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Muito boa tarde, Viseu. Boa tarde, Rádio Observador, está no ar o Linha da Beira Alta. Eu sou o Miguel Cordeiro, vou nos próximos minutos ter mais uma conversa aqui no Linha da Beira Alta, um espaço em que de segunda a sexta escutamos figuras e personalidades da região de Viseu. Para além disso, já sabe que estamos sempre abertos a receber sugestões e mensagens dos nossos ouvintes. Pode pegar no telefone, enviar a sua mensagem ou um e-mail. Queremos conhecer as suas sugestões. Eu deixo aqui os contactos. Número do WhatsApp para onde pode enviar a sua mensagem: 910 002 4185. Este é o nosso número do WhatsApp. Para além disso, pode enviar uma mensagem por e-mail. O endereço é viseu@observador.pt. Pode sugerir temas, participar e propor convidados. Agora vamos ao nosso convidado de hoje, João Azevedo, deputado do Partido Socialista e candidato à Câmara Municipal de Viseu. Muito boa tarde. Obrigado por estar conosco.
Graves, muito obrigado pela oportunidade.
Vamos falar de núcleos na região de Viseu. O PS está a questionar a autarquia de Viseu sobre o aumento de núcleos precários e o aumento de situações destes núcleos em que estão degradados. João Azevedo, para quem não sabe daquilo que estamos a falar, explique-nos que problema é este.
É um problema que todos veem e conhecem. Há, neste momento, núcleos precários que estão à vista de todos aqueles que passam, ora em zonas mais urbanas, ora em zonas mais rurais. Naturalmente que isto é uma preocupação que representa um olhar muito especial, não só para as condições de vida das pessoas, mas também para aquilo que é a responsabilidade relativamente às questões de formação, questões culturais, questões educacionais e questões de segurança. Portanto, aquilo que acontece há muitos anos em Viseu é que a situação não é corrigida e não há um plano para identificar a quantidade de núcleos precários que existem no concelho de Viseu. Parece-me, de uma forma muito clara, que o poder político nem sequer fala nesse tema. Ou seja, o que está aqui em causa tem muito a ver com questões de saúde pública, de salubridade e de respeito pela vida humana. Ou seja, é preciso ter um olhar atento para esta questão. E a primeira questão a fazer é impedir que esses núcleos precários continuem a crescer. É fundamental ter um mapeamento claro desses núcleos precários que estão no concelho de Viseu e deixar de normalizar uma situação que toda a gente sabe que existe.
Portanto, o Partido Socialista deixar de normalizar já está a fazer. Impedir que possa crescer não tem poder nesta altura. Mas mapeamento, sabe-me dizer onde estão os principais problemas, quais são os núcleos mais preocupantes e quais são as zonas mais preocupantes?
O município de Viseu tem a responsabilidade de saber identificar e ter essa carta para que possa ter aqui uma definição daquilo que quer fazer e uma resposta clara. Em primeiro lugar, deixar que esses núcleos precários continuem a crescer. Isso é o principal objetivo. Segundo, tratar daqueles que existem e perceber como é que resolve a situação. E terceiro, deixar de ter núcleos precários que representem a incapacidade de legalização dos mesmos e que, de alguma forma, possa haver uma solução definitiva para este problema.
Certo.
Nós não podemos é esconder o problema.
Certo.
O problema mantém-se. Às portas da cidade há núcleos precários que toda a gente vê e as pessoas colocam a questão. Mas por quê? Qual foi a resposta?
Estava a perguntar quais são as principais zonas onde podemos identificar estes núcleos precários.
Há várias zonas, desde a freguesia de São Salvador à freguesia de Silgueiros, São Salvarosa. Há aí uma zona muito mais identificada, mas há mais espalhados por outros sítios que toda a gente sabe que existe, mas que ninguém fala. E portanto, é necessário ter um olhar claro sobre esta matéria e ter uma resposta clara sobre esta matéria.
