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Não se fala de outra coisa da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que esta semana foi vítima de assédio sexual no meio da rua. Não sei se viram as imagens.

Vi. É extraordinário.

Ela estava a cumprimentar eleitores no centro da cidade do México, perto do Palácio Nacional, quando o homem se aproximou dela, tocou-lhe nos seios, tentou beijá-la no pescoço. Foi uma coisa incrível.

Aproximou-se de costas?

A violência ponto físico.

O momento foi captado em vídeo e, como imaginam, rapidamente se espalhou pelas redes sociais. Vê-se a presidenta a tirar fotos, a cumprimentar as pessoas, quando o homem surge por trás, lhe passa um braço sobre o ombro, outro pela cintura, antes de ser afastado pela segurança. Apesar da agressão, a líder mexicana manteve a calma, até aceitou tirar fotografias com o agressor antes de seguir caminho, mas mais tarde, em conferência de imprensa, anunciou que tinha decidido apresentar queixa contra o homem, que foi entretanto detido. Disse que o fez por ser algo que todas as mulheres no México vivenciam e que se fazem isto com a presidente, o que acontecerá então com as outras mulheres, que nenhum homem tem direito de violar esse espaço e que já tinha enfrentado situações semelhantes no passado, quando não era presidente e era estudante, e que o problema vai muito além de uma figura pública. Diz que só se deu conta da gravidade do episódio precisamente depois de ver as imagens. E até diz que houve relatos que o agressor tinha continuado a assediar outras mulheres na mesma rua. Além da queixa, anunciou que vai propor uma revisão da legislação para que o assédio na rua seja punido em todo o país. Isto porque até aqui só estava em vigor na capital, onde este tipo de conduta pode levar até quatro anos de prisão. Apesar disto tudo, Sheinbaum diz que não vai mudar a forma como se relaciona com o público e que não vai deixar de andar nas ruas a cumprimentar quem a elegeu. Mas, de facto, é uma situação que uma pessoa olha para aquilo e pergunta como é que isto é possível à frente dos police, a naturalidade com que aquilo aconteceu.

É espantoso.

E claro que ela só se apercebeu melhor porque estava no meio de uma multidão. Portanto, os encontrões, os toques, o contacto.

Pelas imagens, parece que o aperto não foi muito evidente, mas obviamente que havia ali uma intenção.

Uma intenção, sim.

Vamos continuar no México e com mulheres mexicanas. Continuamos com mulheres mexicanas e não no México.

Não no México.

Estamos a falar do concurso Miss Universo 2025. Ainda existe.

Essa é a primeira felicidade.

Em alguns países é uma verdadeira indústria, o México é um desses países, mas também na Venezuela, na Colômbia.

Na América Latina é muito empenhada.

Em alguns países da América Latina, o Miss Universo continua a ser um evento de grande importância. Eu acho que cá em Portugal teve um período dourado nos anos 80, início dos anos 90, e depois, creio também no resto dos países ocidentais, foi decaindo a importância e até com algumas críticas a estes formatos. Mas continua a ser muito importante em muitos países e desta vez volta a ser falado por maus motivos. O concurso está a decorrer em Bangkok, na Tailândia, e o diretor executivo da Miss Universo, tailandês, o senhor tem um nome difícil de pronunciar, Nawat Itsaragrisil, chamou burra a Miss México. Isto num evento de preparação para o concurso, ou seja, não foi num evento daqueles que são transmitidos, a cerimônia oficial, era um evento de preparação. Mas claro, isto motivou logo muitas reações. Isto começou quando este responsável acusou a modelo mexicana de não ter publicado conteúdos promocionais, de ter faltado a uma sessão de fotografias e Fátima Mora, a concorrente mexicana, tentou defender-se, falar, e ele levanta o tom de voz.

E ainda a manda calar.

Manda calar, em inglês, ou no inglês que ele consegue falar, diz que era estúpida, que era burra, "dumbhead". E até ameaçou chamar a segurança para a retirar da sala e também ameaçou qualquer concorrente de ser excluída do concurso se se solidarizasse.

Mas assim que ele o faz, ouve-se logo vozes na sala, de várias mulheres.

Exatamente, os vídeos estão disponíveis. Apesar de não ser uma cerimônia oficial, há vídeos, porque estava a ser transmitido em direto para as redes sociais. Das 75 modelos presentes na reunião, estava também a atual Miss Universo, uma dinamarquesa, estamos aqui a falar do interesse ou não que isto tem nos países ocidentais, mas a atual titular deste concurso é uma dinamarquesa e foi uma das que abandonou a sala. Ela disse que desrespeitar outra mulher é mais do que uma falta de respeito, não é assim que as coisas devem ser feitas. Temos uma concorrente portuguesa também neste concurso, Camila Vitorino. Ela diz que ficou na sala, mas não se sentiu nada confortável com a situação. Entretanto, parece que já terá havido aqui uma tentativa de pedido de desculpas por parte do responsável por este momento infeliz. Vamos ver o que é que vai acontecer, saber também quem é que vai ganhar, se vai haver mais desistências, mas é um assunto que está a gerar muito falatório nas redes sociais.

Entretanto, ele já se mostrou muito arrependido, já chorou e tudo a pedir desculpa.

Pois, chorou, mas às vezes as desculpas evitam-se.