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Não se fala de outra coisa de Val Kilmer, que morreu há já quase um ano, mas isso não impede que esteja de volta aos ecrãs de cinema. Não é um filme antigo que vai ser reaproveitado, nem são filmagens guardadas que vão ser reveladas. É mesmo a inteligência artificial que vai permitir o regresso do Iceman do Top Gun, desta vez a um filme independente. O anúncio foi feito esta semana pela First Line Films, que confirmou a participação a título póstumo de Val Kilmer no filme "As Deep as the Grave". Ele já tinha aceitado participar, mas não conseguiu começar as filmagens na altura, já por razões de saúde. Agora, a família de Val Kilmer deu autorização para que a participação aconteça através daquilo que chamam uma replicação digital. A família vai ser devidamente paga por isso. Em comunicado, Mercedes Kilmer, a filha do ator, diz que tudo faz sentido, porque o pai sempre olhou para o futuro das tecnologias com otimismo e como uma ferramenta para expandir as possibilidades de contar histórias e que desta forma estão a honrar esse mesmo espírito com esta participação no filme. Ele que ficou conhecido como filmes "Top Gun", "The Doors". Nunca viu "The Doors"?

"Doors".

Nunca vi.

Eu vi em VHS, na altura dos clubes de vídeo.

Portanto, ele morreu aos 65 anos. Em abril do ano passado, morreu com uma pneumonia, mas já estava doente desde 2014, quando lhe foi diagnosticado o cancro da garganta. E foi também por essa razão que acabou por perder a capacidade de falar e decidiu recriar a voz com a ajuda digital em 2022. Foi assim que apareceu em "Top Gun: Maverick". Portanto, agora a tecnologia e a carreira do ator voltam a cruzar-se.

Olha, vamos falar de cinema também. Aqui não se fala de outra coisa, mas é uma notícia de teor bastante diferente, é só lateralmente sobre cinema. Isto tem a ver com a acusação que foi feita ao realizador Íco Costa no ano passado. Íco Costa, que venceu o Indie Lisboa em 2024, e que o ano passado viu os seus filmes cancelados neste festival, o Indie Lisboa, porque na altura surgiu uma acusação nas redes sociais, que dava conta de supostas agressões do realizador a uma companheira, alguém com quem teria tido um relacionamento, alguém que se apresentava com o nome de Joana Sousa e Silva, que o acusava de violência doméstica. O realizador, na altura, disse que não conhecia ninguém com esse nome, não tinha tido nenhuma relação com alguma pessoa com esse nome. A verdade é que houve logo reações e, por exemplo, o Indie Lisboa suspendeu, cancelou a exibição dos filmes de Íco Costa na edição do ano passado. Agora, a CNN teve acesso ao processo, que foi desencadeado pelo próprio realizador. E o que é que se conclui para já? Que uma mulher que nunca ninguém viu, com quem nunca ninguém falou, e que, na verdade, não existe, foi o responsável por todo este caso. O principal suspeito da falsa acusação é um homem e alguém ligado ao meio artístico. A CNN faz aqui o resumo dos acontecimentos. A 17 de abril do ano passado, 2025, alguém que se apresentava com este nome, Joana Sousa e Silva, enviou um e-mail para dezenas de pessoas e entidades ligadas ao mundo do cinema em Portugal, e não só, a dar conta desta acusação de violência doméstica. O título do primeiro e-mail a que a CNN Portugal teve acesso tinha a palavra "agressão", dava Íco Costa como um agressor em série de mulheres, entre as quais esta Joana.

Em série.

Em série. Falava de agressões verbais, físicas e psicológicas, estratégias de intimidação. Garantia, esta pessoa, que tinha tentado apresentar uma queixa nas autoridades, mas que a polícia tinha levantado problemas. Dizia também que tinha tido uma relação de seis meses com o realizador. Íco Costa dizia que não conhecia, desconhecia por completo esta pessoa. Várias pessoas tentaram contactar esta alegada vítima, que sempre recusou encontros ou chamadas telefónicas.

Agora percebe-se ainda mais porquê.

Agora percebe-se porquê. Num desses e-mails, que trocou com quem tentou falar com ela, chegou a dizer que ia realizar-se um encontro no grupo, na Associação Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento, mas ninguém conhecia esta Joana Sousa e Silva. Não apareceu em nenhum evento público. Nos dias 19 e 20 de abril do ano passado, enviou mais mensagens que chegaram mesmo às caixas de correio de vários festivais de cinema internacionais. E depois, já de ter sido cancelada a exibição dos filmes de Íco Costa, do Indie Lisboa, houve novas acusações, uma das quais dava conta de uma espera que Íco Costa teria feito a esta pessoa, que ela teve que fugir, correr e refugiar-se num café. Isto no dia 13 de junho do ano passado. Acontece que nesse dia, nessa data, Íco Costa encontrava-se em Marrocos. Portanto, não era possível. Agora, o que se sabe do processo é que, de facto, terá sido um homem a fazer estas acusações, alguém ligado ao meio artístico e provavelmente com algum problema com o realizador, alguma questão pessoal, não se sabe ainda ao certo. O advogado do realizador diz que houve aqui uma série de procedimentos que não foram cumpridos, desde logo também da comunicação social, que amplificou esta denúncia, porque a pessoa nunca deu a cara, usou um e-mail num serviço Que permite a encriptação dos dados.

Era impossível rastrear.

Exatamente. Nunca se soube exatamente quem era esta pessoa, ninguém confirmou e, entretanto, a notícia espalhou-se, houve esse cancelamento dos filmes do realizador e agora vamos ver quais serão as consequências para já.

Coisas que não dá pra voltar atrás.

De fato, neste caso, não, porque estamos a falar, e quando falamos deste tipo de denúncias, é muito diferente. Estamos a falar de denúncias em que as pessoas dão a cara ou que já está a ser feita uma investigação, por exemplo, pelo Ministério Público, em que pode não ser conhecida a identidade da vítima, mas as autoridades sabem de quem se trata, de uma situação que se passou apenas nas redes sociais, de denúncias que não foram verificadas, nem a identidade da pessoa foi verificada e que teve consequências graves para a carreira desta pessoa e imagino, para a vida pessoal, imagino o que seja estar um ano nesta situação. O que nos lembra a todos também que existem deveres, desde logo da comunicação social, também das autoridades. Todos nós, quando às vezes também corremos para as redes sociais a amplificar estas notícias, estamos a falar de situações muito diferentes entre quem dá a cara numa denúncia e que tem a coragem de avançar.

E quem se esconde.

E quem se esconde, recusando-se a aparecer ou pelo menos a revelar. Já tivemos outros casos. Só lembrar-me daquele caso do ator António Capelo, que foi alvo de denúncias de pessoas que de início não revelaram o nome, mas que os jornalistas falaram com essas pessoas. Ou seja, não eram nomes no e-mail que ninguém sabia quem é que era. Há aqui situações muito complexas. Vamos ver como é que isto vai acabar. Para já houve consequências, claro, bastante graves para a carreira de Costa.