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Temos de falar dos adeptos do Japão, da seleção do Japão, que voltaram a impressionar depois da estreia no mundial.

Muito assediados.

Assim que soou o apito final do jogo com os Países Baixos, que acabou num empate a dois, os adeptos do Japão correram para as ruas a festejar. No famoso cruzamento de Shibuya, em Tóquio, houve um vídeo que se tornou viral nas redes sociais. Mostra os fãs a saltar, a festejar com entusiasmo, mas apenas durante 40 segundos, até o sinal mudar de cor. Assim que o sinal ficou vermelho, os adeptos dispersaram para deixar os carros passar. É uma coisa impressionante, mas este não é o único comportamento exemplar dos japoneses. Conhecidos como Samurais Azuis, os apoiantes da seleção fazem questão de recolher todo o lixo e limpar as bancadas dos estádios depois do jogo acabar, independentemente do resultado final ser uma vitória, uma derrota ou um empate, algo que já acontece desde o mundial de 1998, em França, portanto, já há uns aninhos. O jogo contra os Países Baixos, realizado em Arlington, no Texas, não foi exceção. Enquanto corria o jogo, eles abanavam sacos de lixo azuis como se fossem os cascóis ou os adereços de festa. E a festa foi ainda maior quando o Japão marcou um gol aos 88 minutos. No entanto, assim que a partida terminou, começou a limpeza do estádio, com os adeptos a usarem esses mesmos sacos azuis. Num vídeo partilhado pela FIFA, uma japonesa explica as razões que estão por trás deste gesto e diz que é cultura, é o respeito pelos jogadores, pelos adeptos, pelo estádio. Deixaram a bancada onde estavam imaculada. Quem nos dera uma cultura e uma educação desta nas nossas salas de cinema, por exemplo.

Por exemplo.

Se for para não ir mais longe.

Nas ruas.

Algumas praias, também. Esta tradição foi destacada pelo próprio selecionador nacional, que explicou ao The Times que para os japoneses isto é apenas o normal. Quando sais de um lugar, tens de deixar mais limpo do que aquilo que já estava antes. São culturas.

Temos de emular essa atitude e deixá-la em alguns sítios.

Estamos comparando com os festejos em Paris, por exemplo.

Por exemplo. É verdade.

É aquela velha frase que até se utiliza como recomendação: "Deixe este local mais limpo", ou "como gostaria de o encontrar".

Ou igual ou mais limpo.

Mas só os japoneses é que fazem.

Levam isto a risca.

Vamos olhar aqui para um assunto que está sendo bastante falado, que é a proibição de redes sociais para menores de 16 anos no Reino Unido. O The Guardian tem um artigo em que dá pormenores sobre esta proibição, de como é que será aplicada, a que aplicações se estende a proibição e, no fundo, são as principais aplicações, Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, rede social X, Facebook, serão todas bloqueadas para os menores de 16 anos. O governo britânico está a usar a mesma moldura que a Austrália já usou, mas ainda vai mais longe. Todas as principais plataformas acabam por estar incluídas nesta proibição. Atualmente, é preciso ter pelo menos 13 anos no Reino Unido para usar estas principais plataformas de comunicação, de redes sociais. Agora, haverá esta proibição que se alarga aos 16 anos. Plataformas de troca de mensagens como o WhatsApp e a Signal não serão incluídas nesta proibição, de acordo com o governo. E o governo britânico espera que a proibição entre em vigor já na primavera do próximo ano. Existem outras restrições, por exemplo, para sites de jogos também, como o Roblox, que também permite a comunicação, a troca de mensagens entre utilizadores.

Os chats. Uma espécie de chat.

O pretexto do jogo acaba por dar essa possibilidade. Como é que a proibição será aplicada e garantida? Existe o regulador, a Ofcom, no Reino Unido, que já exerce essas funções e que irá também aplicar estas novas proibições. Claro que isto obriga a que haja alterações. É preciso também garantir que a verificação não colida com a questão da proteção dos dados. E, claro, a proibição tem gerado muitas reações. O governo diz que nove em cada 10 pais que responderam a um inquérito apoiam esta proibição. E também diz o governo britânico que dois terços dos jovens concordam que as redes sociais devem ser proibidas a crianças com menos de 16 anos. No entanto, há uma fundação, a Molly Rose Foundation, que é uma instituição criada pela família de uma jovem britânica que morreu, que se suicidou depois de estar sujeita, de estar exposta a conteúdos perigosos nas redes sociais, que diz que esta proibição dará aos pais uma falsa sensação de segurança. Ou seja, vão pensar: "Ok, eles não têm acesso, nós sabemos".

Vão arranjar forma.

Vão arranjar forma de contornar essas proibições. Diz que as empresas vão continuar a conseguir passar conteúdo para as crianças. De uma ou de outra forma, vão arranjar estas formas de contornar a proibição e os próprios jovens também irão encontrar formas de contornar. Há aqui várias perspectivas sobre este assunto. A verdade é que, como dizia há pouco, a proibição irá mesmo entrar em vigor. Em princípio, estará plenamente em vigor na primavera do próximo ano.