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Começa agora o Linha da Beira Alta na Rádio Observador Viseu. É por aqui que damos voz a figuras e personalidades que marcam precisamente o distrito de Viseu. Eu sou o João Costa e Silva e ao longo desta hora vou estar à conversa com Fernando Ruas, presidente da Câmara Municipal de Viseu, a quem agradeço o fato de se juntar a nós aqui no Linha da Beira Alta. Muito bem-vindo, Fernando Ruas.
Muito obrigado.
Doutor Fernando Ruas, começamos aqui com declarações que foram tornadas públicas por parte do candidato socialista à Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo. Fala em núcleos precários e degradados que existem em algumas zonas do concelho e que estão consequentemente a aumentar. Pergunto-lhe, Fernando Ruas, se esta informação é de facto verdade, se existe de facto um aumento destes núcleos. Isto porque o PS chega mesmo a dizer que as políticas públicas nunca aconteceram e que está em causa a saúde pública.
Olhe, eu não queria responder a candidatos, eu não estou nessa situação de responder a candidatos, mas posso naturalmente fazer uma abordagem àquilo que é dito para já. Não sei por que se utiliza estes núcleos degradados. Não sei, era mais simples dizer alguma coisa que toda a gente percebesse. E até para fazermos comparações, diz que está a aumentar. Bem, eu não sei. Há uma coisa que é factual. Este concelho, nos últimos tempos, aumentou vinte mil habitantes, mais de vinte mil habitantes. Ao contrário, por exemplo, do concelho que o candidato geriu, que perdeu gente.
Estamos a falar de Mangualde, do município de Mangualde, é isso?
Estamos a falar do mesmo candidato, naturalmente. E, portanto, eu gostaria de perguntar se por acaso as pessoas fogem deste concelho vizinho para os núcleos degradados. Eu não sei. Seguramente que temos algum despovoamento nas povoações rurais e temos feito um esforço enorme que eu o desafio a mostrar. Olhe exemplos que agora são copiados noutras partes do país, onde estamos a fazer uma grande recuperação de casas em ruínas para colocar à disposição dos cidadãos. Agora, evidente que a desertificação das aldeias foi um facto e que agora começam a ser outra vez reedificadas. Mas temos situações de aldeias com alguma ruína, mas diria comparativamente a outros contextos-
Nada que justifique este alarme por parte do Partido Socialista e, neste caso, do candidato João Azevedo.
O alarme só acontece pela condição, seguramente já na condição de candidato. Tivemos aqui quatro anos e nunca foi alertado nada para a situação degradada aqui do concelho. E na altura, sim, usando até a condição de vereador e de líder do partido da oposição, podia trazer esses assuntos à colação durante todo este tempo. Mas eu desafio a que se prove que, de facto, em Viseu a situação é pior do que nos outros lados do país, antes pelo contrário, tenho a certeza absoluta de que estamos num concelho que tem feito das tripas coração para se desenvolver.
Fica aqui a sua posição perante esta outra posição.
Já agora gostaria que fossem apontados. Eles devem ter nome, não é? Era bom que se soubesse. Há núcleos degradados, isso é uma coisa muito vaga, que se diga, há núcleos instalados assim. Porque depois nós podíamos ir a outros lados ver exatamente situações mais gravosas ainda.
Fica aqui esta nota para que também em breve João Azevedo possa também responder ao Fernando Ruas, presidente da Câmara Municipal de Viseu. Entretanto, vamos mudar aqui de tema, doutor Fernando Ruas. Falamos agora sobre o grupo de trabalho que tem reunido com o objetivo de defender a criação do corredor ferroviário Atlântico, pretende ligar Porto, Aveiro, Viseu, Guarda e Salamanca. Este é um grupo que vai voltar a reunir, desta vez na Guarda, também já esteve reunido em Viseu. E queria lhe perguntar, Fernando Ruas, qual é que é o ponto de situação neste momento e o que é que tem sido discutido nesses encontros?
Olhe, este corredor Atlântico não é nada que fosse descoberto agora, ou que nós tivéssemos de inventar. Ele faz parte do Plano Nacional Ferroviário, faz parte do plano das trânsito europeias. Eu próprio, enquanto eurodeputado, quando estive em Bruxelas, tomei conhecimento do que estava previsto. E, portanto, este corredor faz parte daquilo que é a ambição para ser feito. Agora, em que ponto é que está? O conhecimento que tenho é que ele vai ser transformado, aliás, num corredor de mercadorias passageiro, que é aquilo que nós mais pretendemos, que seja de mercadorias e também de passageiros, e que vai ser feito por duas fases. Uma primeira fase, a ligação entre Viseu e a Linha da Beira Alta, e uma segunda fase entre Viseu e Aveiro. Esta primeira fase, ligação entre Viseu e a Linha da Beira Alta, presumo que poderá ser anunciada em breve.
Sim, é um assunto que se arrasta já há algum tempo e o Fernando Ruas sabe isso melhor do que ninguém, mas já foi falado que em breve possamos ter novidades nesse sentido. Pelo menos foi assim que foi falado também na comunicação social.
