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"Mundo IA", na Rádio Observador, é o jornal diário onde damos conta das novidades, alertas e curiosidades sobre inteligência artificial. Hoje tem edição da jornalista Beatriz Félix. Beatriz, vamos começar com uma nova medida da Anthropic para reduzir o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Precisamente. Esta empresa anunciou ontem um fundo de benefício público. O objetivo é desviar 5% das ações para financiar este mecanismo, mas está dependente da aprovação dos restantes acionistas. À medida que o valor do mercado da Anthropic cresce, e que vai em direção a valores históricos, o conselho de administração poderá adicionar mais 2% em ações a cada valorização de 50% desta empresa. O fundo vai permitir que a Anthropic faça doações para iniciativas voltadas para o bem público, incluindo também outras medidas para mitigar os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. A empresa garante que nenhuma porcentagem deste valor vai ser desviada para atividades de lobby ou contribuições políticas nos Estados Unidos ou no estrangeiro. Depois de aprovado este fundo, a empresa de inteligência artificial pode começar a divulgar com mais detalhe este projeto e sobre como vai ser distribuído este fundo, o que está previsto já para os próximos meses.

Beatriz, seguimos com uma outra notícia para dar conta do ponto de partida para uma relação cada vez mais estreita entre inteligência artificial e o trabalho das forças policiais.

A polícia prendeu um funcionário de uma escola de ensino secundário na região de Chicago, nos Estados Unidos, e isto tudo com a ajuda da inteligência artificial. Em setembro, Christopher Thomas Mertens iniciou a conversa com um menor através de uma aplicação de encontros. Aquilo que este homem não sabia era que essa criança foi gerada através de inteligência artificial. Foi pelas mãos de Michael E. Scott, do FBI, que criou esta conta, que deveria corresponder a um perfil de um rapaz de 15 anos com o nome Caleb. Este investigador utilizou uma combinação de ferramentas, incluindo a verificação do número do telefone do homem e também a análise de imagens do rosto através da plataforma Clearview AI para o poder identificar. Foi durante dias que Caleb e Mertens trocaram mensagens de texto com conteúdo sexual explícito. Mertens chegou mesmo a combinar um encontro, foi até ao local para se encontrar com este menor, Caleb, acreditando que os pais, que não existem, não estariam em casa. A polícia utilizou outro sistema, o Flock, para localizar e rastrear o carro do predador. Assim que saiu da viatura, a polícia de Livônia prendeu-o.

Continuamos a falar da inteligência artificial como auxiliar, mas desta vez na ciência.

E foi através de uma descoberta. Uma equipa de investigadores conseguiu um avanço inédito ao combinar biologia e inteligência artificial para processar informação sintética. Foram criados computadores feitos a partir de tecido cerebral humano, capazes de reconhecer letras em Braille. Foi uma equipa de investigadores da Universidade de Bristol que usou pequenos aglomerados de neurônios vivos, cultivados a partir de células centrais, e enviou-lhes estímulos elétricos correspondentes ao alfabeto Braille. Qual é que foi o resultado? Um único conjunto de neurônios acertou nas letras em mais de 60% das vezes, mas quando juntaram estes três pequenos minicérebros, digamos assim, a precisão disparou para os 83%. Os cientistas lembram que ainda falta um longo caminho para substituir os chips tradicionais, mas este é já um passo gigante para uma nova era da computação biológica, onde os computadores do futuro podem conseguir processar informação a gastar uma fração da energia atual.

E Beatriz, fechamos com uma vitória da inteligência artificial.

Já não é uma novidade que a inteligência artificial conseguiu triunfar em vários jogos, mas falamos agora de uma demonstração sem precedentes de autonomia e cooperação entre sistemas digitais. Foram quatro agentes de inteligência artificial Gemini 4, da Google, que conseguiram derrotar o dragão Ender Dragon no jogo Minecraft, e isto sem qualquer tipo de intervenção humana. O fator inovador aqui é a capacidade de comunicação em tempo real destes agentes de inteligência artificial. Partilharam entre si conselhos, estratégias, alertas sobre ameaças iminentes e correções de erros cometidos durante todo o jogo. Até aqui, estas tarefas mais complexas em ambientes virtuais necessitavam do acompanhamento de operadores, mas estes agentes já se tornaram autossuficientes. Os especialistas consideram, por isso, que este novo trabalho autônomo está a abrir caminho para novas aplicações de automação e resolução conjunta de problemas no setor tecnológico.

Fica por aqui mais um episódio de "Mundo IA". Voltamos amanhã com mais novidades sobre o mundo da inteligência artificial.