Qual é a solução que o Partido Socialista propõe, para além destas que já aqui referiu de identificar e impedir que possam continuar a crescer? É essa a solução? Eu quero perceber como é que se arranja uma solução. Arranja-se outros edifícios, retira-se esses núcleos?
Não. Primeira questão: estratégia local de habitação. Olhar para isso de uma forma clara. Como sabemos, hoje há o PRR e uma estratégia para o país de aumento de habitação e de melhoria de habitação. Portanto, é preciso resolver o assunto, penso eu, por aí. Segunda questão: travar imediatamente o aumento desses mesmos núcleos.
Sim.
Coisa que não acontece há muitos anos. Portanto, normalizaram a situação. Há, neste momento, equipas multidisciplinares no município e equipas que estão organizadas há muitos anos. As forças de segurança e a saúde pública. Tem que haver aqui uma intervenção clara sobre esta matéria e depois ter aqui uma resposta clara com um projeto e um programa que não existe, como nós todos sabemos, nunca existiu. É necessário travar. Não pode ser um problema, tem que haver uma solução para aquilo que está a acontecer em Viseu há décadas. E naturalmente que não pode ser um tema tabu. É um tema que tem que ser discutido, mas o município tem que ter argumentos e respostas para esta situação. É inadmissível Que à porta da cidade de Viseu e que fosse noutra zona em que não se fosse visto ou visto, existam núcleos precários que estão aqui sediados há muitos anos em Viseu.
João Pedro, já se sabe há algum tempo que avança com esta candidatura às autárquicas deste ano. A apresentação oficial é no próximo sábado. Vai contar com a presença do líder do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos vai estar ao seu lado no Expo Center. O secretário-geral do PS confirma essa presença às 9 horas da noite do próximo sábado. É importante pra si ter a presença do líder do partido na apresentação oficial da candidatura?
Realmente é com muito orgulho e honra que eu sou candidato do Partido Socialista em Viseu. Todos me conhecem e todos sabem qual foi a minha caminhada, onde eu comecei, onde estou e, portanto, naturalmente que é com muito orgulho que mais uma vez temos o líder do Partido Socialista nas apresentações das candidaturas à Câmara de Viseu e às do distrito, que vão acontecer certamente no seu tempo devido e quando os candidatos e as estruturas político-partidárias desses concelhos assim o definam. Portanto, eu fico naturalmente muito satisfeito pelo facto do secretário-geral do Partido Socialista estar presente na nossa apresentação.
E o que espera desta eleição? O Partido Socialista não costuma ter vida fácil em Viseu, nas eleições em Viseu. O que espera desta eleição para este ano, um ano que já vai ter também as legislativas? Nós já lá vamos falar um bocadinho disso, mas para estas autárquicas, qual é o grande desafio? Acredito que o objetivo seja vencer esta eleição.
Naturalmente, nós vamos pra ganhar as eleições e não fazemos isto de uma forma só romântica ou achar que é um clichê dizer isto. Nós temos noção daquilo que está a acontecer no território, temos noção daquilo que é a construção das nossas equipes no território. Sabemos a quantidade de pessoas que, de uma forma genuína, estão conosco neste projeto alternativo político em Viseu. Pessoas que vêm de todos os quadrantes partidários, pessoas que nunca estiveram ligadas ao ecossistema dos partidos, que nunca estiveram ligados à vida política mais ativa e que estão muito felizes, empenhadas e motivadas pra que isso aconteça. Portanto, eu estou muito convencido que esta eleição vai ser uma eleição histórica, porque nós vamos ganhar as eleições em Viseu, mas vamos ganhar as eleições com um pressuposto que é fundamental aqui referir, que é um programa político e um mandato que vamos ter aberto a todos, sem termos aqui uma postura maniqueísta, sem olhar pra isso de uma forma partidária. Nós estamos à procura de entrar num projeto que vai de uma ponta a outra na cidade civil e que representa a força natural da cidade civil de Viseu. Bem certo que diz que tem sido muito difícil nos últimos 50 anos a afirmação de uma alternativa em Viseu, mas efetivamente nós estamos a trabalhar para que isso aconteça. E como é que estamos a fazer? Junto às pessoas, junto à comunidade, junto às instituições, a apresentar a nossa visão para o Conselho, respeitando tudo e todos, mas naturalmente com uma afirmação muito clara daquilo que queremos para o Conselho de Viseu nos próximos anos. Aliás, eu tenho referido isso nestas entrevistas e noutras, em que nós temos um projeto alternativo, que não é contra ninguém, mas é um projeto alternativo que as pessoas vão ter a capacidade de poder decidir de uma forma livre qual é a opção que querem tomar no dia das eleições.
