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Quem é que aqui costuma usar a Vinted?
O Paulo e o Bruno seguramente.
Já ouvi falar disso.
Já ouviste falar. Para quem ainda não ouviu falar ou nunca experimentou, é uma aplicação em que se pode comprar e vender artigos em segunda mão, sobretudo roupa, mas não só, a preços interessantes. Mas a Inês Rogeiro tem uma lista de más experiências.
Tinha posto umas calças da Zara 38, com uns brilhantes e não sei o quê, €5. E recebo uma mensagem a dizer: "Olá, boa tarde". As pessoas não continuam. E eu: "Boa tarde". "Tenho 36".
É boa essa.
Mas isto é de uma pessoa que é doida. Acha que eu tenho um stock daquelas calças em casa e estou vendendo vários tamanhos. É de uma pessoa que não está a pensar.
Tipo loja, não é? Mas isto não fica por aqui. Há também uma espécie de padrão de comportamento dos potenciais compradores.
Tu tens umas calças ou uma saia, ou uma t-shirt a €1 ou a €2. E recebes mensagens: "Pode, se faz favor, medir da bainha até ao cós e da cintura até..." Uns termos que nem sei o que é, o cós, a bainha. "Não, mas tem que ser dois dedos abaixo de não sei o quê". E lá vou eu feita idiota, também posso dizer: "Desculpe, não vou medir uma porcaria de €2 que é comprar a roupa". Mas lá vou eu com a fita métrica, meço, vou lá. "Olhe, a medida é esta". Ninguém nunca mais responde. Está cheio de coisas de doidos.
Mas não fica por aqui. Só mais um exemplo.
Eu recebi uma mensagem de uma saia que eu tinha encomendado. Vamos supor, segunda-feira. Chegou ao ponto de recolha. Nem 24 horas depois, recebo uma mensagem do vendedor a dizer: "Então, não vai levantar a encomenda?" Isto é tudo um tanto de maluqueira, porque a senhora estava cheia de pressa pra receber também os €2 da saia que me vendeu. E queria que eu fosse: "Recebi, estou logo ali à porta, às 09h00, quando aquilo abre, pra ir buscar a porcaria da encomenda".
Percebe-se, €2 em gasolina dá muita.
Pois, dá muitas voltas. Isto quase que apetecia ir mais ao centro comercial e fazer compras normalmente. Mas não vamos dar assim tão má fama à Vinted. Já ir à Baixa de Lisboa é uma coisa que não interessa a ninguém.
Eu hoje, quando vou à Baixa de Lisboa, aquilo não é a Baixa de Lisboa. Aquilo é um sítio que podia ter sido montado não sei onde. Pronto, é uma réplica. Os chineses gostam muito de fazer réplicas, fazem réplicas de tudo. E as pessoas iam lá todas ver aquilo, mas aquilo não é a Baixa de Lisboa, porque não tem lá lisboetas, não vivem pessoas de Lisboa lá.
Quem está a falar é João Duque, o economista, professor, mas ele sabe que está a exagerar. É claro que há portugueses na Baixa de Lisboa. Não muitos, mas alguns.
A única coisa que algumas pessoas de Lisboa fazem lá é ainda trabalhar numas lojas a vender coisas que supostamente são características dos portugueses e que os portugueses não comem. Não há nenhum português que compre uma lata de sardinhas que custa €10 com a cara do Cristiano Ronaldo. É disparatado, até.
Ora pronto, já que se fala de Cristiano Ronaldo, vamos ver como um repórter do "Now" conseguiu a opinião da única pessoa que ainda não tinha falado pra televisão nestes dias sobre o assunto. Um homem estava a falar ao telefone, mas o repórter pega-lhe no telemóvel.
Estou aqui a falar com esse senhor, mas está ocupado. Eu falo com ele, eu falo aqui com o seu colega. Muito boa tarde. É só um segundo que eu vou dar aqui uma entrevista pro "Now", mas ele já fala consigo outra vez. Só um segundo. Pronto, já está disponível? Qual é a sua opinião?
E pronto, e é assim que se faz da próxima vez que alguém estiver ocupado para um direto, tira-se o telefone da mão.