Sim, aliás, foi dito pelo próprio ministro das Infraestruturas.
Miguel Santos.
O fato é que, deixe-me dizer-lhe que durante muito tempo nada se fez. Não é de agora que Viseu é a única cidade com mais de 40 mil habitantes que não tem acesso à À ferrovia. O próprio Plano Nacional Ferroviário refere isso com muita evidência e, portanto, não podemos deixar de fazer encontros como este, que não foram feitos apenas em Guarda, foram feitos em Salamanca, foi feito em Viseu e já foi feito em Aveiro. Aliás, contou pela primeira vez com um membro do governo.
E essas presenças também são muito importantes para falar deste projeto e dar a conhecer as reais motivações por trás deste.
Claro, nós sabemos que são importantes, sobretudo para escoar as mercadorias do Porto de Leixões e de Aveiro. Por isso é que nós defendemos que seja uma linha de velocidade elevada, não de alta velocidade, não é isso que nos importa. Nós temos apenas 180 km de um lado ao outro e, portanto, interessa-nos é uma linha que dê resposta aos passageiros e dê também resposta às mercadorias.
Fernando Ruas, sei que está aqui com o tempo limitado e, portanto, eu tenho mais um tema para falar consigo. Falamos ainda de apoios no valor total de € 560 mil a freguesias e clubes desportivos no distrito de Viseu. Qual a importância deste valor e destes apoios? Estamos aqui a falar de associações também, possivelmente. É um apoio muito importante para todas estas freguesias e para os clubes que vão beneficiar deste valor.
Mas este não é o valor total, este é um dos valores decidido apenas numa reunião de câmara, porque isto vem-se repetindo ao longo do ano. Estes valores são frequentes, mas eu gostaria de dizer para que é que eles têm servido.
Essa é a parte mais importante, não é? Porque fazem realmente a diferença no distrito de Viseu para muitas associações e para muitas freguesias que acabam por beneficiar destes apoios.
Completamente. Nós investimos muito nas redes, quer seja rede de caráter desportivo, quer seja na rede de caráter social, quer seja na rede de caráter cultural. E, portanto, os investimentos são, de facto, extremamente avultados. Mas eu queria lhe dizer que temos, por exemplo, na última reunião de câmara, nós aprovamos um contrato de patrocínio, curiosamente para um jovem piloto que começa a dar cartas no automobilismo nacional, o Lopes. Depois, aprovamos também apoios aos clubes federados, clubes que têm equipa sénior, mas também têm formação. E, portanto, aprovamos uma série de contratos com esses clubes. Curiosamente, também aprovamos um com o Clube Viseu 2021, que se dedica à formação também no ciclismo. E depois com o apoio de eventos, para a realização de desporto de rendimento e até de congressos. Nós tivemos no último ano uma série de congressos relacionados com a Cidade Europeia do Desporto, mas também apoio à construção e à requalificação de estruturas desportivas, seguramente. Mas também temos um outro setor ligado à manutenção dos campos relvados, que absorve também montantes com algum significado. Portanto, eu diria que nós apoiamos nas diferentes vertentes da atividade desportiva.
E acima de tudo, ao longo do ano. É muito importante que estes apoios continuem a existir.
Eles são despachados de uma forma quase constante. Eu não me lembro de nenhuma reunião de câmara, elas acontecem de 15 em 15 dias, em que não haja apoios para esta atividade física.
Claro, e faz todo sentido, era isso que estava a referir, no sentido de continuarem a existirem, porque de facto há associações que precisam muito deste apoio ao longo do ano e acima de tudo, também ao longo dos meses. Fernando Ruas, vamos fechar aqui a nossa conversa com um evento que acontece este fim de semana em Viseu, no Mercado 2 de Maio. Já vai na quinta edição, Viseu Doce e, portanto, fica aqui um convite para os nossos ouvintes. Quer fazer esse convite?
Sim, eu aconselho sempre a virem a Viseu em qualquer altura.
Vão comer muito bem, tenho a certeza, muitos doces.
Seguramente, mas em momentos doces, Viseu ainda se torna mais apetecível.
Claro.
Eu penso é que o São Pedro possivelmente não irá ajudar completamente, mas é feito no Mercado 2 de Maio, que é coberto, como é sabido.
Não há desculpas.
Sim, não há desculpas para vir a Viseu nesta altura e nenhuma altura do ano, mas próximo fim de semana, com mais razão. Deixe-me dizer-lhe que também ocorre na mesma altura, exatamente começa no próprio sábado, uma das grandes conferências internacionais que fazemos em Viseu, no Domínio do Beira, desta vez com oradores de grande qualidade. Vamos na terceira, quarta edição do Beira. As conferências têm periodicidade de acordo com as estações do ano e, portanto, a próxima conferência tem oradores de grande qualidade e que também vai ocorrer no próximo sábado.
Muito bem e fica aqui o convite do presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, a quem agradeço mais uma vez o facto de se juntar aqui a nós no Linha da Beira Alta. Um grande abraço para si e até breve.
Muito obrigado, foi um gosto. Um abraço para si e para os ouvintes. Obrigado.