A diferença foram praticamente 4500 votos nas últimas eleições. O Partido Socialista teve o melhor resultado sempre com a sua candidatura. Com esta candidatura que liderou nas últimas autárquicas, foi o melhor resultado de sempre no Conselho Visense. Aqui a diferença 38,26 para o Partido Socialista, 46,68 para o PSD. Corrija-me se estiver errado. Na altura, o Chega surgiu como terceira força apenas com 2,95%. Eu gostaria de perceber se, dado o crescimento do Chega naquilo que foram as últimas eleições em Portugal, os últimos atos eleitorais em Portugal, não só nas regiões autónomas, como também nas legislativas que se foram registando, se teme aqui um crescimento do Chega e que isso possa ter um impacto naquilo que são as aspirações do Partido Socialista de vencer estas eleições em Viseu.
As eleições do local, as eleições autárquicas, têm uma particularidade grande que é a afirmação de projetos e de programas com uma identidade própria, que são as pessoas que o representam. Naturalmente que os partidos afirmam essas candidaturas e essas pessoas, mas naturalmente que nós olhamos pra isto um bocadinho sem essa marca muito profunda dos partidos. É uma candidatura muito aberta, com pessoas, como eu já referi, de todos os quadrantes político-partidários. A rua fala conosco, explica-nos e sentimos os sinais de pessoas que nunca votaram no partido A ou B e que agora vão votar nesses mesmos partidos. Há pessoas que sempre se habituaram a votar num determinado sentido e que hoje estão disponíveis pra votar noutro sentido. E, portanto, a rua fala e fala bem. E fala no sentido de termos aqui uma oportunidade única de ganharmos a Câmara de Viseu. Há uma coisa que eu gostava de registrar. As pessoas sabem o caminho que temos feito, um caminho persistente, resiliente, de dedicação. Sabem também onde eu estive como presidente de Câmara e numa situação muito parecida em que eu consegui ganhar a Câmara de Mangualde, numa situação em que também havia uma estrutura político-partidária a liderar o município de outra cor e, portanto, eu consegui ganhar essas eleições. Nós conseguimos ganhar essas eleições com uma equipe muito grande e com grande qualidade. E aqui em Viseu esperamos que assim aconteça, sendo certo de uma coisa: que nós estamos aqui Para fazermos isto pelo bem, de uma forma muito clara e com o apoio de quem quiser vir pelo bem. E felizmente que estamos a sentir isso no território. Estamos muito satisfeitos com o que está a acontecer, porque todos os dias há aqui um aumento claro de apoios, pessoas que se disponibilizam, pessoas que estão mais expostas, outras menos expostas relativamente àquela que é a posição pública sobre isto. Sabemos como é que depois há uma avaliação individual de cada um e que é preciso respeitar, mas o que é certo é que eu tenho a convicção clara de que com este trabalho iremos ganhar as eleições. Depois, naturalmente, os outros partidos terão os seus candidatos, que é preciso respeitar. A democracia faz-se dessa maneira. A democracia não pode ser só feita com palavras. A autoridade política deve ser feita também com atos. E a autoridade política ganha-se com atos. E é por isso que nós estamos a trabalhar junto das pessoas e da comunidade há muitos anos, sem parar, sem ter aqui um interregno, para que as pessoas possam confiar. E a política faz-se de dois ou três argumentos muito importantes. Faz-se de muitos, mas há dois ou três que eu gostava de referir: confiança, esperança e paixão. Paixão daquilo que é a dedicação que podem entregar a um projeto político e também às lideranças. Portanto, eu estou muito satisfeito com aquilo que está a acontecer até agora e espero que naturalmente as próximas autárquicas nos possam dar a possibilidade de podermos ganhar as eleições e demonstrar às vizinhas e aos vizinhos, que são naturalmente a razão especial de estarmos nisto, de que se irão bem, com liberdade total para o fazer e nós naturalmente a respeitar aquilo que é a autoridade do voto de cada um.
