consumir muita água e energia elétrica e de, em certas regiões, aumentarem também o nível de ruído local. Também há preocupações relativas à erosão da privacidade e da remilitarização da Europa.
Fica por aqui mais um episódio de Mundo IA. Voltamos na segunda-feira com mais novidades, alertas e curiosidades sobre inteligência artificial.