O iPhone Duo, o primeiro iPhone dobrável, chegou às lojas na passada sexta-feira, 23 de outubro. E, em apenas alguns dias, começaram os relatos sobre como algumas unidades estavam a ter problemas com o ecrã interior.

Em plataformas como o X ou o Reddit, alguns donos do iPhone Duo disseram que viram aparecer uma falha no lado direito do ecrã, a partir da dobradiça do smartphone. Em alguns casos, com poucas horas de utilização.

Esta segunda-feira, a empresa não só confirmou que havia problemas com o iPhone Duo como também que iria substituir as unidades afetadas. “Estamos cientes de um problema que afeta o ecrã interior num pequeno número de unidades do iPhone Duo”, disse a Apple numa nota, sem avançar mais dados. “Se os utilizadores tiverem problemas com o ecrã do seu iPhone Duo, devem contactar a AppleCare para obterem uma substituição”, referindo-se ao serviço de apoio ao cliente da empresa.

Não é a primeira vez que há problemas com os ecrãs de modelos dobráveis. Em 2019, quando a Samsung apresentou o seu primeiro Fold, houve relatos de ecrãs partidos ou riscados nas unidades de teste, disponibilizadas à imprensa para análise. Na altura, a empresa recolheu os equipamentos ainda antes da chegada às lojas e adiou o lançamento durante alguns meses.

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Além dos problemas com os ecrãs, a Apple está a ter dificuldade em ter os equipamentos disponíveis para enfrentar a procura. Nas lojas físicas, explicou que tem “um número limitado de iPhone Duo para os clientes presenciais”. “Estamos a trabalhar arduamente para que este novo produto revolucionário chegue às mãos dos clientes o mais rapidamente possível”, disse numa nota. A Apple não tem lojas em Portugal, funcionando através de revendedores autorizados.

Uma simulação na loja portuguesa da marca refere que o envio do telefone só acontece quase no fim de janeiro. Simulando com um código postal de Lisboa, só a partir de 25 de janeiro de 2027. Em Portugal, o iPhone Duo arranca nos 2.399 euros — é, neste momento, o telefone da Apple com o preço base mais alto.

iPhone Duo custará quase 2.400 euros em Portugal. 18 Pro arranca nos 1.499 euros

Francisco Jerónimo, vice-presidente de dispositivos globais da consultora IDC, refere numa nota que estes relatos “mostram que mesmo uma empresa com os recursos de engenharia da Apple e uma disciplina na cadeia de abastecimento enfrenta uma curva de aprendizagem acentuada no que diz respeito aos dispositivos dobráveis”.

Jerónimo alerta que “a escala ainda é desconhecida” e que “algumas das imagens que circulam online podem ser recicladas ou alteradas”, o que dificulta tirar conclusões sobre o impacto real do problema.

“O que importa agora é a forma como a empresa reage”, acrescenta, recordando a forma como a Samsung reagiu à crise do Fold original. Olhando para 2019, considera que “uma resposta rápida e transparente pode conter os danos numa categoria”. Apesar dos problemas iniciais, a marca sul-coreana continuou a aposta nos dobráveis e lança pelo menos dois equipamentos dobráveis por ano, na gama Fold e na gama Flip.

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