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E se o mapa-mundo que nós conhecemos não representar exatamente a verdadeira dimensão dos países e dos continentes? Isto parece o Trump.

Não pitas nisso.

Mas é verdade.

É verdade.

É verdade. A explicação é a geometria. Cada vez que tentamos tornar um esférico em algo em plano, há uma distorção e as dimensões alteram-se à medida que se afastam do Equador. Isto acontece. E o que isso representa, na verdade? Aquilo que vemos no mapa-mundo tradicional, convencional, é que o continente africano e a América Latina ficam muito mais pequenos do que todas as massas de terra que estão no hemisfério norte, nomeadamente a Gronelândia ou o Polo Norte. Só para termos uma ideia, quando olhamos para o mapa, África e a Gronelândia, que agora até conhecemos tão bem no mapa, têm mais ou menos o mesmo tamanho. A verdade é que a África é, na realidade, 14 vezes maior que a Gronelândia. E o mapa não nos mostra isso. É impressionante. É muito estranho. Isto acontece também na América Latina, na Índia, por exemplo, enquanto que a Rússia e a América do Norte aparecem sempre sobredimensionadas. Na semana passada, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que promove que haja uma representação mais precisa nos mapas, em particular na África. É uma iniciativa que se chama Corrigir o Mapa e foi promovida pelo Togo. A votação foi interessante. Houve 164 votos a favor, um contra, dos Estados Unidos, e seis abstenções: a Estónia, a Geórgia, a Lituânia, a Moldávia, a Sérvia e a Ucrânia. A ideia é precisamente esta, que se chegue a uma representação mais proporcional.

E hoje em dia a tecnologia resolve essa questão.

Torna isso muito mais fácil. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo multiplicou-se em entrevistas a explicar a iniciativa. Diz que isto não é uma discussão política, é uma discussão científica, mas diz também que o mapa nunca é neutro e parece, ou pode parecer, molda percepções, influencia a compreensão dos lugares e dos povos, e pode perpetuar representações que não correspondem àquilo que é a realidade geográfica. Lá está, houve uma alteração por parte desta resolução das Nações Unidas. O que é que isto muda? Obrigatoriamente, nada. Esta resolução sugere aos governos, às escolas, a organizações, a quem quiser, a empresas, que adotem mapas mais próximos da escala real, sempre que entenderem que isso é relevante. Portanto, tenta ser mesmo muito consensual. A ideia não é eliminar os mapas atuais. Aliás, os mapas atuais foram criados em 1569 para ajudar os marinheiros na navegação marítima. Já mudou tanto e o mapa ficou igual e ficou enviesado para o lado ocidental, naturalmente. Aliás, é por isso que há quem diga que estamos perante uma cartografia colonialista e há quem critique que isto pode ser um bocadinho woke, mas a ideia se calhar é introduzir uma representação do globo terrestre que seja mais próxima daquilo que são as reais dimensões. E para mim é impressionante pensar que a África é 14 vezes maior do que a Gronelândia, porque os mapas não nos dizem isso.

Não nos mostram isso. Outra coisa é a representação de cada mapa. Nós colocamos sempre a Europa no centro. Estamos habituados a ver o Atlântico do lado esquerdo.

Exatamente.

Mas noutras geografias, o centro do mapa é outro. Enfim, vamos falar aqui da Apple, que está em dado vida, uma das empresas mais conhecidas e mais icónicas em todo o mundo e mais presentes nas nossas vidas também. É que depois de 15 anos sob a liderança de Tim Cook, que substituiu o fundador e criador Steve Jobs, esta gigante tecnológica entra agora numa nova era. Ao comando está, desde o início deste mês, John Ternus, que é o novo presidente-executivo da empresa. Ele é engenheiro de formação e assume aqui a liderança num momento decisivo, porque a concorrência vai avançando a grandes passos e a Apple precisa de provar que ainda sabe inovar. E o desafio é grande e a estratégia de mudança já arrancou. Qual é a grande cartada desta nova fase? É o lançamento do primeiro iPhone dobrável, acaba de ser lançado. Foi batizado de iPhone Duo. É um aparelho que se fecha como um livro. Chega ao mercado português em outubro, no dia 23, e é a maior transformação do produto em quase duas décadas. O primeiro iPhone foi lançado em 2007, já vai fazer 20 anos. Atenção que não é a primeira vez que há smartphones dobráveis. A Samsung, rival, há muitos anos domina o mercado dos dobráveis. A Apple chega aqui tarde a esta corrida e precisa de provar que de facto ainda sabe inovar e que sabe chegar e fazer melhor do que a concorrência. Mas isto tem um preço, não é? Inovação tem um preço.

Só tem.

Já viram os preços? Já olharam?

É absurdo. É que a João hoje não falava de outra coisa. Eu estou chocada.

Então estás até a rever neste nosso diálogo.

Há pessoas que se vão endividar por causa disto.

É impressionante, de facto.

Têm de se juntar, juntam-se várias pessoas. Não se juntam.

Fazer uma vaquinha.

Uma vaquinha e depois vão partilhando. Não, pedem crédito para comprar isto.

Havia as compras em grupo, vocês lembram-se que há muitos anos havia as compras em grupo. As pessoas iam recebendo o automóvel para comprar automóveis.

E o car sharing.

As pessoas iam recebendo o automóvel, quando saísse do sorteio podia demorar vários anos. Mas então, quanto é que custa um iPhone dobrável, que vai chegar daqui a um mês a Portugal? Vai custar em Portugal a partir de 2300.

A módica quantia. A partir de.

A partir de, atenção, 2399 € na versão base.

Que é aquela que não dobra.

Exato, não dá para dobrar.

Aquela que tem pouca elasticidade. Tem umas dobradiças.

Mas pode chegar, sentem-se, aos 3899 € no modelo com maior capacidade de armazenamento.

Estamos a quanto terabytes, não é?

Sim, muitos tera.

São muitos tera. Buéda.

É uma grande tara também, uma grande tera. Vai chegar quase aos 4 mil € por um iPhone. É dobrável, obviamente, quando se abre fica com uma ecrã grande, tal como acontece com a rival Samsung. Mas, de facto, custa dinheiro. Aliás, toda a fatura, todos os preços da linha da Apple subiram. Há também uma pressão, atenção, as tecnológicas neste momento estão pressionadas pela crise global do preço dos chips da memória. Porquê? Porque o investimento em inteligência artificial está a provocar grande procura por todo o equipamento para construir os data centers e obviamente que isso faz encarecer os produtos. E a Apple também encareceu, obviamente, os modelos mais antigos e de entrada, com aumentos que podem chegar aos 150 €. Aí já estamos a falar, se quisermos, dos iPhones ditos normais, não dobráveis, os clássicos, se quisermos. E a marca renovou também a gama alta com o iPhone 18 Pro, que agora arranca nos 1500 €, menos 1 €. Estou aqui a arredondar por facilidade, 1499 €. E há outras novidades, como sempre acontece nos lançamentos, mas cá está então este passo agora para tentar chegar à rival Samsung dobrável, mas que, como se costuma dizer na gíria, pode custar um rim.

Ele é teu primo. Não pode comprar.

Não pode comprar.

Beijinho para o teu primo. Só tem um rim. Tens de vender outro órgão.

Ficas-te pela engenharia.