Vamos só aqui, antes de terminar, perceber a sua opinião sobre esta situação de crise política que se instalou no último mês, no mês de março, e que levou a eleições legislativas antecipadas. Eu gostava de perceber, na sua opinião, que impacto é que podem ter essas legislativas antecipadas naquilo que é a estratégia socialista para as autárquicas, especificamente em Viseu. Se tem impacto, se não tem impacto, se pode prejudicar, se não pode.
Há várias leituras que se podem fazer. Há sempre as leituras que qualquer um de nós pode fazer mediante aquilo que mais tem interesse para o projeto político. Naturalmente, se o Partido Socialista ganhar as eleições legislativas em Viseu, como já aconteceu, as pessoas dirão: "bem, isto correu muito bem e que agora vamos repetir isto nas autárquicas". Se o Partido Socialista perder as eleições em Viseu, também já aconteceu muitas vezes, vão dizer: "bem, isto agora são umas primárias para as autárquicas". Eu acho que não é uma coisa nem outra. E o exemplo claro foi as eleições em 2019, em que tivemos eleições legislativas 15 dias antes das eleições autárquicas. E houve sítios onde, na altura, o Partido Socialista ganhou e depois nesses mesmos sítios perdeu as eleições autárquicas e vice-versa, onde o Partido Socialista perdeu e ganhou-se as eleições autárquicas. Portanto, eu tenho a convicção de que as pessoas sabem votar. Quem acha que não, na minha humilde opinião, acho que estão equivocados. As pessoas sabem sempre votar e sabem decidir o que é melhor para os seus territórios, o que é melhor para o país. E portanto, vão ter aqui a possibilidade de poder escolher a melhor pessoa e o melhor partido, ou que dão a maioria para poder apresentar à Assembleia da República um programa de governo, para depois termos o primeiro-ministro dentro de um quadro parlamentar. E nas autárquicas dirão claramente o que pensam sobre as melhores pessoas, as melhores personalidades para poder guiar e poder dar conforto e esperança a um território como este de Viseu. O povo sabe fazer bem a escolha e sabe perceber bem aquilo que quer fazer e quais os intervenientes e as personalidades que quer escolher para poder, de alguma forma, liderar os destinos do seu município, decidir quais as políticas públicas que deve aplicar no seu território, qual o programa que deve ser apresentado e que deve ser depois cumprido nos seus mandatos. Portanto, há uma coisa que eu tenho a certeza: a equipa que eu lidero, no dia em que terminar a hora das eleições autárquicas, tem a consciência de que fez tudo para que os vizinhos pudessem acreditar de uma forma maioritária e para nos dar uma grande vitória. É isso que vamos fazer, é isso que vai acontecer nos próximos meses.
Muito obrigado por ter estado aqui no "Linha da Beira Alta". João Azevedo, deputado do Partido Socialista, candidato à Câmara Municipal de Viseu nas próximas autárquicas. A apresentação oficial desta candidatura é no próximo sábado. Vai contar com a presença de Pedro Nuno Santos, uma apresentação 5 de abril no Expocenter. João Azevedo, muito obrigado. O "Linha da Beira Alta" está de regresso amanhã com um novo tema.