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Sabe o que lhe digo? Enganaram-me bem. Quem é que disse que os 50 são os novos 30? Uma pessoa deixa de ir ao ginásio, ao fim de uma ou duas semanas, já precisa de pausas estratégicas para subir três andares.
É o condor.
E depois vemos histórias como a de Dale Sanders, conhecido no meio do campismo pelo Barba Cinzenta, Greybeard, que esta semana se tornou na pessoa mais velha de sempre a completar os mais de 3500 km do trilho dos Apalaches.
3500 km?
Nos Estados Unidos, sim.
Estás a ver isso bem?
Palpites sobre a idade do senhor.
83.
Mas que é a pé? Ou de carro?
A pé.
É pá! É que a pé o gasóleo está caro.
Não brinquem comigo.
Carro já é uma grande tirada.
Pessoa mais velha do mundo.
Eu digo 83.
Paulo.
A pessoa mais velha do mundo?
A completar este trilho.
87.
Eu diria 75.
91.
Ponha aí para a próxima vez.
Não.
Está para dizer errado.
Está certo. Ponha aí para a próxima ação. Qual é o prémio?
Fernando Mendes, fala aí.
Os detalhes da caminhada são geniais. O próprio Dale fez a contagem e admitiu aos jornalistas que ao longo do percurso caiu 71 vezes. Não foram 70, nem 75.
É quase uma por ano.
Vamos ser rigorosos, claro.
Teve seis quedas, das graves. Uma delas deixou com os braços e as pernas todos folados, mas disse que graças a Deus não partiu nada, nem limpou o sangue, simplesmente continuou a andar. Para ser perfeito, ironia, a última das 71 quedas aconteceu a uns escassos 180 metros da linha de chegada, no topo da montanha. Ele já tinha batido este recorde aos 82 anos, mas depois, em 2021, um amigo de 83 roubou-lhe o título.
Eu lembrava-me era desse.
Desse, o de 83. O Barba Cinzenta não esteve com meias medidas, esteve seis meses a treinar, voltou ao trilho e disse que nem achava que estava na sua melhor forma física. A motivação, diz ele, que foram as pessoas que ia encontrando pelo caminho e que lhe ofereciam frappés de caramelo.
Ora aí vês?
Muito aleatório, frappés de caramelo. Ele diz que quando as pessoas lhe pedem um dólar.
Deve ser bom, dá energia.
Deve ser, exatamente. Não, sabiam que eles estavam a fazer o percurso, não iam a caminhar com um frappé de caramelo só porque sim. Foram 3500 km deste trilho dos Apalaches. Passa por 14 estados norte-americanos, incluindo a Virgínia, Pensilvânia e a Carolina do Norte. A caminhada total durou cerca de seis meses e meio. Começou em meados de fevereiro, terminou agora a 31 de agosto. Ele tem outros recordes, incluindo o de pessoa mais velha a percorrer de caiaque toda a extensão do rio Mississippi em 2022, uma viagem de 87 dias, que começou no dia em que fez precisamente 87 anos. Portanto, se queria motivação para ir ao ginásio, é pôr os olhos aqui no Barba Cinzenta de 91. É impressionante, 91 anos. Tomara nós.
E ele depois foi para casa.
Depois foi para uma rave, para um sunset, uma festa. Mas traz à gana o bico, essa é a verdade.
Exatamente, porque eu vou falar de casas. Fala-se muito da habitação, não só em Portugal, mas como sabemos, em toda a Europa. E esta semana foi conhecido um estudo de uma revista científica, Journal of Maps, que mostra que quase metade dos europeus não consegue ter uma casa com mais de 50 metros quadrados. É um estudo que é noticiado pelo jornal Público e mostra que 44% da população europeia mora em cidades em que o salário médio só lhes permite comprar um apartamento com menos de 50 metros quadrados, ou seja, um T1 ou um T0, um estúdio. Ora bem, este estudo mostra também que há dificuldades no acesso à habitação em quase todos os 31 países analisados, mas há alguns que se destacam. Entre eles está, imaginem lá qual, Portugal, naturalmente.
Surpresa.
Surpresa. Portugal, mas também a Polónia e Países Baixos estão entre os países identificados como altamente inacessíveis. E como é que foi feito este estudo? Ora, foi feito por dois investigadores da Universidade Técnica de Viena, na Áustria. Baseou-se em quase 22 milhões de anúncios imobiliários, tanto de venda como de arrendamento. No que toca ao arrendamento, 39% dos europeus vivem em cidades em que o rendimento só chega para arrendar habitação com menos de 50 metros quadrados. As habitações para arrendamento na Irlanda, em Portugal ou em Itália parecem oferecer menos metros quadrados quando comparamos, por exemplo, com o mercado de venda. O estudo nota ainda que na Europa o preço das casas tem aumentado de forma mais rápida do que os rendimentos ao longo de mais de uma década e as zonas com maior densidade populacional e também as regiões com mais turismo são aquelas que são mais afetadas pelos preços elevados das habitações, o que acontece apesar de também o nível do rendimento ser mais alto nestas áreas do que em áreas rurais. No caso de Portugal, os preços das casas crescem acima do ritmo europeu há 10 anos. Também numa análise feita pela Confederação Europeia de Sindicatos, divulgada em maio, a renda média ultrapassa largamente o salário mínimo nacional em quase todas as capitais europeias, obrigando os trabalhadores, desta forma, a afastarem-se das cidades e a procurar habitação mais acessível fora dos grandes centros.
Fica cada vez mais fora.
Exatamente.
Sim, mais afastados.
Lisboa surge no topo da lista em dois cenários. Era a segunda capital europeia onde a renda mais pesava sobre o rendimento disponível de quem ganha o salário mínimo e era também a cidade que registava o segundo maior crescimento de renda média na última década. Em Praga, em Lisboa e em Dublin, o custo médio da renda supera em €700 o valor do salário mínimo. É impressionante.
Impressionante.