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Aí está o Bruno Vieira Amaral a fazer reflexões, sempre com esta música. Puxa por ele.
A correr na praia, no cal, na areia molhada.
À Marés Vivas qualquer.
Exato. Todo de branco.
É o momento de glória.
Exatamente.
Então, Paulo.
Ora bem, há lá campanha eleitoral, ou seja o que for em Portugal, sem comes e bebes.
Não há.
Não há. Aliás, a primeira coisa que muitas vezes se decide é onde é que vamos almoçar ou jantar. Uma campanha eleitoral não é diferente. Já tivemos António José Seguro a deliciar-se nas bifanas de Vendas Novas, com ovo e tudo, lá no meio. Cotrim de Figueiredo escolhe um menu diferente e pergunta mesmo se será este o pequeno-almoço mais português de todos.
Pois cá estou eu a tomar o pequeno-almoço mais português de Portugal, uma torradinha com caldo. A torradinha está particularmente bem feita porque a Dona Maria José pegou numa fatia, pôs manteiga, deu a volta, pôs manteiga. Pegou noutra fatia, pôs manteiga, deu uma segunda volta, não sei se estão a perceber, pôs manteiga. Está bem feito. E agora eu vou fazer uma coisa que quero a vossa opinião. Eu vou começar pelo canto, que deixo a do meio pro fim. Deixo o melhor pro fim. O melhor o quê? A vitória na segunda volta. Bom apetite.
Eu também deixo a do meio pro fim. Não como uma torrada destas há séculos.
Isto é um vídeo, não é? Tinha um ar bem apetitoso. Pão de forma, altinho.
Altinho.
Tem que ser aquela do meio, realmente.
Vocês deixam a do meio pro fim também?
Claro.
Claro, óbvio.
Há quem comece pelo melhor.
Pois é. Não é a mesma coisa.
É uma estratégia defensável. Cotrim, pelo sim, pelo não, comeu já a do meio, porque da segunda volta não está seguro. E ao menos a torradinha já lá canta. Seja como for, Ventura diz que não é com torradas e com o caldo que o Cotrim lá vai quando chegar a altura de dar o murro na mesa. É preciso ouvir com atenção este som para saber como serão os murros na mesa de André Ventura e como é que são os murros na mesa do candidato apoiado pela Iniciativa Liberal.
Se votarem em mim, é assim. Trá, murro na mesa. Se for no João Cotrim de Figueiredo, é assim. Trá. Ora, alguém quer fazer trá? Não, nós temos que fazer trá!
A menos que esteja a torrada na mesa.
Senão ela vai à torrada.
Foi com jeitinho, estava lá a torrada.
Já estamos aqui no domínio da onomatopeia.
Completamente.
É trá ou trá.
Perceberam todos. Um murro na mesa é um murro na mesa, caramba, não é para estar a sacudir as migalhas da mesa.
É limpar delicadamente as migalhas, assim com uma mão e com a outra embaixo da mesa.
Fazer conchinha.
Exatamente. Mas murros na mesa dos bons são, sobretudo, para quem come malaguetas, assim como entrada ao jantar. Pedro Frazão, deputado do Chega, foi na conversa da sua colega de bancada, Rita Matias, isto tudo, obviamente, numa grande prova de amor, quase apoio ao chefe.
Estou aqui a desafiar o Pedro Frazão. Se ele acredita que André Ventura passa à primeira volta em primeiro lugar, tem que comer a malagueta.
Esta malagueta?
Esta malagueta.
Ai, não, não acredito!
Era uma malagueta enorme.
Enorme, vermelha.
Mas a Rita Matias comeu a malagueta?
Caiu o papel do Frazão.
Podia ter dado o exemplo.
Está tudo bem?
Está tudo bem, está tudo controlado.
Ele a chorar.
Completamente. Aliás, penso que é audível a dificuldade que ele teve em falar depois de comer uma malagueta. É uma malagueta de 10 centímetros, aquelas fininhas, vermelhas.
Era o que se dizia antigamente: pôr pimenta na boca quando se dizia algum disparate.
É que é a mesma coisa. Exatamente.
Ficou calado.
Mas atenção, que aquelas lágrimas de Pedro Frazão não eram lágrimas, como é evidente.
Pôs o Pedro a chorar? Não, a Rita não me pôs a chorar, era o que faltava. Os homens não choram, muito menos por malaguetas picantes.
Os homens não choram.
Não choram, não.
Obviamente.
Paulo.
Tu choras?
Eu? Nunca!
Ontem não choraste.
Ontem eu nem vi. Só fiquei assim. Nem vi para não chorar.
Os homens não choram, até porque têm mais o que fazer. Contar os filhos, por exemplo.
Sim, desses estão todos.
Por exemplo, foi o que aconteceu no Parlamento, precisamente a Pedro Frazão. A bancada do Livre disse que o Chega não tinha moral para falar de crianças. Pedro Frazão fez um aparte que Marcos Perestrelo, que naquela altura exercia a função de presidente da Assembleia da República, não entendeu à primeira qual foi o aparte.
Senhor deputado, eu não percebi, importa-se de repetir? Eu não percebi o que o senhor deputado disse.
Muito obrigado, senhor presidente. Não percebeu? Tenho todo o gosto em repetir, até para ficar em ata. É que a senhora deputada do Livre esquece que só eu sozinho tenho mais filhos do que a deputada tem na sua bancada. Senhor presidente em exercício, eu agradeço-lhe mesmo extremadamente ter me dado a oportunidade de ter repetido isso no Hemiciclo da Assembleia da República.
Desliga o microfone e senta-se.
E coma uma malagueta.
Portanto, a família Von Trapp, era assim que se chamava.
Era Von Trapp.
Olha, por acaso vi uma boa notícia sobre os Von Trapp. Depois estrago.
Pronto, mas há quem tenha filhos, muitos. Há quem tenha e com as outras bancadas, obviamente, são menos filhos e é assim. Bom, mas imaginem então, isto para fechar, se a eleição presidencial fosse antes decidida num concurso de standistas.
Teria o pior.
Imaginem. Não, olha que havia uma tarde de stand up com vários candidatos e depois um júri decidia. Ou aplauso, por exemplo. Gouveia e Melo foi à prova oral na Antena 1 do Fernando Alvim e mostrou que tem jeito para a coisa.
Qual é a piada do meio piano?
A piada do meio piano, eu digo sempre que uma pessoa tem que ter algum grau de improvisação. Então a história é de um empregado de uma loja de pianos que recebe um cliente que olha para o piano e diz: "Eu quero comprar meio piano." O empregado olha para ele, mas não se desmancha e vai ter com o patrão e diz: "Está ali um maluco que quer comprar meio piano." Mas quando vira para trás, vê junto ao ombro dele o cliente e diz: "E este senhor quer comprar a outra metade."
Realmente era capaz de correr. O Gouveia e Melo é daqueles que se ri logo antes.
Antes. Não é depois, é antes.
Já está a perder.
Já para preparar a coisa.