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Não se fala de outra coisa senão na saída de Ronaldo do estágio da seleção, que ontem ganhou por 4x2 à Dinamarca. Mas se por um lado a saída do capitão parece não ter tido impacto no relvado, nas redes sociais não é a mesma coisa. E vale a pena olharmos para os números da página de Instagram da Seleção Nacional e também de Cristiano Ronaldo, porque a tensão entre o capitão da seleção e JJ resultou numa autêntica debandada digital de ambos os lados, mas claro, mais de um lado do que do outro. Assim que soube da saída do Ronaldo, o impacto foi imediato. Em pouquíssimas horas, a página oficial da Federação Portuguesa de Futebol no Instagram, que estava nos 24,9 milhões de seguidores, perdeu mais de 300 mil seguidores num piscar de olhos. Mas isto foi nas primeiras horas. Neste momento, já mais de 1,3 milhão de pessoas deixaram de seguir a página da seleção. Foi a reação direta da legião de fãs de Ronaldo, que insatisfeitos com esta situação, decidiram cancelar em massa o acompanhamento da conta da equipe das quinas. Mas não se pense que o capitão ficou imune a isto tudo, apesar de ser a pessoa mais seguida do mundo, tem 679 milhões de seguidores.

Coisa pouca.

É uma coisa impressionante. O Messi tem 516 milhões. O próprio Cristiano Ronaldo também sentiu aqui o abalo, só que coisa pouca. No próprio dia em que abandonou o estágio, a conta perdeu 63 mil seguidores. Mas se olharmos para os últimos 14 dias, o acumulado é impressionante. São mais de 508 mil pessoas.

Saíram bem mais.

Saíram, sim. Já é considerável. Portanto, desde os últimos acontecimentos, o que se passou no último jogo, depois o ter ficado o banco, a forma como reagiu. Ou seja, esta rotura não destruiu apenas o relacionamento no balneário, está literalmente a queimar números e seguidores para os dois lados da barricada.

É a nova forma das pessoas mostrarem o seu protesto.

Exatamente.

Unfollow. Vou já deixar de seguir.

Mesmo assim, de propósito, pra te doer, pra magoar.

E nos Estados Unidos, nomeadamente no Tennessee, não se fala de outra coisa ou de outra pessoa, neste caso, Christa Pike, é uma norte-americana de 50 anos que tinha 18 quando foi condenada à morte, isto em 1996, por ter espancado, torturado e assassinado uma jovem de 19 anos com a ajuda do então namorado, que na altura era menor de idade. Ora, esta mulher está há mais de 30 anos no corredor da morte com alegações de abusos sofridos na infância e de problemas de saúde mental, mas os pedidos de clemência que foram feitos na Justiça foram negados. De resto, as últimas horas, os últimos dias, foram de vários avanços e recuos em todo este processo. Uma decisão de última hora chegou a travar a execução prevista, mas o Supremo Tribunal anulou essa suspensão decretada por um tribunal inferior e o processo acabou por se desenrolar, mas não decorreu como o previsto. A mulher acabou por sobreviver a duas injeções letais e está nesta altura internada no hospital. O advogado diz que Christa Pike foi levada para o hospital, uma vez que o coração ainda batia após receber estas duas injeções letais.

Quer dizer, não foram letais.

Exato, não foram, supostamente.

Duas injeções.

Exatamente. Que tinham esse objetivo. A tentativa de execução aconteceu na penitenciária de segurança máxima de Riverbend, em Nashville, por volta das 8 p.m, hora local de quarta-feira, e de acordo com as agências de notícias, Christa Pike recebeu duas doses desta injeção e a cortina da sala de testemunhas foi fechada por duas vezes, sala onde é possível ver este processo, que aparentemente não correu bem. A equipe jurídica entrou mesmo com pedido de emergência para interromper a execução, dizendo que a mulher perdeu a consciência, mas que ainda tinha batimentos cardíacos. De resto, os advogados acusam o Estado do Tennessee de mais uma vez falhar em realizar uma execução e também lembram os advogados que já tinham levantado preocupações. Aparentemente, havia já algumas indicações de dificuldade de acesso às veias da mulher, também veias rompidas, também a alegação de que a substância estaria degradada, e além de que nenhuma assistência médica de emergência estava disponível neste local. E em declarações à imprensa, já depois de tudo isso ter acontecido, os advogados dizem que não conhecem sequer qual o prognóstico, nem qual o estado de saúde de Christa Pike, sabem que ela está viva, sabem que ela está no hospital, mas ainda nem sequer a conseguiram visitar.

Isso é tudo surreal para acontecer.

No entanto, o Departamento de Correções do Tennessee garante que seguiu cada etapa do protocolo de execução de forma legal, de forma estabelecida pelo Estado. E à BBC, um professor de uma escola de medicina, que foi contratado por esta equipe jurídica, disse que provavelmente a mulher nunca atingiu um nível sanguíneo suficiente desta substância e, além disso, é muito provável que, como consequência da demora no início da reanimação, possa vir a sofrer uma lesão cerebral como consequência de tudo isto.

Luís, deixe-me dizer que há esse pormenor de dias antes da execução, que acabou por não funcionar. Christa Pike disse que não tinha medo da morte.

Tinha medo era do processo.

Tinha medo do processo, tinha receio do processo.

Precisamente por causa disso.

Todas as prescrições que foram feitas. E agora estamos a ver que tinha razão em recear o processo.

Exatamente. E certo é que a sentença de Christa Pike foi conhecida a 29 de março de 1996. A jovem foi condenada por homicídio em primeiro grau e conspiração. Nessa altura, foi-lhe dito pelo juiz que seria condenada à cadeira elétrica, que era a única forma de execução no Tennessee nessa altura, quando as injeções letais ainda não eram o principal método adotado por este Estado norte-americano. Este caso de Christa Pike, na altura, abalou o Tennessee, remonta a 1995, o dia em que a adolescente, juntamente com o então namorado, atraiu uma jovem para uma antiga central de vapor abandonada. Foi nesse local que, segundo as autoridades, a jovem foi espancada, torturada e assassinada com Christa Pike, que a acusava de ter insultado, de tentar roubar-lhe o namorado. Tudo isto levou a esta morte e a todo este caso que já dura há 30 anos e parece não ter fim à vista.

E isso acontece muito frequentemente, pessoas serem condenadas e depois ficarem décadas à espera no corredor da morte.

Pois sucede.

E o namorado, sabe-se o que é que aconteceu ao namorado também?

Ele não foi condenado à morte.

Porque ele era menor de idade, também na altura do crime.

E havia outra amiga também envolvida nesta situação, que também teve uma pena, não foi condenada à morte.

Christa Pike era mais vista como estando ali só a ver e não necessariamente como tendo interferido no processo, também foi importante.

E a primeira mulher no Estado do Tennessee, em 200 anos.

Em 200 anos a ser condenada à morte, a ser executada.

A ser executada, exato.

A ser executada, vamos ver agora.