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Não se fala de outra coisa e eis que seis meses depois de aparecer uma estátua de Donald Trump e Jeffrey Epstein de mão dada no National Mall, em Washington, o local volta a ser cenário para uma nova obra. Não sei se já viram, desta vez, o presidente e o empresário acusado de tráfico sexual de menores, que morreu na prisão de 2019, surgem na icônica pose do "Titanic".
Sim, vamos isso aí.
Eu não vi.
Ainda não viste?
Não.
Num pequeno barco, Trump aparece atrás, como o Jack, o DiCaprio, e Epstein à frente, a fazer de Rose, de Kate Winslet.
Os dois bracinhos. Falta a música.
Falta a música. Podiam pôr lá umas colunas, não era?
Ou o Bruno a cantar. Ou Bruno, vais para lá. Ficas lá, abre a tua caixa da guitarra para tocar. És a orquestra do Titanic.
A obra foi outra vez apresentada por artistas anônimos que se autodenominam The Secret Handshake, o aperto de mão secreto, que nos últimos meses têm feito questão de chamar a atenção dos Estados Unidos e do mundo para o caso dos ficheiros de Epstein, que mostram que o empresário tinha ligações a altas figuras da política, como Trump, ciência, cinema e até a realeza. Olhem o ex-príncipe André. A obra, pintada de dourado, tem mais de três metros e meio de altura. Na base, há uma placa onde se lê: "A trágica história de amor entre Jack e Rose foi construída com viagens luxuosas, festas barulhentas e desenhos secretos de nus. Este monumento homenageia o vínculo entre Donald Trump e Jeffrey Epstein, uma amizade aparentemente construída com viagens luxuosas, festas barulhentas e desenhos secretos de nus". Mas há mais. Segundo o Washington Post, no espaço entre a obra e o Capitólio, foram colocadas 10 faixas individuais com fotos de Trump e de Epstein juntos e onde se lê: "Make America Safe Again", em vez de Great Safe. Também este ano, em janeiro, já tinha sido colocada uma réplica de um cartão de aniversário que terá sido assinado por Trump e enviado a Epstein e que remonta a 2003. Também de acordo com o Washington Post, os artistas destas obras têm de certeza um intermediário qualquer, através do qual têm autorizações do Serviço Nacional de Parques para promover instalações como estas no National Mall. Vamos ver quanto tempo demora até ser retirada de lá. Certo é que primeiro a Venezuela, depois a guerra no Irão, Trump tem feito de tudo.
Para ganhar um Nobel.
Para desviar as atenções das notícias que o ligam ao caso Epstein e as acusações que lhe são feitas.
Não é um feito de guerra, é um sinal de mal-estar da sociedade americana.
Não é uma coisa para honrar.
Não é uma instalação.
Não é uma instalação. Paulo.
Eles ainda vão ganhar um Oscar um dia destes. A propósito disso, sabemos que no domingo há Oscars, vai realizar-se em Hollywood, no Governors Ball. Vão lá estar ao vivo cerca de 1500 pessoas a assistir e a participar. E vocês sabem como é. Vocês quando vão a um espetáculo, quando vão a uma coisa do gênero, à noite, depois não vos dá aquela vontade de picar só assim alguma coisa?
Então, não dá. Um ratinho.
Só para aconchegar, um ratinho, só para antes de ir dormir.
E o galeto que fica tão a jeito.
Pois, é mais ou menos isso. Aquela gente é famosa, mas passa pelo mesmo. O estômago deles também funciona da mesma maneira. E então, depois da cerimônia dos Oscars vai haver festa e há banquete, claro. É o chef Wolfgang Puck que está a preparar o banquete. Vai ter mais de 70 pratos para aquelas estrelas todas de cinema. Ele e a equipa criaram um menu que oferece 1500 pratos de todo o mundo para os convidados VIP. E este ano há novidades em relação àquilo que é habitual. Vai haver uma estação Izakaya ao vivo, é uma espécie de pub japonês com o sushiman a preparar as coisas à nossa frente. Uma máquina de gelato italiano, que prepara gelados frescos. Isto entre os pratos populares que estão lá sempre, ano após ano. O chef diz que a comida caseira é sempre a favorita das pessoas. Agora, o que é que se entende por comida caseira?
Eu penso assim numa sopa de feijão com couve, mas não.
Não, esquece lá o arroz de cabidela ou a feijoada. Ou o cabrito no forno. Não, a torta de frango, por exemplo, pizza de salmão, macarrão com queijo.
A sério.
Não. Mini hambúrgueres.
Pior. E agora algo que não seja sério, há nada?
Pizza. Não?
Com ananás.
Pronto.
Com ananás.
Deve ter também. Aliás, o chef diz que está cansado de fazer pizzas, mas que continua a fazê-las porque é o que lhe é pedido. Comida caseira, Hollywood style, é isto.
É pizza.
Ora bem, também pizza. Para preparar este banquete, vão ser necessários 75 chefs de cozinha, 45 chefs pasteleiros e 325 funcionários e empregados de sala. Vão fazer as tais 600 pizzas caseiras, 3 mil raviolis de alcachofra, por exemplo, ou 2 mil mini Oscars de chocolate. Vamos aqui mais a algumas quantidades. Estão a ser preparados cerca de 91 quilos de costela maturada. Eu acho que vai faltar carne.
Só, exato, 91 quilos.
Mas também deve haver lá muito vegetariano.
Sim.
É verdade, mas 91 quilos para 1500 pessoas, enfim, vai faltar carne. 136 quilos de salmão fumado.
É melhor ter mais água no feijão. Ou mais feijão na água.
Sim, ou isso ou umas latas de atum, sei lá, para desenrascar depois.
Isso.
14 quilos de caviar Kaluga, 230 quilos de cogumelos selvagens. Isto é que eu acho demais, porque o cogumelo rende muito, põe-se na água e aquilo rende imenso. Enfim, eu acho que este chef não está a fazer bem as contas.
Vai lá tu, Paulo. Aliás, já estás a caminho, não é? Daí a dois não estás em estúdio para resolver isto.
Claro. Se nos estão a ouvir neste momento, por favor, tomem nota das indicações do Paulo.
É melhor ter umas latas de atum guardadas, eu também me pareço.
E bastante. Sim, sempre dá para desenrascar, depois à última hora, sei lá, mistura-se com um bocado de espaguete, faz-se espaguete com atum para desenrascar, que é aquilo que se faz sempre.
Eu para lhe contar, eu tenho sempre muita preocupação quando tenho alguém em casa, tenho sempre medo que a comida falhe e eu acho que este chef está muito descontraído.
Está.
Está a confiar que ninguém exagera naquela noite.
Para caber nos vestidos.
Ora aí está. Está a apostar aqui nos 180 quilos de queijo que vão lá ter. Olha, só por isto já valia a pena ir lá.
Uma tábua de queijo.
Tão bom.
E aquele toque final, vai haver quatro litros de ouro líquido, que vai ser usado para quê? Para pulverizar os mini Oscars de chocolate, para eles ficarem com aquele aspeto luzidio e brilhante que tem na realidade as estatuetas.
Isso não é tóxico?
São douradinhos, vão ao forno ainda.
Não, não é tóxico. Ao preço que o ouro está, não é nada tóxico. Pode resolver-te o futuro para chicar.
Como alguns cantores de rap.
Exato, é assim. Quem quiser ir lá provar o banquete, já sabem.
Vamos já a correr. Não comam é carne, senão não há.
Para todos. Poupem na carne.