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É hora de mais um "Não Se Fala de Outra Coisa".

Pois é, e há algumas coisas que parecem que entraram na moda: livros de memórias e a sensação de que as famílias reais estão com muitos problemas. Isto vem a propósito do livro de memórias do rei emérito Juan Carlos, que se chama "Reconciliação". O nome diz tudo. Ainda não foi lançado. Vai ser lançada primeiro uma versão francesa, daqui a dois dias, dia 5 de novembro. A versão espanhola vai coincidir com as comemorações do aniversário da morte de Franco, que será a 20 de novembro. Fará 50 anos que morreu Franco. E o rei emérito diz que achou necessário prestar um testemunho direto daquilo que viveu nos 39 anos ao serviço do país. Mas a verdade é que, por aquilo que se sabe e as poucas publicações que foram saindo sobre o teor do livro, fala-se muito mais do que da história de Espanha, fala-se muito também sobre alguns casos que marcaram a família real. E ficamos logo a saber, em primeiro lugar, que Juan Carlos detesta este título de rei emérito. Diz que gostava mais de ser conhecido como o rei pai, um pouco como a rainha-mãe, talvez tenha a ver com isso. Diz que houve muitas mentiras e muitos exageros que foram ditos acerca dele e que por isso quis contar a sua história, a sua versão da história, com toda a sinceridade. Ao que parece, estas memórias vão desde a infância, os anos passados em Portugal também, e há destaque pra relação que tinha com Francisco Franco. Ele diz que tinha uma relação muito paternal. Havia uma diferença de 46 anos entre os dois. Franco não tinha filhos e ele sentiu que estava a ser tratado com esta relação paternal. Eu destaco, do pouco que se sabe sobre este livro, um conselho que Franco lhe deu e que ele seguiu para a vida, ou de alguma forma, se calhar não em todos os momentos da vida. Franco disse-lhe: "Moscas não entram em boca fechada". Parece-me um bom conselho.

Para muita gente.

Para muita gente. Há opiniões controversas que parece que estão neste livro, como a opinião que Juan Carlos tem sobre o antigo presidente francês Giscard d'Estaing, considerava-o arrogante. Sobre a princesa Diana, fria e taciturna. Depois também reconhece que, por exemplo, as caçadas no Botswana, que foram quase o princípio do fim do reinado do Juan Carlos, considera que foram de facto dispendiosas e despropositadas num momento em que Espanha estava a viver períodos difíceis. Sobre o envolvimento com Corina, famosa amante alemã, diz que foi um erro, assim como foi a doação do rei da Arábia Saudita, que foram 100 milhões de dólares. Diz que foi um ato de generosidade de uma monarquia pra outra, e foi assim que ele entendeu. Sobre a mulher, Sofia, muitos elogios, diz que ela é a personificação da nobreza de espírito. Agora, assume o desejo de regressar à Espanha. Ele vive sozinho em Abu Dhabi.

Vive triste.

Vive triste, aparentemente. Sozinho e triste. Quer recuperar a relação com o filho. O livro ainda não saiu, isto são só algumas partes de alguns capítulos deste livro, que se chama "Reconciliação", com o povo espanhol, mas aparentemente também com a família.

Deve estar deprimido, o rei pai.

É possível.

É possível. E pode ser também depressão sazonal. Já ouviram falar de depressão sazonal?

Já.

Ela anda aí.

Pois está. Nesta altura.

Nesta altura do ano. É verdade, muita gente tem alguns sintomas.

A falta do sol, daquela alegria que faltará fazer.

É isso, e está tudo muito bem explicadinho no artigo da Sara Dias Oliveira no Observador. Fadiga, dificuldades de concentração, sonolência e irritabilidade são alguns dos sintomas que nós às vezes não conseguimos atribuir nenhuma causa em específico. Não pensamos que temos algum problema, sentimos só mal, tristes, irritados, com essa incapacidade de nos concentrarmos. E isso pode muito bem ser esta depressão sazonal, que é muito parecida com as outras depressões.

Esta passa.

Esta é desta época, é fruta da época. Não é só uma questão do tempo, isto provoca mesmo menos luz solar, provoca este tipo de sintomas e é mesmo uma doença, é uma perturbação depressiva recorrente e sazonal, própria desta época, que tem que ver mais com esta ausência do sol, os dias mais curtos. Não é tanto o tempo, a meteorologia, de estar a chover ou os dias mais cinzentos. É mesmo de termos menos luz e disso nos afetar. Claro, também diz o artigo, pode acontecer no verão, mas é mais comum dar-se nesta altura. Há quem diga também que há aquele tipo de depressão pós-férias. Essa é mais do verão. Como se manifesta? De facto, é através destes sintomas: mais fadiga, sono, irritação, falta de energia, vontade de ficar na cama. Todos nós conhecemos essa sensação.

Essa não é sazonal, é anual.

É anual, é perene.

Permanente.

Sentimentos persistentes de tristeza, desesperança ou vazio, bem como sentimentos de culpa e inutilidade, que nós não conseguimos situar por quê. Por que nos sentimos assim?

O que é isto agora, não é?

E está aqui uma das razões, mas não desesperem, porque existem tratamentos. E o tratamento inclui, diz-nos este artigo, regra geral, a mudança de rotinas, do estilo de vida. Também a psicoterapia é uma das possibilidades. E há formas de prevenir ou de tentar mitigar antecipadamente os efeitos destas alterações. Sair de casa, deixar a luz entrar em casa, abrir as cortinas, deixar o máximo de luz entrar em casa, praticar exercício físico, manter as atividades que dão prazer e que aumentam o bem-estar são uma espécie de escudo contra esta depressão.

Ou seja, contrariar.

Contrariar antecipadamente, não deixar que sejam os dias e este tempo a condicionar a nossa forma de estar e também a nossa disposição, mas sim, ter aqui uma série de comportamentos que permitam prevenir esta depressão sazonal, que é bem real.