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Está na hora de mais um Não Se Fala de Outra Coisa e há por aí uma nova burla a circular em Portugal. Temos de estar atentos.
Eu vou dizer isto, atenção, eu adoro burlas.
Isto tirado fora do contexto.
Na ótica do utilizador.
Não, é porque cada vez que vejo estas notícias e a imaginação de algumas pessoas para o mal, para fazer este tipo de esquemas.
Fascinante.
Mas é fascinante, é verdade. E todos nós dizemos: "Isso comigo nunca acontecia." É mentira. É muito fácil cair em algumas burlas.
Eu recebi há pouco uma mensagem "Olá, mãe." Tentei responder, tentei alimentar a conversa e ninguém me respondeu. Fiquei triste.
Estão cada vez mais sofisticados e às vezes é difícil decifrar, porque a conversa flui tão bem que é difícil decifrar.
Não me responderam.
Não te responderam, mas eu sei de casos em que alimentaram aquela conversa. Esta burla, como é que começa, perguntam vocês.
Como é que começa?
Dinheiro que aparece na nossa conta sem nós termos pedido absolutamente nada. Recebemos o dinheiro na nossa conta, imaginemos 100, 150 ou 200 €, e recebemos logo depois uma mensagem com pedido para devolver essa quantia. Uma mensagem como: "Desculpe, fiz este pedido, ou enviei este dinheiro por engano."
O que acontece?
Sim, e a burla começa aí. Nas redes sociais, no Reddit, surgiram muitos relatos que se têm multiplicado nos últimos dias. Há quem diga ter recebido 150, 180 ou 200 € de desconhecidos, seguidos depois de mensagens no WhatsApp, em alguns casos enviados de um número diferente do que aquele que faz a transferência. Só por si só, aqui já é um bocadinho estranho. É uma situação que pode acontecer a qualquer um, como já disseste, Carla, nesta questão também do "Olá, mãe, olá, pai." As transferências são feitas através de MB Way e são imediatas, como todos nós sabemos. Nós não temos de aceitar. O dinheiro cai imediatamente na nossa conta, sem nos permitir aquela questão do cancelamento automático ou de números que não tenhamos na nossa lista de contactos. Portanto, tudo isto é muito fácil. A PJ está a par deste modus operandi. Há contas de utilizadores comuns que estão a ser utilizadas como intermediárias, como uma forma de despiste numa lógica de lavagem de dinheiro. É isso que é relatado aqui na notícia da CNN Portugal. Ou seja, ao devolvermos o montante que recebemos, podemos, sem saber, estar a ajudar a movimentar dinheiro de origem ilícita.
Estamos a ser mulas nessa lavagem de dinheiro.
Exatamente.
Não nos vão extorquir dinheiro. O facto de devolvermos aquele que está a mais, que não é nosso, não perdemos dinheiro, mas colaboramos um bocadinho. Sem saber.
O que é que devemos fazer neste sentido? Porque realmente é algo inesperado e se calhar é um modus operandi novo ao qual não estamos habituados. Há cinco passos a seguir. O primeiro é não devolver imediatamente o dinheiro e falar com o banco, perceber qual é a origem e tentar encaminhar-nos no sentido de perceber de onde é que vem esse dinheiro e se pode eventualmente ser de alguém que conhecemos e que fez eventualmente essa transferência. A Sibs, que é responsável pela gestão das redes Multibanco, sublinha que os utilizadores nunca devem seguir instruções de desconhecidos para realizar operações por MB Way. Não sei se se lembram, andou aqui na altura, não sei se podemos chamar de burla, mas uma questão de pessoas que tinham artigos à venda no OLX ou noutras plataformas e em que pediam um código do MB Way e a pessoa às tantas achava que estava a receber o dinheiro e estava a ser retirado o dinheiro da conta dessa pessoa.
Era uma burla. Não tenhas receio de dizer.
Ou seja, nunca transferir dinheiro para um número diferente daquele que é o remetente original. Essa é a primeira coisa. Falar com o banco, não devolver imediatamente o dinheiro, guardar todas as mensagens e comprovativos. Se quisermos eliminar, tirar sempre print a essas mensagens, não responder a nada ou a qualquer tipo de contacto e se suspeitar de burla, é fazer a queixa à PSP, GNR, à PJ. Portanto, fica aqui o alerta para os próximos tempos, porque esta burla também do "Olá, mãe, olá, pai" parou durante uns tempos, mas parece estar aí mais uma vez.
Volta para apanhar as pessoas desprevenidas. E é muito fácil uma pessoa estar desprevenida e receber uma mensagem.
Sim, e estar de boa-fé.
Ainda para mais quando se mete filhos ao barulho.
Há logo essa preocupação, porque isto são milhares de mensagens enviadas. Obviamente, a pessoa não é escolhida a dedo. São milhares de mensagens, basta que uma pessoa caia para que aquilo já esteja a render.
Para já render qualquer coisinha. Há uma enorme polémica em Espanha nesta altura e que tem a ver com o Guernica.
Lí ser um assunto do fim de semana.
Já leste sobre o assunto. Isto é uma guerra entre Madrid e o País Basco. O que é que acontece? O governo regional do País Basco quer que o quadro vá temporariamente para o Museu Guggenheim de Bilbao, de forma a coincidir com os 90 anos do bombardeamento da cidade Guernica. Foi em 1937, durante a Guerra Civil, e a ideia era expor o Guernica no País Basco. Problema: o quadro está no Museu Rainha Sofia, em Madrid, que diz que não e evoca um relatório técnico, diz que o quadro não está em condições de viajar, já está muito frágil, tem fissuras e fendas em pontos sensíveis e, portanto, poderia pôr em risco a integridade do quadro. Mas a questão tornou-se muito rapidamente política, com trocas de insultos assim mesmo fortes, sobretudo entre a presidenta da Comunidade Autónoma de Madrid, Isabel Ayuso, e o líder do Partido Nacionalista Basco, acusaram-se de provincianos um ao outro. A Ayuso diz que esta ideia de ter que devolver os quadros aos locais de origem não faz sentido, porque, em última análise, os quadros de Picasso iriam todos para Málaga, que é o local de origem do Picasso. Os bascos dizem que isto pode ser uma reposição histórica, uma forma até de tentar de alguma forma reparar os danos que o País Basco sofreu durante a Guerra Civil. A verdade é que a decisão já foi parar ao chefe do governo, Pedro Sánchez, que esta semana deve decidir o que vai fazer. Na verdade, também o Guernica já não sai do Museu Rainha Sofia há muito tempo. O MoMA pediu mais uma vez, onde o quadro esteve em exibição durante muito tempo. Até ao fim da ditadura, porque Picasso nunca autorizou que o quadro saísse.
Só depois é que volta para Espanha.
Para o Museu do Prado. Entretanto, está desde 92 no Rainha Sofia. Vamos ver como é que isto se desenvolve. Está muito aceso e sabemos também, se olharmos para a questão política, Pedro Sánchez tem governo minoritário e depende do Partido Nacionalista Basco.
Dizem que poderá ser aqui uma arma ou pelo menos uma moeda de troca para algum tipo de apoio. Mas o que interessa é que o quadro esteja bem. Isso é que é mais importante e que nós o possamos ver.