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Não se fala de outra coisa. Não sei se cruzaram com esta notícia nos últimos dias, tem a ver com uma das Kardashians, neste caso, a Khloé, que está a ser alvo de muitas críticas. Não sei quem é. Qual é? É a mais alta. É a Khloé. É a mais alta delas. É a mais alta. Eu só conheço a designação das Kardashians. Não ajuda muito. É casada com um jogador da NBA. Ah, ok. Lamar Odom. É a Khloé. Ah, claro! Ainda é? Não, foi casada. Foi? Foi. Porque eu vi o documentário dele. Também. Que está na Netflix. Então é essa. É essa. É essa, ok. É a mais alta delas. É a mais alta? Sim, é. Não sei. Ela está a ser alvo de muitas críticas por causa de uma decisão relacionada com os seus gatos durante um dos episódios da série "Kardashians", que dura e dura. Ainda dura? Ainda dura. Sim, agora acho que é na Disney. Revelou que mandou tirar as unhas dos animais, uma prática conhecida como onicectomia, que consiste na remoção cirúrgica das garras, e isto tem gerado, claro, uma onda de indignação generalizada. É uma prática condenada por várias associações da classe veterinária, pelo dor que provoca nos gatinhos e também por alterar o comportamento natural do animal. Isto porque esta remoção das garras não passa apenas por cortar as unhas dos felinos, envolve a amputação da última falange de cada dedo, o que provoca alterações permanentes na anatomia dos animais, dor crônica, dificuldades de locomoção, perda de equilíbrio e problemas comportamentais. Isto porque as garras desempenham funções essenciais para os gatos: defesa, escalada, alongamento, tudo. Interação com o ambiente. E também por isto é considerada ilegal e classificada como crime de maus-tratos em grande parte da Europa, incluindo Portugal, e em vários países da América Latina e dos Estados Unidos. Só é permitida apenas em casos terapêuticos, por exemplo, no caso de um tumor ou uma infecção grave. Ela disse que tomou a decisão sem compreender completamente os impactos do procedimento, que nunca tinha tido gatos antes e que, por isso, não tinha conhecimento da gravidade da intervenção. Disse que se arrepende da decisão depois de perceber mudanças no comportamento dos gatos, que passaram a andar mais infelizes e desconfortáveis. Mas isto que ela disse só vai contribuir pra indignação ser ainda maior, porque se desconhecia, então por que o fez? Mas isto continua a dar muito o que falar e agora não há volta atrás. Pois, claro. Tem umas fraturantes. Rigorosamente. Não, é pelo impacto que elas têm. Pois, exatamente. Têm muitidões. Claro. E alguém pode achar que é boa ideia, porque não estraga o sofá. Sim, acha que é o exemplo. Exatamente, porque não estraga o sofá. Também não se fala de outro nome, o de Marjane Satrapi, conhecida por ser a autora da novela gráfica "Persépolis", uma história autobiográfica. Ela era franco-iraniana, porque foi conhecida a notícia da morte agora ontem, creio eu, aos 56 anos. Muito nova e só o próprio comunicado me parece devastador. Foram os familiares e os amigos que enviaram e dizem que Satrapi morreu de tristeza por mais um ano depois da morte de Mathias Ripa, o seu marido e o amor da sua vida. O marido também estava na área, eles conheceram-se muito jovens, era produtor, ator, argumentista e de fato morreu há pouco mais de um ano, em abril de 2025. A notícia da morte está em todos os jornais, e todos os jornais também, de uma forma ou de outra, estão a recordar não só a obra dela, mas também as várias entrevistas que foi dando e que mostra como ela, de fato, se transformou na voz das mulheres iranianas. Primeiro, com este trabalho, "Persépolis", que é uma forma extraordinária de contar a sua história pessoal, ao mesmo tempo que conta a história recente do Irão. Só para termos uma ideia, ela tinha 10 anos quando o Aiatola Khomeini tomou o poder em 1979, foi a revolução islâmica. Ela vinha de uma família laica, que fica com uma ótima imagem, creio eu, depois do livro. Ela conta como tudo mudou, os pequenos pormenores do dia a dia na escola, na sociedade, na vida das mulheres, e ela foi sempre a voz das mulheres. Em 1984, o livro também nos conta, deixou o Irão por decisão da família e a família considerou que era melhor para ela. Vai para a Europa, primeiro para Viena. Nunca se adapta, tem momentos que são muito negativos, muito devastadores para ela própria, muito marcantes, até em que Estrasburgo conhece, de fato, um jovem sueco com quem viria a casar. Ela fala sempre das dificuldades de adaptação que viveu, da revolta. É um sentimento que está muito presente neste livro. Depois da publicação do livro, o livro passou para o cinema, muito reconhecido, ganhou o Prêmio Júri do Festival de Cannes, foi nomeado para os Oscars na categoria de melhor filme de animação. Não foi o único a fazer, por exemplo, "Frango com Ameixas", outro livro também foi adaptado ao cinema. Um à parte, Maria de Medeiros é uma das protagonistas deste filme. Em 2006, obteve a cidadania francesa. Em 2025, recusou a condecoração da Ordem Nacional da Legião de Honra de França por não concordar com o regime de vistos que o país estava a seguir e que impedia dissidentes iranianos de chegarem à França. Disse ela que não pode ignorar o que considera uma atitude hipócrita de França relativamente ao Irão. Foi sempre uma voz muito presente a condenar. Uma das últimas entrevistas que li e que foi agora recuperada, dizia que o regime iraniano estava a cair de podre. O que é certo é que os últimos acontecimentos podem, de alguma forma, alterar até o que está aqui a acontecer. Perdeu-se uma voz, uma artista, uma mulher muito jovem. Morrer por amor. Morrer de tristeza. De desgosto. De desgosto, amor.