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E tu, Carla, o que te chamou a atenção na imprensa hoje?

O mau ambiente entre a FIFA e a UEFA. Já estão a perceber isto, o futebol ganha dimensões.

Tinha esse destaque também aqui para fazer. Não tinha percebido que era o mesmo, mas é uma notícia que tem dado muito o que falar. De resto, são muitos os artigos que já se escreveram ao longo do dia sobre esse assunto.

Isto começa com a intenção da FIFA, que quer vender participações do mundial para angariar cerca de 4,2 mil milhões de dólares, e a reação da UEFA, não sei se apanhaste, porque é mais recente, a avisar que o futebol não está à venda.

Claro.

Ora bem . Só fazes rir.

Ainda bem que eles avisam.

O que a FIFA pretende, ou o que alega, é aumentar o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares. Só que para isso precisa da aprovação da maioria das 211 federações que são membros da FIFA e também do conselho da organização. A FIFA garante que vai manter em exclusivo tudo o que tem a ver com a governação do futebol, as competições, o calendário internacional e todas as decisões que são desportivas e regulamentares. O que a FIFA coloca aqui em causa? Vender as participações dos direitos comerciais dos campeonatos do mundo a investidores privados, e agora começam aqui eventualmente a soar alguns sinais de alarme, através de uma nova subsidiária com Gianni Infantino como comissário e com potenciais investidores como o irmão de Jared Kushner, o genro do presidente dos Estados Unidos. Aliás, a própria FIFA terá consultado a administração norte-americana sobre este plano.

Isto dá a volta e faz todo sentido.

É uma americanização.

É uma americanização do futebol.

Já agora, se me é permitida a colherada, não sei se vocês têm isso aí no fio da história, aquele prêmio Nobel que Infantino deu.

É um problema político, já.

Que deu a Donald Trump aqui há uns meses. Tudo tem água no bico.

Tudo tem água no bico. Um comunicado da UEFA surgiu ontem a dizer que está frontalmente contra a proposta, diz que ultrapassa uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam cruzar. Mas de facto, nos próprios Estados Unidos, o Partido Democrata quer levar isto mesmo em frente e formalmente já pediu esclarecimentos sobre a relação entre Gianni Infantino e Donald Trump durante o Mundial de 2026, mas também naturalmente com esses antecedentes todos que estás aqui a recordar, Paulo, e que têm levado a muitas críticas. Eles querem esclarecimentos sobre alegados favores especiais obtidos pela FIFA junto do presidente dos Estados Unidos, em troca de ações como, por exemplo, o aluguer de um espaço na Trump Tower e a atribuição de um prêmio ao chefe de Estado, num processo que também envolve suspeitas ou acusações de ações fraudulentas na bilheteira. O preço dos bilhetes também deu muito que falar no último campeonato do mundo e, portanto, aqui temos mais um feliz ou infeliz casamento entre futebol, política, instituições, influência, dinheiros e negócios.

Uma outra questão que a UEFA criticou muito foi o intervalo. Porque pelas regras não pode ter mais de 15 minutos e aquele intervalo de meia hora ou mais era um atropelo também às próprias regras do jogo, que estão escritas e que não foram cumpridas naquele mundial.

E houve o episódio do telefonema de Trump sobre a expulsão de um jogador.

Sim, dos Estados Unidos.

Esse é ótimo.

Que também não sofreu o castigo, que é habitual.

Ficou suspenso o castigo.

Mas vocês que percebem disso e eu não, havendo aqui uma briga forte entre a FIFA e a UEFA, isto estará ao nível de uma cisão na Igreja, de um cisma na Igreja?

Estamos. Vamos ter dois papas.

Fica um futebol para a Europa e fica outro futebol para o mundo.

Até porque estamos a falar de uma religião.

Sim. Aliás, mas isto tem que ser aprovado pelas não sei quantas federações.

Sim, 211 federações.

Dificilmente.

Não há nada que, ia dizer não se compre, mas não se consiga.

Não, é mesmo que não se compre, porque aconteceu com a atribuição de outros mundiais, esse tipo de notícia.

E antes ainda de Infantino estar na presidência da FIFA.

O problema não começa com o Infantino.

Não com o Infantino. Portanto, as questões relacionadas com comercialização de direitos, suspeitas de corrupção, já vêm praticamente desde que a FIFA se tornou-

Bruno, desde que o futebol é futebol. A verdade é que não é, embora o historial da FIFA não seja bonito.

Mesmo o envolvimento político, por exemplo, a atribuição da organização do Mundial de 78 à Argentina, que na altura era uma ditadura militar, com tudo o que isso significava Politicamente e também desportivamente, mas muitos outros casos ao longo dos tempos. A verdade é que o crescimento do poder da FIFA foi sempre acompanhado de suspeitas sobre a forma como esse poder era conquistado. Provavelmente, terá sido na presidência de João Havelange, o brasileiro que dirigiu a FIFA durante muitos anos e depois foi sucedido por Joseph Blatter, que a FIFA e o Campeonato do Mundo se tornou um evento de proporções gigantescas, mas também sempre com esta sombra de muitas suspeitas acerca da lisura dos meios utilizados para fazer crescer a FIFA. É muito dinheiro envolvido. Por um lado, era um pouco incompreensível que a FIFA não aproveitasse o potencial daquele que é o maior evento desportivo do mundo, por outro, isso foi sempre acompanhado de procedimentos que são um pouco suspeitos.

Olha, só queria deixar uma sugestão muito rápida, porque fiquei chateado esta manhã, porque me esqueci de ir ao São Jorge ontem. Tinha um convite para a estreia do filme "Playback". É um filme sobre o Carlos Paião.

Li o artigo no Observador, mas não sabia.

Sim, e tinha um concerto do Legendary Tigerman, com o ator que faz de Carlos Paião, que canta as músicas que todos nós conhecemos. Estou muito curioso com este filme. É mais um filme na senda de outros que se fizeram nos últimos anos, revisitando aqui estrelas da música portuguesa.

Como As Doce.

É um bocadinho esse o formato. O Rafael Ferreira é o ator que dá vida ao Carlos Paião e que atua com o Legendary Tigerman no formato palco. Esteve no Nós a Live e ontem fez uma atuação também no São Jorge.

Ou seja, o ator canta também.

O ator canta também. Depois dessa estreia de ontem, eu tenho ideia que o filme só chega às salas no dia 6 de agosto, mas fica aí o convite para "Playback".

É isso. Há um artigo muito interessante no Observador. Já ali, incrível. Carlos Paião morreu com 30 anos.

Em 1988.

Um acidente automobilístico.

Mas é uma figura que todos conhecem.

E foi recuperada depois.

Sim. Tive também pena que este ano, creio que em março, morreu o pai de Carlos Paião, ainda era vivo. Alguma mágoa também, por alguns meses poderia ter visto o resultado deste filme realizado pelo Sérgio Graciano. "Playback" então, na próxima semana, chega às salas de cinema.