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Seja bem-vindo à Linha da Beira Alta, programa da Rádio Observador Viseu, onde conversamos com os protagonistas da atualidade do distrito de Viseu e contamos com o seu contributo. Pode enviar sugestões e perguntas para o 91 002 41 85, ou escrever-nos para o endereço de e-mail viseu@observador.pt. Hoje vamos estar à conversa com Joaquim Amaral, o presidente da Câmara de Nelas. Viva, senhor presidente, tudo bem?
Viva, João Miguel, muito boa tarde.
O sol já brilha em Nelas depois de tantos dias de chuva.
Verdade. O sol aqui também costuma brilhar a miúdo. É um concelho muito solarengo, em planície pura e com encantos que a natureza concedeu a este território.
Tem sido muito castigado o nosso território com tempestades. A última tempestade, Martinho, provocou muitos danos aí em Nelas ou não?
A amplitude da tempestade teve os seus impactos. Tivemos o registo de árvores que caíram. A primeira coisa que me diz respeito de mais relevante registrar ou expressar é não ter havido nenhuma vítima ou algum problema relacionado com a população em si, no que diz respeito à sua condição. Naturalmente, tivemos algumas questões que têm a ver com coberturas e telhados danificados, parcialmente, e outros com alguma significância. Árvores arrancadas, aluimentos e muros, e o que é de alguns equipamentos municipais também, nas piscinas e no complexo desportivo, alguma parte também afetada, naturalmente com impacto, mas resolvido com serviços de proteção civil do município, em devida articulação com os serviços externos da própria autarquia, que rapidamente deram resposta à maior parte do que decorreu da tempestade Martinho.
Portanto, está tudo a andar. Inclusivamente, tem obras previstas até ao final do mandato. Uma delas é a requalificação do centro histórico de Santar. O que vão fazer nesta freguesia?
Antes disso, deixe-me que diga, de uma forma muito rápida. Estão já em execução as empreitadas das duas Unidades de Saúde Familiar do concelho, de Canas de Senhorim e de Nelas, bem como foi assinada a consignação das duas empreitadas das duas escolas secundárias, também do concelho de Nelas e de Canas de Senhorim, e vão entrar em empreitada agora no mês de abril.
Tem sido fácil encontrar empreiteiros disponíveis para executar estas obras? Porque há muitos autarcas que se queixam que não há muita gente, nem muitas empresas.
E é perfeitamente normal. Nós neste mês acabamos, em 2023, o que foi o prolongar do PT 2020, estamos com dois fundos a decorrer, o PT 2030 a dar o seu início e o PRR também em fase de conclusão, que é 2026, o próximo ano. Há muita coisa que está agora decidida e mudou agora a correlação, há mais procura em relação aos empreiteiros do que oferta. E eu não descarto que alguns concursos possam ficar desertos.
Não é o caso de Nelas.
O primeiro concurso da escola ficou deserto. Agora, no segundo, felizmente tivemos. Pudemos fazer um reajustamento das verbas, porque as candidaturas também decorreram, entretanto, há um hiato temporal do que é a realidade agora, com a realidade acrescida que lhe acabei de referir. Mas houve concorrentes e já foi feita a consignação e estamos em condições de entrar com a empreitada em execução.
Muito bem.
A requalificação do centro urbano de Santar. É uma candidatura que nós submetemos em abril de 2022, foi das primeiras que nós elaboramos e só muito recentemente, com a CCDR, com o Ministério da Coesão, com a insistência também no que é uma infraestrutura relevante para o território, para a freguesia de Santar, mas para o território do concelho e também para a nossa região. Estamos a falar de um local com potencial turístico enorme, sobejamente conhecido, e é uma intervenção que faz a requalificação do centro histórico, permitindo uma mobilidade para os habitantes, os nossos visitantes, os turistas, para usufruírem também do espaço nobre, do património cultural imenso e arquitetónico que Santar tem e está alavancado em outros projetos que nós temos, quer de investimento público, quer de investimento privado Que, em harmonia, vão potenciar ainda mais, passe a redundância, de assentar no centralismo do turismo cultural e patrimonial, mas também no turismo associado à marca grande do Conselho de Nelas e da nossa região, que é o produto endógeno de excelência do vinho, da feira do vinho, da vinha e do vinho.
Muito bem. Gostava de falar ainda consigo de um projeto que tem aí em Nelas: microbibliotecas comunitárias. O que é isto?
Nós achamos que o projeto tem um potencial grande e replicável. Nós estamos a falar em uma componente que é alargar e sensibilizar ainda acrescidamente a propensão para a leitura ou incentivar para a leitura dos nossos munícipes, em particular dos mais jovens, mas naturalmente, direcionado também para a comunidade em geral. Mas para os mais jovens, o que nós criamos foram bibliotecas ou mini bibliotecas que estão alocadas. Começamos no ano passado o projeto e este ano estendemos a todas as freguesias do Conselho. É uma ideia também de partilha, de partilha de leitura, de partilha do livro, do cultivo do que é o bem do livro, sem descurarmos a parte digital que vivemos, mas manusear o livro, termos também o livro como o epicentro do que é a nossa cultura, a nossa prática salutar de leitura. E a ideia central é: nós depositamos livros ou colocamos livros em todas as bibliotecas, por todas as freguesias do Conselho, nessas minibibliotecas construídas por nós, e os munícipes, os visitantes, podem consultar o livro, leem-no e devolvem-no ou levam um livro e partilham e deixam outros livros. A ideia é haver lá livros, mas também quem consultar ou quem frequentar a biblioteca, poder levar o livro para casa e depois devolvê-lo ou trocar o livro e acrescentar outros livros à biblioteca. E é uma forma que também nós encontramos de levar a leitura às freguesias todas, de uma forma também diferente, para criar também o que criou em si próprio, e também, João, a ideia de curiosidade, por quê e qual o propósito destas minibibliotecas e para o que eventualmente serviriam. Enquadradas no projeto que é, na agenda cultural forte que temos, agora também nas atividades culturais, no cineteatro, com teatro, com cinema, com música, com stand-up, e ser um procedimento que depois, em maio, também desemboca numa iniciativa grande, que é o Nelas Leitura, que já fazemos há muitos anos.
Sim.
E que está enquadrada no que é a divulgação da cultura, a promoção das atividades culturais nas suas diversas expressões.
Sim.
E depois também, naturalmente, uma componente interessante, cada vez mais, a parte da leitura, que nós fazemos questão de levar a efeito diversas iniciativas para conseguirmos chegar a esse objetivo.
Muito bem. Joaquim Amaral, agradeço-lhe imenso ter estado aqui conosco hoje.
Fica desde já. Sempre, é um gosto imenso.
Joaquim Amaral, autarca de Nelas, no Linha da Beira Alta de hoje. Já sabem, enviem-nos as suas sugestões, inquietações, dúvidas, críticas para o 91 002 41 85. Se preferir, pode usar o endereço de e-mail viseu@observador.pt. Linha da Beira Alta, programa da Rádio Observador Viseu. Até à próxima.